O programa Plano MTV é muito bom e merece ser visto. A relação entre a Sustentabilidade e diversos temas é muito interessante e instrutivo.
Acessem http://mtv.uol.com.br/plano
O objetivo é desenvolver o pensamento sobre a questão ambiental - as diversas perspectivas envolvidas e os debates gerados pela temática.
Mostrando postagens com marcador Sustentabilidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sustentabilidade. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 10 de maio de 2010
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Parece que o sentido de urgência não é tão urgente assim.. O consumo como exemplo
A questão ambiental teve um período de euforia e crescimento entre os anos 1980 e 1990, principalmente da preparação da ECO-92 e após suas resoluções. Mesmo com diversos entraves e concessões durante a reunião, houve avanços signficativo das discussões ea ações ambientais em uma Conferência das Nações Unidas - que foi a segunda nesses moldes e amplitude, vinte anos após a realização da primeira e em um sistema internacional diferente de antes, com mudanças recentes e ainda não muito bem estabelecidas. Assim, mostrava-se promissor pensar a qualidade de vida dessa e das próximas gerações.
Infelizmente, parece que nos últimos anos essas preocupações, ainda que ainda existentes, estão mais diluídas. Isso quer dizer que o senso de urgência da questão ambiental nos fins do século XX parecem ter diminuído no fim da primeira década do século XXI. Será essa uma realidade? Ou é apenas impressão?
É fato que as quantidades de projetos, produtos e ações envolvendo a questão ambiental e principalmente os riscos da mudança climática sejam hoje muito maiores do que na década retrasada. Que os processos industriais queiram ser cada vez menos poluentes e mais sustentáveis, mesmo que por motivos de marketing vem se aumentando. Aí o problema é saber se são só propagandas e distorções da realidade ou uma efetiva mudança no comportamento empresarial e do consumidor. Além de levar em conta o que se pensa em Sustentabilidade, pois pode significar coisas diferentes...
Um exemplo simples: Uma determinada fábrica que coloca em suas embalagens o adjetivo "eco" em seus produtos dá a entender que é um produto que é feito através de um processo sustentável, quando na verdade não o é. Isso por uma série de questões e uma delas é o fator de compensação. Não é necessariamente o produto que deixou de ser poluente ou que degrade a natureza, mas houve algum tipo de política compensatória, como políticas de reflorestamento. E assim um produto "eco" será compensado (através do reflorestamento) de sua poluição presente em um futuro não definido.
Outras questões também devem ser consideradas como qualidade de vida dos empregados, uso consciente dos recursos, reciclagem otimização e gerenciamento que fazem parte do cotidiano das empresas e não apenas dos produtos. Não adianta muito falar em um produto ecológico, se os trabalhadores que fazem esse produto estão em condições precárias de trabalho, salário e segurança.
Mas as informações que o público e o consumidor têm são bem limitadas nesse sentido. As propagandas enganosas nos fazem pensar que certo produto está dentro de um padrão de Sustentabilidade. Mas cada um parece ter um padrão próprio ou uma noção, no mínimo peculiar, do que é Sustentabilidade e o que se deve fazer para que consegui-la.
Nesse percurso acabamos nos tornando reféns de uma indústria perversa que mascaram e maquiam seus velhos produtos poluidores e ultrapassados com roupagens "eco" e "sustentável". A falta de informação e a falta de vontade por mais informações corretas acabam facilitando a ocorrência dessas situações. E o que precisaria ser revisto, cuidado e melhorado acabam ficando de lado. As preocupações de antes são amenizadas, mesmo que os problemas ainda sejam os mesmos, apenas mascarados e deixados de lado.
Infelizmente, parece que nos últimos anos essas preocupações, ainda que ainda existentes, estão mais diluídas. Isso quer dizer que o senso de urgência da questão ambiental nos fins do século XX parecem ter diminuído no fim da primeira década do século XXI. Será essa uma realidade? Ou é apenas impressão?
É fato que as quantidades de projetos, produtos e ações envolvendo a questão ambiental e principalmente os riscos da mudança climática sejam hoje muito maiores do que na década retrasada. Que os processos industriais queiram ser cada vez menos poluentes e mais sustentáveis, mesmo que por motivos de marketing vem se aumentando. Aí o problema é saber se são só propagandas e distorções da realidade ou uma efetiva mudança no comportamento empresarial e do consumidor. Além de levar em conta o que se pensa em Sustentabilidade, pois pode significar coisas diferentes...
Um exemplo simples: Uma determinada fábrica que coloca em suas embalagens o adjetivo "eco" em seus produtos dá a entender que é um produto que é feito através de um processo sustentável, quando na verdade não o é. Isso por uma série de questões e uma delas é o fator de compensação. Não é necessariamente o produto que deixou de ser poluente ou que degrade a natureza, mas houve algum tipo de política compensatória, como políticas de reflorestamento. E assim um produto "eco" será compensado (através do reflorestamento) de sua poluição presente em um futuro não definido.
Outras questões também devem ser consideradas como qualidade de vida dos empregados, uso consciente dos recursos, reciclagem otimização e gerenciamento que fazem parte do cotidiano das empresas e não apenas dos produtos. Não adianta muito falar em um produto ecológico, se os trabalhadores que fazem esse produto estão em condições precárias de trabalho, salário e segurança.
Mas as informações que o público e o consumidor têm são bem limitadas nesse sentido. As propagandas enganosas nos fazem pensar que certo produto está dentro de um padrão de Sustentabilidade. Mas cada um parece ter um padrão próprio ou uma noção, no mínimo peculiar, do que é Sustentabilidade e o que se deve fazer para que consegui-la.
Nesse percurso acabamos nos tornando reféns de uma indústria perversa que mascaram e maquiam seus velhos produtos poluidores e ultrapassados com roupagens "eco" e "sustentável". A falta de informação e a falta de vontade por mais informações corretas acabam facilitando a ocorrência dessas situações. E o que precisaria ser revisto, cuidado e melhorado acabam ficando de lado. As preocupações de antes são amenizadas, mesmo que os problemas ainda sejam os mesmos, apenas mascarados e deixados de lado.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
O cheiro que a sociedade exala
Para variar, hoje, um conto "fictício":
Ao entrar em um ônibus lotado quase sem espaço e sem ar para se compartilhar o empurra-empurra é algo cotidiano. Desta vez, porém, estava sentado mais ao fundo. Preparando meu espírito para as quase duas horas até chegar em casa pelo menos dessa vez seria sentado. Isso se não ceder meu lugar para alguém mais 'necessitado'.
O andar de uma carruagem seria muito mais veloz, mas nem por isso eu tento me preocupar. A questão do meu assento é mais prioritária. Chega uma senhora idosa, mas ela consegue um lugar mais à frente. Uma grávida se dirige até minha poltrona, ainda bem que tem um lugar vazio ao meu lado. Pronto, o resto pode ir à pé sem maiores problemas, pelo visto vou conseguir ir sentado hoje. Olhando em volta para aqueles olhares cansados e desanimados imagino que minha cara também esteja naquele estado, se não pior. Talvez bem pior. E olha que o dia nem foi tão puxado. Mas já é a rotina ter o ar envolto de cansaço.
Nem dez minutos se passaram e a distância não deve ter passado de uns quinhentos metros. De repente a porta do ônibus se abre e ninguém desce. Ao contrário um ser começa com dificuldades a subir as escadas. O ar vai mudando de figura, daquela sensação existente vai se sobrepondo outra. Uma espécie de indignação, desespero e desânimo. Junto um cheiro de algo comparado a um ralo de banheiro entupido.
Olha a sua volta, olha, mas sem ver e também sem ser visto. Um lugar vaga e é justamente na minha frente, putz penso eu e posso ouvir quase todos em volta dizerem quase o mesmo. Logo depois penso que esse é um pensamento vergonhoso de se ter. Por que ele não pode ter o mesmo direito de estar aí, sentado na minha frente e com o cheiro mais puro da sociedade moderna? E esse cheiro no ar é também o cheiro da hipocrisia que a sociedade finge que não vê.
Apesar das caras feias, das tentativas de taparem os narizes e de reações adversas semelhantes, as pessoas tentam ignorar ao máximo. Logo penso também que ambos os pensamentos que tive antes foram exagerados. Talvez a sociedade não tenha culpa, pelo menos não nós pobres coitados que temos que compartilhar uma lata de sardinha para nos locomover.
Enquanto a viagem vai caminhando e as pessoas tentam se acostumar, umas ainda mostram uma indignidade e descontentamento velados, outras buscam ignorar e tentar agir o mais naturalmente exceto quando o ar é mais adensado e o vento vindo das janelas se torna insuficiente. Até aí sem problemas, mais meia hora e minha viagem termina. Pessoas que vão atingindo seu destino parecem ter a face mais aliviada só pelo fato de estar perto da porta e de já não terem mais que aguentar o cheiro da sociedade.
Os lugares vão ficando vagos, quase ninguém quer chegar perto da figura que exala o cheiro da sociedade, uma senhora distraída se posiciona bem ao lado do sujeito. Fico contando o tempo e observando o olhar e a expressão da senhora.
Nos primeiros segundos tudo bem, mas logo ela começa a sentir algo diferente, sua expressão vai mudando. Olha para os lados, não vê nada. Olha para trás, nada. Até confere os sapatos para ver se não havia pisado em nada, ainda nada. De repente sua percepção parece aumentar e olha finalmente para a criatura que havia evitado. O olhar e a cara de nojo como tantas outras já haviam feito antes.
Exatamente dois minutos e quarenta segundos e a mulher vai o mais longe possível. A senhora grávida ao meu lado está quase desmaiando. Acho que os sentidos estão mais aguçados, mas até aí ela tentou se portar da forma mais natural possível. Um ponto depois, ela desce. Outra pessoa mais à frente já não suporta mais e desce também, ou será que chegou ao seu destino? Não sei, talvez nunca saberei, mas não importa.
Um casal se dirige para o local que já está virando uma zona temida e evitada, apenas algumas figuras permanecem, eu inclusive. Mas não sei se era por preguiça ou pela situação que estava suscitando tantas indagações. O casal parece apaixonado, nem percebe em que lugar estão sentando. É justamente atrás do lugar que já está virando uma quarentena sem nem precisar de aviso.
As caretas continuam, o desespero por um lado aumenta, a tentativa de agir normalidade também. Mas independentemente das escolhas e reações das pessoas a unanimidade é ignorar o "incômodo". E até a metade da viagem, ninguém incomodou ou foi incomodada diretamente pela pessoa. O cheiro parece ser a única coisa, mas já está se tornando para algumas criaturas, demais. Está se impregnado e se espalhando.
Eu olho para as pessoas nos olhos, não sei que expressão fiz, tentei ser o mais neutro, tentei olhar sem preconceito.
Uma fração de segundo nosso olhos se encontram. Posso estar enganado, mas via um feixe de luz muito pequeno, indicava um pouco de vida no olhar do cidadão ignorado. As marcar no rosto e a feição mais cansada que a minha, mostram uma vida dura e de sofrimento. Um tempo em que os preconceitos e as dificuldades ficaram para sempre marcados.Essa fração de segundo passa a reação foi de abaixar a cabeça envergonhada de ambos os lados, mas da outra parte pareceu maior que a minha.
Uma fração de segundo nosso olhos se encontram. Posso estar enganado, mas via um feixe de luz muito pequeno, indicava um pouco de vida no olhar do cidadão ignorado. As marcar no rosto e a feição mais cansada que a minha, mostram uma vida dura e de sofrimento. Um tempo em que os preconceitos e as dificuldades ficaram para sempre marcados.Essa fração de segundo passa a reação foi de abaixar a cabeça envergonhada de ambos os lados, mas da outra parte pareceu maior que a minha.
Não pude deixar de achar uma certa ironia, agora eu estava sendo evitado, vai saber. Como existem loucos por essa cidade, talvez possa ser para evitar alguma reação de indignidade ou violência da minha parte. Não dá para saber ou mesmo conhecer as pessoas que dividem esta viagem.
Isso se confirma com a explosão do senhor apaixonado. Nem dez minutos haviam se passado e ele grita em alto em bom som: "Nossa, tem algum esgoto a céu aberto?!". "Que fedor, hein?!" A namorada concorda, talvez não com palavras, mas certamente sua expressão de nojo era bem maior que qualquer outra na condução. Olhando com mais atenção para o casal percebi que eram religiosos, pelo menos os apetrechos que usavam assim indicavam. A reação começou a ser maior e não vale a pena reproduzir, olhando para o lado via algumas cabeças balançando. Muitas em concordância.
Não sei se isso levou a alguma reação ou se já era o ponto da pessoa que motivou esse conto, mas ela se levanta e desce no próximo ponto. Um novo encontro de olhar e a luz que já era pouca, parece diminuir. Talvez tenha sido só uma sombra, não tenho como saber. O cheiro da sociedade continua pairando no ar. Acreditei que a hipocrisia era mais forte que o próprio cheiro da sociedade.
Nem cinco minutos depois da manifestação de incômodo, o casal desce. Isso, realmente me incomodou mais que qualquer outra coisa da viagem. Mas ficar indignado não levaria a nada. Vou escrever essa situação, pensei eu....
Para muitos isso pode ser considerado um conto, uma fábula, algo com uma moral por trás ou não. Quem sabe um dia essa situação seja apenas um mito ou uma lenda....
terça-feira, 14 de abril de 2009
Ninguém é mais ambiental que alguém... mas exigir algo exige uma troca?
Há algumas semanas em horários variados vejo uma propaganda, na verdade acho que só vi mesmo em um canal, afirmando que "Ninguém é mais ambientalista que o produtor rural..." não vou reproduzir o resto da fala completa, mas em linhas gerais, acabam criticando a falta de "apoio" e de "incentivo" da produção, que as leis vão acabar parando o Brasil... Esperei um tempo antes de comentar esse diálogo para ver se haveria maiores manifestações da mídia em geral, mas até agora parece que passou despercebido ou foi ignorado, talvez como motivo de risada e nada mais. É interessante que esta propaganda apareça perto do planejamento do Novo Código Florestal Brasileiro e a redefinição de certos limites para a produção e sua localização.
A intenção destas linhas não são criticas ou julgamento, nem louvor a tais iniciativas. Também não cabe entrar em detalhes dos motivos que levaram a tal manifestação, somente suposições no momento, mas sem querer me adiantar o descontentamento é evidente. E, talvez, seja produtivo olhar para esse descontentamento com mais atenção. Sem negar a defesa ambiental - afinal de contas, quantas pessoas seriam "suficientes" para ir contra? - a propaganda nos mostra que há uma certa inquietação com os rumos do debate ambiental no Brasil, talvez antecipando uma tendência de regulamentação, maior fiscalização e rigor no cumprimento que se espera deste país, talvez com medo que se tornem mais rígidas (algo que na verdade nunca foi) e acabe na burocratização que paralisa muitos setores da sociedade.
O Brasil é um país de imensas riquezas em quase todos os aspectos possíveis, ganha também cada vez mais prestígio no cenário internacional. E isso exige maiores responsabilidades, controles, transparência, mostras de que somos capazes. Os olhos do mundo nos veem com mais atenção, como a crise financeira perturbou o andamento deste processo é ainda cedo para saber como o Brasil, ou melhor, a percepção das ações brasileiras tem impacto neste novo cenário. Talvez tenha até acelerado a inserção internacional e nacional, mas se vai ser positivo para o mundo em geral e, especialmente, para o país ainda será descoberto.
A raiz do problema está além da discussão socioambiental, mas esta é uma discussão indispensável para entendermos os vários problemas: fome, desemprego, violência, baixa escolaridade, baixa renda, desigualdade social e tantas outras que se relacionam direta e indiretamente, em escalas e intensidades variadas, com a Sustentabilidade. Isso não se limita a região Latino-americana, mas uma discussão que deve considerar e abraçar o mundo.
Não cabe assim que uma pessoa seja sacrificada para a salvação do resto, nem que os prejuízos sejam pagos por apenas uma parcela da população, principalmente se esta parte é a que já tem poucos recursos, é marginalizada e sofrida, onde as consequências tem potenciais muito mais devastadores e complicados. Mas se nada for feito, nada muda. Se por achar que não há jeito e não devemos agir, então realmente só por um milagre. Engraçado que o milagre neste caso é aquilo que não vem da ação humana, onde a ação humana em si é um milagre em muitos aspectos: a capacidade imaginativa, criativa, de comprometimentos e adaptabilidade é praticamente ilimitada. Um direcionamento, uma reordenação, um (re)pensamento da sociedade, da educação, da produção, do consumo, do que é governo e de quem e para quem ele serve é um começo que deve ser dinâmico, integrador, interativo, inclusivo, includente, abrangente, aberto, coerente, coeso, constante, humano, humanizado, humanizador, ambiental, sustentável, local, nacional, regional, internacional, mundial, universal. Mas que não deve ficar no campo teórico, epistêmico e inicial, deve ser desenvolvido, internalizado, aprendido e apreendido como parte do cotidiano.
A intenção destas linhas não são criticas ou julgamento, nem louvor a tais iniciativas. Também não cabe entrar em detalhes dos motivos que levaram a tal manifestação, somente suposições no momento, mas sem querer me adiantar o descontentamento é evidente. E, talvez, seja produtivo olhar para esse descontentamento com mais atenção. Sem negar a defesa ambiental - afinal de contas, quantas pessoas seriam "suficientes" para ir contra? - a propaganda nos mostra que há uma certa inquietação com os rumos do debate ambiental no Brasil, talvez antecipando uma tendência de regulamentação, maior fiscalização e rigor no cumprimento que se espera deste país, talvez com medo que se tornem mais rígidas (algo que na verdade nunca foi) e acabe na burocratização que paralisa muitos setores da sociedade.
O Brasil é um país de imensas riquezas em quase todos os aspectos possíveis, ganha também cada vez mais prestígio no cenário internacional. E isso exige maiores responsabilidades, controles, transparência, mostras de que somos capazes. Os olhos do mundo nos veem com mais atenção, como a crise financeira perturbou o andamento deste processo é ainda cedo para saber como o Brasil, ou melhor, a percepção das ações brasileiras tem impacto neste novo cenário. Talvez tenha até acelerado a inserção internacional e nacional, mas se vai ser positivo para o mundo em geral e, especialmente, para o país ainda será descoberto.
A raiz do problema está além da discussão socioambiental, mas esta é uma discussão indispensável para entendermos os vários problemas: fome, desemprego, violência, baixa escolaridade, baixa renda, desigualdade social e tantas outras que se relacionam direta e indiretamente, em escalas e intensidades variadas, com a Sustentabilidade. Isso não se limita a região Latino-americana, mas uma discussão que deve considerar e abraçar o mundo.
Não cabe assim que uma pessoa seja sacrificada para a salvação do resto, nem que os prejuízos sejam pagos por apenas uma parcela da população, principalmente se esta parte é a que já tem poucos recursos, é marginalizada e sofrida, onde as consequências tem potenciais muito mais devastadores e complicados. Mas se nada for feito, nada muda. Se por achar que não há jeito e não devemos agir, então realmente só por um milagre. Engraçado que o milagre neste caso é aquilo que não vem da ação humana, onde a ação humana em si é um milagre em muitos aspectos: a capacidade imaginativa, criativa, de comprometimentos e adaptabilidade é praticamente ilimitada. Um direcionamento, uma reordenação, um (re)pensamento da sociedade, da educação, da produção, do consumo, do que é governo e de quem e para quem ele serve é um começo que deve ser dinâmico, integrador, interativo, inclusivo, includente, abrangente, aberto, coerente, coeso, constante, humano, humanizado, humanizador, ambiental, sustentável, local, nacional, regional, internacional, mundial, universal. Mas que não deve ficar no campo teórico, epistêmico e inicial, deve ser desenvolvido, internalizado, aprendido e apreendido como parte do cotidiano.
sábado, 20 de dezembro de 2008
O "Ser" Sustentável é uma ideia, um conceito ou uma possibilidade?
Pensar a Sustentabilidade não é uma tarefa simples. Principalmente quando não sabemos realmente o que é ou não "sustentável". Para simplificar o pensamento e levar a uma reflexão maior, vou usar a definição mais aplicada no termo "desenvolvimento sustentável" - que é atender as necessidades presentes pensando e garantido a qualidade de vida das gerações futuras (idéia presente no Relatório Brundtland, intitulado Nosso Futuro Comum de 1987).
Não basta apenas considerar as gerações futuras, é preciso pensar na situação atual, na questão ética, política, social, cultural, enfim, em todos os aspectos que envolvem nossas vidas. Hoje em dia o termo "sustentável", comumente aplicado em diversos planos, idéias, propagandas, metas que envolvem diversos lugares, pessoas, culturas e sociedades, mas será que a definição, o entendimento, a vontade, a aplicação e o comprometimento é o mesmo? Não podemos esquecer que as pessoas por mais que vivam em sociedades e compartilhem muitas coisas, locais e experiências são únicas e tem noções e idéias "individuais" - mesmo que algumas delas sejam compartilhadas por outros tantos indivíduos é difícil todas serem - e sua intensidade e importância também variam. São vários fatores a serem considerados e que passam a ser relevantes
Mas a idéia deste texto não é ser pessimista, mas aproveitar para ressaltar as possibilidades que a Sustentabilidade nos apresenta. Não apenas uma forma de desenvolvimento humano e tecnológico, mas considerando a responsabilidade, a ética, o futuro, culturas e sociedades que fazem parte dos diversos processos e práticas cotidianas. A questão ambiental também é, como já disse, uma questão pessoal e por isso a importância da conscientização nos diversos níveis: familiar, local, global, nacional, internacional, interestatal, acadêmico, governamental, escolar etc. Pensar e agir sustentavelmente é um trabalho em progresso, em constante transformação e adaptação que não pode parar, mesmo quando for eficaz e eficiente bastante para ser algo "comum".
Não basta apenas considerar as gerações futuras, é preciso pensar na situação atual, na questão ética, política, social, cultural, enfim, em todos os aspectos que envolvem nossas vidas. Hoje em dia o termo "sustentável", comumente aplicado em diversos planos, idéias, propagandas, metas que envolvem diversos lugares, pessoas, culturas e sociedades, mas será que a definição, o entendimento, a vontade, a aplicação e o comprometimento é o mesmo? Não podemos esquecer que as pessoas por mais que vivam em sociedades e compartilhem muitas coisas, locais e experiências são únicas e tem noções e idéias "individuais" - mesmo que algumas delas sejam compartilhadas por outros tantos indivíduos é difícil todas serem - e sua intensidade e importância também variam. São vários fatores a serem considerados e que passam a ser relevantes
Mas a idéia deste texto não é ser pessimista, mas aproveitar para ressaltar as possibilidades que a Sustentabilidade nos apresenta. Não apenas uma forma de desenvolvimento humano e tecnológico, mas considerando a responsabilidade, a ética, o futuro, culturas e sociedades que fazem parte dos diversos processos e práticas cotidianas. A questão ambiental também é, como já disse, uma questão pessoal e por isso a importância da conscientização nos diversos níveis: familiar, local, global, nacional, internacional, interestatal, acadêmico, governamental, escolar etc. Pensar e agir sustentavelmente é um trabalho em progresso, em constante transformação e adaptação que não pode parar, mesmo quando for eficaz e eficiente bastante para ser algo "comum".
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Para não dizer que não falei do Clima
Como é possível entendermos uma questão tão complexa como o clima? Além de suas diversas definições, significados e usos e abusos quando tratamos dos discursos e notícias recentes ao "aquecimento global" já se formam na maioria dos subconscientes, até naqueles mais 'preparados" e 'instruídos', uma visão de calamidades e mazelas futuras. Com certeza a situação não é a das mais confortáveis, cada dia que passa a tendência de irreversibilidade da destruição se torna maior. Mas até que ponto a preocupação não é exagero?
Responder esta pergunta mesmo para os diversos "especialistas" no assunto não é fácil ou mesmo um consenso. Podemos encontrar desde opiniões que afirmam a chegada do fim a aqueles que tratam os acontecimentos recentes como naturais. Há uma série de opiniões sobre o tema e arrisco dizer que são das mais variadas possíveis e imagináveis, se há uma coisa que não devemos reclamar é a falta de imaginação quando se pensa no futuro do planeta e da humanidade.
Independente das teorias e teóricos existentes é preciso considerar a questão ambiental de forma abrangente, integrada, transdisciplinar e complexa. Ao não considerar os múltiplos aspectos da questão podemos acabar vendo apenas partes e/ou fragmentos que podem prejudicar ou tornar ações ou propostas menos eficientes; por outro lado, buscar entender todos os aspectos , mas de forma superficial também não terá muita utilidade. A velocidade com que o mundo atual é percebido e a noção de espaço e tempo cada vez mais distorcida faz com que as informações tenham esse aspecto cada vez mais superficial para 'informar' o máximo possível. Mas aí surge algumas questões: será que a capacidade e o nível de absorção das notícias é compatível com tal velocidade? Será que existe uma cultura e vontade suficiente para se buscar tais informações e para se aprofundar nos temas? Será que os recursos existentes são usados de forma produtiva ou é necessário repensar tudo isso?
Na vontade de nos tornarmos cada vez mais sapiens e integrados ao mundo todo através da informação podemos acabar entrando em uma falsa integração por uma ilusão criada a partir de erros de interpretação e falta de 'conhecimentos'. O tão temido aquecimento global é um dos aspectos sobre o clima que nos preocupam, mas não é único, além disso não é o aquecimento global em si o perigo, como fenômeno natural é um dos responsáveis pelo clima ameno que permite a existência da vida na Terra, mas o seu aumento através da ação humana que preocupa. A poluição, os desmatamentos e uma série de outros fatores fazem com que o fenômeno natural se acentue e isso é o perigo do 'aquecimento' que por algumas previsões não ocorrerá em todo o mundo.
Enfim, é preciso calma e atenção ao tratar temas tão delicados que envolvem múltiplos fatores, principalmente com uma atenção midiática exaustiva, repetitiva e pouco reflexiva que acaba saturando a paciência dos poucos que ainda escutam ao ouvir falar de meio ambiente. Causa uma falsa impressão de que sabemos o que estamos falando, ouvindo ou discutindo, mas será que sabemos mesmo? Será que estamos nos informando mais e nos aprofundando nas discussões e debates? Será que sabemos quais as 'soluções' para o ambiente?
Responder esta pergunta mesmo para os diversos "especialistas" no assunto não é fácil ou mesmo um consenso. Podemos encontrar desde opiniões que afirmam a chegada do fim a aqueles que tratam os acontecimentos recentes como naturais. Há uma série de opiniões sobre o tema e arrisco dizer que são das mais variadas possíveis e imagináveis, se há uma coisa que não devemos reclamar é a falta de imaginação quando se pensa no futuro do planeta e da humanidade.
Independente das teorias e teóricos existentes é preciso considerar a questão ambiental de forma abrangente, integrada, transdisciplinar e complexa. Ao não considerar os múltiplos aspectos da questão podemos acabar vendo apenas partes e/ou fragmentos que podem prejudicar ou tornar ações ou propostas menos eficientes; por outro lado, buscar entender todos os aspectos , mas de forma superficial também não terá muita utilidade. A velocidade com que o mundo atual é percebido e a noção de espaço e tempo cada vez mais distorcida faz com que as informações tenham esse aspecto cada vez mais superficial para 'informar' o máximo possível. Mas aí surge algumas questões: será que a capacidade e o nível de absorção das notícias é compatível com tal velocidade? Será que existe uma cultura e vontade suficiente para se buscar tais informações e para se aprofundar nos temas? Será que os recursos existentes são usados de forma produtiva ou é necessário repensar tudo isso?
Na vontade de nos tornarmos cada vez mais sapiens e integrados ao mundo todo através da informação podemos acabar entrando em uma falsa integração por uma ilusão criada a partir de erros de interpretação e falta de 'conhecimentos'. O tão temido aquecimento global é um dos aspectos sobre o clima que nos preocupam, mas não é único, além disso não é o aquecimento global em si o perigo, como fenômeno natural é um dos responsáveis pelo clima ameno que permite a existência da vida na Terra, mas o seu aumento através da ação humana que preocupa. A poluição, os desmatamentos e uma série de outros fatores fazem com que o fenômeno natural se acentue e isso é o perigo do 'aquecimento' que por algumas previsões não ocorrerá em todo o mundo.
Enfim, é preciso calma e atenção ao tratar temas tão delicados que envolvem múltiplos fatores, principalmente com uma atenção midiática exaustiva, repetitiva e pouco reflexiva que acaba saturando a paciência dos poucos que ainda escutam ao ouvir falar de meio ambiente. Causa uma falsa impressão de que sabemos o que estamos falando, ouvindo ou discutindo, mas será que sabemos mesmo? Será que estamos nos informando mais e nos aprofundando nas discussões e debates? Será que sabemos quais as 'soluções' para o ambiente?
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Algumas Questões sobre a Sustentabilidade: Os alimentos, trangênicos e "Fast-Foods"
A crise dos alimentos está ocorrendo? Devemos nos preocupar? Independentemente a questão dos alimentos deve ser analisada com cautela e desconfiança. Afinal de contas, comida é coisa séria e se você não sabe o que está colocando na boca e/ou ingerindo....
A tecnologia existe em todos os setores para facilitar e dar mais conforto para os processos e ações humanas, mas mesmo com todas as facilidades uma série de problemas vão surgindo ao longo do tempo. Um dos exemplos destes problemas é o uso de fertilizantes e agrotóxicos: a depredação e monoculturas em latifúndios leva ao uso cada vez maior destes produtos. A poluição dos rios e afluentes e dos lençóis freáticos são conseqüências destas práticas, além da desertificação e erosão do solo.
A baixa produtividade é mais um problema causado da agricultura excessiva da monocultura latifundiária e que motiva os usos de agrotóxicos e fertilizantes. Como a produção às vezes não compensam os gastos com estes produtos a solução é desmatar novas áreas e recomeçar o ciclo da estupidez produtiva. Mas e quando não existirem mais matas para derrubar e expandir a produção? E quando o solo tiver chegado a seu ponto máximo de esgotamento? Será que haverá volta para isso?
Além das implicações que a má administração e falta de investimentos em agriculturas alternativas, sustentáveis, diversificada e familiar, principalmente em países como o Brasil em que há "abundância" de terras férteis, não implicarão somente no aumento do preço dos alimentos com o tempo, mas também em sua qualidade, quantidade e variedade que pode ocasionar aumentos mais abusivos e controles e racionamentos em várias partes do mundo. A subnutrição pela má alimentação da população mais pobre, a necessidade de mais suplementos químicos produzidos artificialmente podem ocasionar diversos problemas de saúde o que elevaria os gastos governamentais nas mais diversas áreas.
Já que estamos trabalhando com a questão da má-alimentação, vamos falar da expansão dos "fast-foods" atualmente. São muitas as lanchonetes conhecidas por lanches e comidas rápidas para as refeições dos trabalhadores modernos. As marcas que se estabelecem pelo mundo afora geram controvérsias sobre sua eficiência na questão alimentar, principalmente entre serem nutritivos, práticos e saborosos. Quanto aos dois últimos itens, a expansão destes produtos no mercado mostram que atingiram o gosto do público, mas quanto ao primeiro item há dúvidas. O aumento e expansão das lanchonetes também gera um aumento por produtos agropecuários.
A demanda por estes produtos se torna cada vez maior e assim como o consumidor quer suas refeições mais rápidas as lanchonetes querem seus produtos maiores e em menor tempo. Esses e outros interesses levam a pesquisas e a implantação de variedades criadas ou modificadas em laboratório - os transgênicos que fazem parte do nosso dia-a-dia e nem sempre percebemos ou mesmo nos importamos já que são utilizados sem pesquisas aprofundadas sobre seus usos e implicações a longo prazo.
Enfim, uma plantação de grande escala que deveria ser uma vantagem do mundo moderno se mostra um grave perigo para o futuro e subsistência da humanidade.
A tecnologia existe em todos os setores para facilitar e dar mais conforto para os processos e ações humanas, mas mesmo com todas as facilidades uma série de problemas vão surgindo ao longo do tempo. Um dos exemplos destes problemas é o uso de fertilizantes e agrotóxicos: a depredação e monoculturas em latifúndios leva ao uso cada vez maior destes produtos. A poluição dos rios e afluentes e dos lençóis freáticos são conseqüências destas práticas, além da desertificação e erosão do solo.
A baixa produtividade é mais um problema causado da agricultura excessiva da monocultura latifundiária e que motiva os usos de agrotóxicos e fertilizantes. Como a produção às vezes não compensam os gastos com estes produtos a solução é desmatar novas áreas e recomeçar o ciclo da estupidez produtiva. Mas e quando não existirem mais matas para derrubar e expandir a produção? E quando o solo tiver chegado a seu ponto máximo de esgotamento? Será que haverá volta para isso?
Além das implicações que a má administração e falta de investimentos em agriculturas alternativas, sustentáveis, diversificada e familiar, principalmente em países como o Brasil em que há "abundância" de terras férteis, não implicarão somente no aumento do preço dos alimentos com o tempo, mas também em sua qualidade, quantidade e variedade que pode ocasionar aumentos mais abusivos e controles e racionamentos em várias partes do mundo. A subnutrição pela má alimentação da população mais pobre, a necessidade de mais suplementos químicos produzidos artificialmente podem ocasionar diversos problemas de saúde o que elevaria os gastos governamentais nas mais diversas áreas.
Já que estamos trabalhando com a questão da má-alimentação, vamos falar da expansão dos "fast-foods" atualmente. São muitas as lanchonetes conhecidas por lanches e comidas rápidas para as refeições dos trabalhadores modernos. As marcas que se estabelecem pelo mundo afora geram controvérsias sobre sua eficiência na questão alimentar, principalmente entre serem nutritivos, práticos e saborosos. Quanto aos dois últimos itens, a expansão destes produtos no mercado mostram que atingiram o gosto do público, mas quanto ao primeiro item há dúvidas. O aumento e expansão das lanchonetes também gera um aumento por produtos agropecuários.
A demanda por estes produtos se torna cada vez maior e assim como o consumidor quer suas refeições mais rápidas as lanchonetes querem seus produtos maiores e em menor tempo. Esses e outros interesses levam a pesquisas e a implantação de variedades criadas ou modificadas em laboratório - os transgênicos que fazem parte do nosso dia-a-dia e nem sempre percebemos ou mesmo nos importamos já que são utilizados sem pesquisas aprofundadas sobre seus usos e implicações a longo prazo.
Enfim, uma plantação de grande escala que deveria ser uma vantagem do mundo moderno se mostra um grave perigo para o futuro e subsistência da humanidade.
Assinar:
Postagens (Atom)