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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Assim caminhamos?

Olá a todos, sejam bem-vindos se é que ainda tenho frequentadores nesta terra árida e abandonada, uma série de eventos me fizeram ficar mais tempo longe do que gostaria. Falta de tempo, desânimos momentâneos, esquecimentos, frustrações e alegrias diversas me distanciaram deste tão querido blog. Pretendo voltar, infelizmente não com força total. Não posso prometer uma coisa que sei que vai ser difícil cumprir, mas é muito bom estar de volta. Hoje vou fazer uma breve reflexão sobre o que está acontecendo. 
 E desde que deixei de postar aqui foram muitas coisas, mas vou deixar para outras oportunidades. O pré-sal no sudeste brasileiro, belo monte no norte, o código florestal, as Conferências de Partes (Cop), tanto as climáticas que tiveram grande destaque na mídia de massa e o tão falado e esperado pós-Quioto -  especialmente as últimas (COP-15, Copenhague-2009), (COP-16-Cancún)  e (COP-17, Durban) - quanto as de biodiversidade - destaque para a (COP-10, Nagoya, 2010). As mudanças globais (ambientais, sociais, econômicas e políticas). A chegada da Rio+20 ao Brasil em junho e a "economia verde" como tema e uma série de outros eventos que aconteceram ou que ainda vão acontecer, mas que já mobilizaram tanto merecem destaque e espero que possa trabalhar cada um destas temáticas com mais cuidado e atenção.
É claro que todas as temáticas ambientais tem ligações umas com as outras, umas mais intensas e diretas que outras, mas estão inter-relacionadas e são interdependentes, embora nem sempre seja tão claro assim. Por exemplo, é difícil perceber o quanto uma escolha individual pode afetar a vida do resto da sociedade. Até que ponto eu deixar de escrever neste blog afetou a economia mundial? Na minha singela opinião, embora eu seja parte da economia mundial, o impacto é nulo ou imperceptível. O modo de vida da maioria das pessoas e até a minha própria não mudou significativamente. Existem pessoas que pelo seu poder ou influência econômica, política, militar, religioso e/ou social tem a capacidade de influenciar mais pessoas e assim impactos econômicos e sociais podem ser mais sentidos.
Lucrar com algo ou sobre algo não é algo novo, mas as formas que temos para isso nos dias de hoje são impressionantes, para citar algumas: crédito e crediário, você não tem, mas quem tem te empresta por juros pequenos e suaves prestações (nem sempre), ou então você parcela e paga "sem juros"; aluguel de tudo que se possa imaginar, com a mesma lógica que a primeira você não tem, mas eu te empresto por um preço; exploração, seja do corpo ou da mente através de sub-empregos, baixos salários, apropriação de ideias, inventos e talentos. Nesta era tecnológica e informacional que vivemos as ideias, informações e conhecimentos valem mais do que ouro. Enfim, são inúmeras formas possíveis de se lucrar e a inventividade humana parece ilimitada.
Felizmente a inventividade humana não foi, nem é voltada só para a exploração,  o consumismo e o lucro insano e patético, há esperança. Pelo menos gosto de pensar assim. A humanidade é capaz de barbaridades e desgostos que me envergonham profundamente, mas também de coisas belas e maravilhosas. Ultimamente parece que a tragédia tem ganhado destaque, afinal ela  parece vender mais nos noticiários, revistas e jornais. Além disso, o medo (real ou aparente) causa, às vezes, reações mais absurdas do que a situação exige. Mas não quer dizer que somos todos maus, mesquinhos, vilões. Os sentimentos de amargura, egoísmo, fúria, de revolta, de angústia, resignação, medo tem em contrapartida o respeito, o amor, a solidariedade, a reflexão, a compaixão, perdão, a esperança.
O mais estranho de tudo é pensar que muitas pessoas vão concordar que o amor e a solidariedade são bem melhores que a amargura, egoísmo e a mesquinharia, mas não saberão como alcançar esse sentimento, outras vão achar que isso é papo de gente religiosa, ingênua e/ou idealista e que o mundo é muito mais cruel e duro. Ainda outras vão negar totalmente a necessidade desses sentimentos, talvez até sem saber o que seria melhor. Os motivos para isso são inúmeros e cada um vai apresentar um bom motivo e argumento para isso, seja por traumas, por seu caráter, pela visão de mundo ou qualquer outro motivo.
 Acredite o que quiser, faça o que fizer, seja o que for não podemos negar que somos parte e  dependemos da natureza. Vivermos em sociedade, por bem ou por mal, chegamos até aqui. Nossa sobrevivência e nosso futuro estão ligados com a história e decisões tomadas por nossos antepassados, mas não estão definidas por eles. Um futuro mais justo, igualitário,  solidário, democrático, ambientalmente saudável e sustentável não é impossível de ser alcançado, mas há muito trabalho a ser feito. Não é fácil mudar as prioridades, os planos e a visão de mundo de pessoas que não estão dispostas a mudar. Não sei, talvez essa seja uma das coisas mais difíceis, mudar algo que acham que não pode ser mudado ou que não tem intenção de mudar.
Caminhamos por nossa vontade? Caminhamos para um futuro melhor? Estamos satisfeitos com o mundo? "O que esperamos do mundo e o que ele espera de nós?", parafraseando um verso da música de Lenine. Para onde, por onde ou como caminhamos eu não sei, afinal cada um tem seu ritmo, recurso e caminho a seguir. Mas estamos todos interligados e caminhamos juntos nesse labirinto que é a vida. Então, desejo a todos um ótimo percurso e ótimas realizações, pois o caminho pode ser mais importante e emocionante que a saída (ou chegada, dependendo de como interpretar). 

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Praticar a reflexão e a solidariedade

Primeiro, gostaria de desejar a todos um feliz 2011 e muitas realizações de sucessos para todos, dizer que ficarei afastado mais um pouco... como já vem acontecendo, mas por um bom motivo! Nos vemos em breve!

A frase "A vida é baseada em escolhas e feita de detalhes" não poderia se aplicar melhor ao espírito desse texto. Afinal, o caminho que você decide seguir depende daquilo que você escolheu e também das pessoas a sua volta. Por exemplo, você pode escolher ser um professor, por gostar de ensinar, por que teve um professor que admirava e queria ser como ele ou por outros motivos pessoais. Sabendo que estará influenciando a vida de muitas pessoas, positivamente ou não.
Ainda que não podemos escolher tudo que queremos, há algumas decisões chaves na vida:  o que eu quero? Como faço para chegar lá? Quando? Por que? Vale a pena? Enfim, uma série de dúvidas que nos rondam diariamente. Uma questão de qual caminho escolher de acordo com as circunstâncias e as possibilidades apresentadas.
Estar consciente do que estamos fazendo e em que caminho estamos seguindo é importante para realizar um sonho? Seguir um sonho requer coragem, foco e, às vezes, sacrifícios. Eles também são parte das escolhas que fazemos, inclusive quando temos que abandonar um sonho por quaisquer que sejam os motivos, bons ou ruins.
O problema é quando deixamos de considerar tudo e todos e o sonho se torna obsessão e nada mais importa além de vê-lo realizado. Geralmente o resultado atingido não é bem o esperado, principalmente quando os sacrifícios foram maiores que os ganhos. E não se deve considerar apenas as questões materiais. Querer, não significa que precisar ou que vai te realizar plenamente quando conseguir.  O conjunto é que faz a vida de cada um única e especial para cada um: família, amigos, paz de espírito, caráter, formação, crenças e ideologias, conquistas, sucessos e fracassos, experiências e tudo que faz você ser quem você é, ou seja, detalhes.
Partilhar conquistas e sucessos, ver os sonhos realizados sem que outros sejam prejudicados e você pode ficar feliz com isso. Poder ajudar alguém a se sentir melhor, ficar feliz pelo sucesso dos outros é um ótimo sentimento! Muito melhor que a inveja, mesquinha e solitária.





quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A imaginação é limitada apenas por aquele que imagina

Imagine uma fila qualquer, enorme, em um dia quente e em um lugar abafado e mal-cheiroso, em que um sujeito está sendo enxotado dela, simplesmente por ceder seu lugar a um senhor idoso e com claros problemas respiratórios e nas pernas. O sujeito ainda por cima é expulso do local por seguranças carrancudos que por pouco não espancam o pobre samaritano.
Isso pode parecer um absurdo para muitas pessoas, para mim seria deprimente e chocante. Mas, aqui vai a pergunta que não quer calar: Quantas pessoas seriam capazes de fazer algo a respeito? Quantos teriam coragem para se manifestar e impedir que esse absurdo não seja comum e nem cotidiano? Ou será que a maioria aceitaria passivamente ou, no máximo, resmungaria pelo canto da boca e continuaria com o que está fazendo?
Confesso, provavelmente não me manifestaria, se não fosse eu o cara sendo expulso, e mesmo que fosse não sei como reagiria. Talvez nos dois casos seria indiferença a primeira reação. Talvez, xingar muito as pessoas, não pessoalmente, com medo de ser espancado ou de levar um tiro por bobeira. Talvez, anonimamente em um desses sites e blogs quaisquer. Quem sabe até criar uma identidade secreta em um mundo virtual, e lá ser o rei supremo e soberano, o valentão, o cruel, o sanguinário ou qualquer outra coisa que não sou na verdade.
As reações das pessoas podem variar e fazer o exercício de se colocar no lugar dos vários personagens pode dar uma visão mais ampla do que sendo simples espectador: E se você fosse a pessoa expulsa? Se fosse alguém na fila naquele momento? Se fosse você quem tirasse o sujeito que cedeu o lugar da fila? Se fosse o idoso? Se fosse um dos seguranças? Se fosse o dono do estabelecimento? Se fosse a pessoa que reclamou para os seguranças? Enfim, diversas possibilidades, perspectivas, visões e ações em uma situação qualquer.
Tudo torna eventos aparentemente simples em algo complexo. A percepção muda com o tempo, a atitude também, o aprendizado e a experiência são fundamentais. Por exemplo, se todos começassem a andar com uma luva branca padrão, em apenas uma das mãos, sem motivo algum inicialmente. Quanto tempo até alguém buscar uma explicação e dar algum sentido para essa atitude desconexa? Outras questões como: Será que todos usariam a luva na mesma mão? E quanto tempo para as próprias pessoas usando a luva se convencerem de que há um bom motivo para o uso dessa luva? Seria uma mesma explicação para todos os usuários? Quanto tempo levaria para surgir luvas diferentes, nos modelos, materiais formatos, cores e personalizações? E até essa prática ser abandonada?
Tudo isso depende de uma série de outros fatores que podem ser imaginados, como quem impôs essa luva para começo de conversa? (não fui eu); quem acatou sofreu algum tipo de pressões, coerção ou coação? Qual a posição do governo, das empresas e dos movimentos sociais? Isso foi uma política pública? Uma medida cautelar ou preventiva? Um tipo de identificação? Costume? Moda? Enfim, questionamentos que vão longe...
Isso sempre me lembra de alguns poemas (Um breve parêntese antes: palavras são fantásticas e poderosas, podem estimular, informar, denegrir, irritar, apaixonar, enojar, envergonhar e tantas outras reações e o poema em poucas palavras reunidas podem intensificar dada a sonoridade, a musicalidade, a rima e o sentimento, por isso é tão marcante, mesmo que nem sempre possamos lembrar de tudo, ainda podem ser marcantes).

Um é o poema de Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa):

Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


---
Os outros são do Carlos Drummond de Andrade:

Os Ombros Suportam o Mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue,
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
preferiam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
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O Homem; As Viagens

O homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.
Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto — é isto?
Idem
Idem
Idem.
O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver
.
---

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A busca pelo nada e um incomodo

Um desabafo ficcional (pelo menos em algumas partes...)

O que define o sucesso? O poder e a glória? Isso era a pergunta que fazia para mim o tempo todo. Talvez influenciado por esse universos "bigbrothersco" que permeia a sociedade, ou por algo que está além, um resquício de sonhos de infância? Muitas questões fazem parte da minha vida! Devem fazer parte da vida de todo mundo.
O problema era que já chegou em um momento em que tudo era questionamento para mim, uma crise existencial como os abafadores de caso gostam de chamar, uma dúvida em cima da outra, empilhada no meu peito como processos em Judiciário.

O que fazer para acalmar esse aperto no peito? Por incrível que pareça, a ideia de um fim do mundo não é desagradável... Confessar isso é mais triste ainda.

Acho que eu cansei, cansei de ser eu mesmo, brega, triste, sem beleza, sem perfume marcante, sem noção do que é viver. Cansei de não ser levado em conta, de não ser levado à sério e até ser levado à sério demais. É uma inconstante no meu ser, que eu posso até imaginar. Sim, imaginar, pois seria pretensão demais achar que eu entendo quem desenvolve múltiplas personalidades, mesmo aquelas esquizofrênicas e esquisitas.
É tanta repressão, tanto julgamento nesta breve e patética vida que uma pessoa só não enlouquece se tem muito apoio e segurança para ser ela mesma, mesmo que em brevíssimos períodos. Acho que no fundo somos todos loucos, atores em uma novela que há muito tempo se perdeu o roteiro e a direção. {Há!,} A imagem de uma novela anárquica me passou pela cabeça, mas são tantas as convenções sociais impostas ao longo do tempo que de anárquica, só a falta de rumo... se é que isso se pode chamar de anarquia. Não! Anarquia é outra coisa...
Os conceitos e certezas que adquirimos na vida são tão  delicados que podem facilmente serem soterrados e esquecidos nas areias do tempo. Quisera eu ser uma metamorfose e uma metáfora, que vai do infinito e além, para ser lembrado em uma mesa de jantar, uma roda de amigos, uma conversa íntima.
Mas eu não sou nada, nem ninguém que vale a pena.
Se eu repetir esta mesma sentença umas cem mil vezes talvez ela vire verdade... Será que o contrário também o é?
Se eu disser para mim mesmo cento e uma mil vezes que eu tenho valor, que eu posso ser alguém melhor, que TUDO depende de mim, será que vou conseguir então ser capaz de manifestar orgulho? Mas isso não será muita responsabilidade? Deixar tudo por minha conta?
Tudo bem que não estamos sozinhos nesse universo, mas às vezes o mundo pode ser mais cruel do que somos capazes de aguentar. E o sentimento de solidão ultrapassa quaisquer multidões que eu esteja.
O problema também é admitir que se têm problemas! Outro problema: não são os outros, afinal, sou eu! 
E, admitir isso, significa admitir que a responsabilidade e culpa são, no fim das contas, minhas.
Seja para o bem ou para o mal, o sucesso ou o fracasso, sou o centro do meu universo. Mas EU dependo de vós para sobreviver, de tu para amar,  de nós para estar. Mas só eu posso ser eu, e ser capaz de decidir se permaneço ou não, se quero ou não, se gosto ou não. E nestes universos tão infinitos quantos os pensamentos são capazes de criar, o que para mim é uma coisa para outros são outras coisas.
Existem influências externas, pressões diversas e muitos outros fatores que tornam essa singela declaração muito mais complexa, muito mais sutil e muito mais delicada. Mas no fim das contas eu preciso estar bem comigo mesmo. Mesmo que seja seguir resignado, enjaulado, enganado ou me enganado.
Mas isso não é ser fútil e mesquinho? Pensar em mim e em mais nada?
Sim, mas já ouvi dizer que é por isso mesmo que sou humano e estou vivo. A busca exacerbada e incessante para preencher o vazio que nós mesmos criamos, para um ciclo perverso e vicioso que é como uma casca de milho no fundo do dente, sem que haja palitos ou fio dental por perto. Você pode até se acostumar, mas não é algo que deveria estar lá.

É uma busca pelo e para o nada, mas é inegável a importância do caminho que se escolhe para se tirar a casca de milho. E assim se sentir mais tranquilo, aliviado e vivo.
Seremos capazes de uma maior solidariedade? Humildade? Naturalidade?

Se fosse um brilhante filósofo ou pensador, o fim seria diferente, mas como já me contentei e resignei-me em ser eu mesmo, esse desabafo anônimo é o que fica para a posteridade. Reflitam e respondam os mais corajosos e capazes.

Ass. EU e não o autor!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Uma nota sobre a proposta do Novo Código Florestal e alguns paralelos

O novo código florestal é, em quase todos os sentidos, um absurdo. As propostas não escondem a visão míope, ultrapassadas e escondidas num discurso econométrico. A matéria da Folha de S. Paulo "Proposta de lei de floresta anula meta nacional de CO2" mostra um dos aspectos que mostram a falta de tato que esse "projeto" tem.
Inúmeras notícias mostram a mobilização da bancada ruralista a favor desse projeto, mesmo com estudos mostrando que não é preciso aumentar o número de terras cultiváveis para aumentar a produção. O mais interessante é que há consenso sobre esses estudos. E, mesmo assim, essa monstruosidade que é a proposta do Novo Código Florestal tem grandes defensores.
O Partido Verde publicou alguns comentários e análises sobre as propostas:

 

Talvez essa maior abertura e pressão em torno do novo código, venha por uma iniciativa e visão do governo dos últimos anos, como a aprovação das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jírau, no rio Madeira em Roraima, desde 2006 e mais recente Belo Monte, todos em regiões da floresta amazônica e com diversos risco. Parece que não precisam mais considerar as questões ambientais, territoriais, indígenas, biodiversas envolvidas, se o interesse econômico e o ganho de minorias estão em jogo.
O mesmo paralelo se dá a integração física da América do Sul, a escolha de estradas como projeto (ver a Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana - IIRSA, por exemplo). A falta de divulgação desses projetos, de integração e interação efetiva entre governos, sociedade, população, de consultas populares e a escolha de projetos de altos impactos e altos custos de manutenção mostra como essas atividades são obscuras e mascaradas.
No discurso, somos os maiores ambientalistas e defensores do ambiente, da baixa emissão de carbono, dos mecanismos de geração de energia limpa, mesmo do princípio de responsabilidades diferenciadas. Mas as ações de certos grupos mostram os interesses de certos grupos que não parecem estar preocupados com o futuro, com questões de preservação e conservação, nem com qualquer outra coisa.
Se essa é a visão que o Brasil "precisa", estamos caminhando para um futuro definitivamente insustentável. Não é uma questão de alarmismo e de punir ou restringir os produtores. e torná-los menos competitivos. A questão é a impunidade que parece ser legitimada com essas propostas, que fazem com que os maus produtores e aproveitadores se instalem no sistema e prejudiquem toda a sociedade.
Em vez de leis que isentam e aumentam o poder e ações desses "chupins", devemos aumentar o poder do pequeno produtor, da agricultura familiar, orgânica, sustentável, incentivar políticas de integração da sociedade, das hortas comunitárias e de uma qualidade de vida melhor para as populações mais vulneráveis como as ribeirinhas e indígenas.
Uma regulamentação mais efetiva, menos burocrática e com maior acesso. Programas de educação rural permanente, apoio à cooperativas e comunidades artesãs e tantos outros projetos possíveis que deveriam ser vistos como prioridade e não secundários ao grande produtor latifundiário e monoculturista.
A febre do etanol é outra questão, os impactos da produção de cana de açúcar, precisam ser melhor refletidos também, até mesmo sobre as vantagens dessa escolha. Os biocombustíveis são mesmo as alternativas "sustentáveis" em relação ao petróleo? Até que ponto?
Sim, o petróleo já deveria estar com seus dias contatos como o combustível do mundo, mas infelizmente essa é uma realidade muito distante. Enquanto o petróleo estiver intimamente relacionado com o poder, pouca coisa se pode fazer.
A ideia que os recursos naturais estão aí para serem explorados pelo homem já é antiga, mas continua atual. Será que tivemos mais ganhos ou perdas com essa visão?
A votação da proposta do Novo Código Florestal está marcado para ser votado pela Câmara dos Deputados, tomara que dali não passe. Tomara que o os nossos nobres deputados em época de eleição e reeleição, votem a serviço da sociedade, mas sinceramente espero que a sociedade possa escolher melhor nossos representantes.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pensar o futuro e o dia Mundial do Meio Ambiente: exorcizando os demonios, conscientizando as pessoas ou mais um grande show de fumaça?

Às vezes me preocupo com o futuro. Quem não se preocupa? Você pode até pensar que não tem nada a ver com isso... Aquela velha desculpa: "Não vou estar vivo mesmo....". Mas isso é uma justificativa aceitável.
Só pelo fato de não estar mais vivo te torna menos responsável pelos seus atos? Ou pelos impactos e consequências que eles vão causar?
Outra desculpa é que não existe tempo nem para cuidar de mim mesmo, quem dirá dos outros...
E há milhares de desculpas, muitas esfarrapadas, algumas razoáveis e outras nem tanto para não termos que enfrentar nossas "culpas". Digo culpa no sentido de coisas que podem fazer mal, direta ou indiretamente a outras pessoas, nem por isso as pessoas se sentem necessariamente culpadas.
Como justificar, por exemplo, a falta de respeito e educação de uma pessoa que joga lixo em vias públicas? Seja de um papel de bala ou uma bituca de cigarro a um sofá ou armário. Mesmo que o nível do impacto seja diferente o ato em si é uma barbaridade para uns, comuns e indiferente para outros.
Provavelmente, muitas das pessoas não pensam que seus atos aparente insignificantes podem ocasionar desastres terríveis. Imaginem milhões de bitucas de cigarros em um bueiro.... ou será que pararam para pensar no destino desse dejeto descartado de forma inapropriada? Nem vamos entrar no mérito (ou na falta de) do próprio ato de fumar. Mas quando uma pessoa reclama que houve aumento em um determinado imposto relativo à limpeza urbana ou tratamento de esgoto e água, será que ela consegue relacionar com o papel de bala "insignificante"? Também não vamos entrar no mérito dos desvios e falta de competências na administração pública. Mas o quanto devemos pensar no coletivo?
Em datas comemorativas, como o dia do Meio Ambiente (5/06) por vir, o empenho e o sentimento afloram de forma surpreendente, iniciativas que não ocorrem no cotidiano, podem mudar nestes dias. Mas a questão ambiental, infelizmente para uns, não se contenta com apenas alguns dias de cuidado. Assim como deveríamos respirar e nos alimentar diariamente e ter condições decentes e de qualidade nesses processos, assim deveria ser o tratamento com o nosso entorno.
Não devemos confundir a questão ambiental como "apenas" cuidar de plantinhas e do "verde", esse é um fator importante, mas o ser humano faz parte de um ecossistema que tem na base justamente essas plantinhas, sem ela não há alimento, não há vida. Podemos substituir nossa alimentação por sintéticos? Podemos ter produtos que não dependam da natureza? Dificilmente conseguiríamos ter uma qualidade de vida decente sem aquilo que foi produzido naturalmente, através de um complexo sistema do qual também fazemos parte. Talvez, nosso maior mérito esteja na capacidade de entender um pouco melhor algumas etapas e processos desse sistema e, assim, facilitar e até controlar a multiplicação e reprodução de plantas e animais que nos alimentam, nos vestem, nos curam, nos protegem e permitem o desenvolvimento de nossas capacidades e criatividade.
A ideia de Mãe-Terra, desse ponto de vista, parece muito apropriada. A visão de que somos, então, os filhos rebeldes e ingratos, mais ainda. Retribuímos com dor e desprezo na maior parte do tempo, muitas vezes, porque damos créditos demais a nós mesmos, em coisas que não dependem tanto assim da gente.
Indo além dessa ideia, e se pensarmos que todos somos filhos da mesma mãe, então somos irmãos e vivemos em uma grande e única comunidade. Mas que entra em conflitos e desentendimentos ferozes, em busca da vã riqueza e da noção e percepção de poder, que busca conquistar os confins da Terra, sem ao menos saber o motivo dessa ganância insensata. Será que é para ser o macho alfa? O dono do mundo? O manda chuva? Ou tem mais a ver com a insegurança? O medo (da morte, do esquecimento)? A insatisfação consigo mesmo? O sentimento de frustração, ambição e angústia?
Tentar entender a complexa psicologia por trás de certas ações é uma coisa que vai além das minhas capacidades, mas não é um único fator que determina o sucesso e o fracasso.
Podemos apelar para o sobrenatural ou mesmo uma força maior, dependendo do caso para entender a sociedade moderna, a criação de mitos, superstições, religiões e crenças fazem parte do nosso imaginário, tentamos com isso explicar nossa existência e achar algum motivo e sentido para a vida. Existem diferentes visões de mundo por motivos, lugares, pessoas, contextos e tempos diferentes, que estão ligadas pela relação homem/natureza/sociedade.
Mudam-se o tempo, mudam-se as pessoas, mudam-se os problemas e as prioridades. Hoje, temos um acervo de experiências passadas que permitem pensar em coisas e possibilidades que não eram possíveis em outros tempos. Embora sempre existam pessoas consideradas "fora" de seu tempo, a preocupação ambiental vem ganhando espaço como tema importante para o futuro da humanidade. Mas ainda existe um longo caminho a se percorrer,  pois enquanto o tratamento for apenas funcional e persistirem a visão objetificando e coisificando até o próprio ser humano, provavelmente não teremos muitos avanços e sucessos.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Os motivos para ser ou não paranoia e sentimento de imbecilidade.

As questões ambientais já são temas constantes, tanto que chegam a um ponto de saturação em alguns casos. Não que seja uma coisa ruim, pelo contrário, a ideia de que há cada vez mais pessoas abordando e pensando sobre o assunto é melhor. O problema é quando se é bombardeado por coisas que acabam banalizando o assunto.
Ainda não cheguei a uma conclusão, mas acredito que estamos chegando mais perto do banal do que da reflexão e entendimento. Fica claro de que o debate sobre a Sustentabilidade veio para ficar, mas quem está debatendo e o que isso implica no nosso dia a dia é cada vez mais complicado.
As diversas notícias e debates tentando explicar o que é "sustentável" e "ecológico" passam por uma diversidade de abordagens que podem confundir o público em geral. Especialmente os que são mais suscetíveis a acreditar em "qualquer coisa", que geralmente são os mais afetados e que correm os maiores riscos. A desinformação é tamanha que pode-se deturpar até mesmo o senso comum.
Por exemplo, todos sabem que é preciso preservar as nossas florestas. Mas o por quê dessa preservação? Será que é para garantir a umidade relativa e a temperatura? Para que as próximas gerações tenham uma melhor qualidade de vida? Ou preservar a biodiversidade e a renovação e usos sustentáveis dos recursos naturais? Será que é para preservar a vida humana, o seu alimento e riqueza? Ou salvar o habitat natural dos seres vivos? Para garantir que não sejam dominados por outros Estados? Essas e tantas outras explicações fazem parte das motivações que uma pessoa tem para preservar a floresta. 
Podem ser todas as questões acima e muitas outras. Existem até motivos para que a floresta não seja preservada, podem estar relacionadas com a questão dos recursos, riqueza e até mesmo fantasmas e espíritos ou outras explicações. Enfim, o motivo que cada um pode ter é praticamente infinito. Isso não significa que não se pode chegar a certo parâmetros e algum senso comum, sendo assim os fantasmas, malignos ou não, não teriam muita força como justificativa para se destruir a floresta, pelo menos não nesse século. Espero eu.
No final das contas são tantas abordagens, experiências, visões e sentimentos envolvidos que não se pode estreitar o debate em generalizações simplórias, nem por isso transformar em um culto alienígena.
O processo em que a sociedade vai se adaptar depende de uma série de fatores: meio ambiente, educação, cultura, economia, a própria sociedade, sua estrutura e capacidade de adaptação, integração e interação intra e internacionais, informação e os processos comunicativos e midiáticos, tecnologia, subjetividade, política e tantas outras que tornar o quadro geral uma trama tão complexa quanto frágil.
Fazer desse emaranhado algo compreensível não é fácil, muito menos prever o resultado final. Afinal, o fator humano é o diferencial mais significativo e mais imprevisível dessa equação. São coisas que podem surpreender e chocar, mas também emocionar e maravilhar. Acho que os sentimentos, aliados a capacidade comunicativa, são elementos fundamentais nas nossas vidas.
Não devemos menosprezar o poder da linguagem e do discursos capaz de mobilizar milhões de pessoas, para o bem ou para o mal. A emoção é um sentimento poderoso: A imagem de uma floresta sendo incinerada, enquanto os animais tentam escapar pode fazer uma campanha de preservação e combate ao desmatamento e incêndios criminosos muito mais efetiva e eficaz, com maiores colaborações, denúncias e mobilizações do que uma nota técnica cheia de dados, fatos e estatísticas apresentadas de forma técnica e imparcial.
Isso pode ser visto como manipulação, e não deixa de ser. Por mais que uma informação ou notícia seja apresentada de forma imparcial ela tem uma influência e uma tendência por trás dela, variando de intensidade e exposição, mas que nem sempre são capazes de influenciar a opinião pública.
Há casos em que mesmo essa imparcialidade leva a polêmicas, mais pelo tema em si do que por quem noticiou o fato. Afinal é cada vez mais difícil esconder o fato em si do que deturpar o seu significado. Então há noticiários tendenciosos ou não, editoriais, formas de publicidade e propagandas que buscam informar o cidadão do fato e, talvez mais ainda, dar a esse fato um significado e/ou explicação que mais lhe seja "apropriado".
Existem momentos e temas que podem realmente confundir a cabeça de tantos lados e possibilidades que se apresentam. E isso pode levar alguém ao extremo de não confiar mais em nada em ninguém e achar que tudo é uma grande invenção da CIA ou dos alienígenas. E nem saber qual dos dois é mais "malvado". Podem inclusive levar a mal entendidos e mal estar constantes, principalmente por parte dos políticos e humoristas por declarações confusas e mal esclarecidas e como são interpretadas e reproduzidas.
É preciso ter cuidado para não ser enganado ou se confundir com o tanto de informações que recebemos, tomar cuidado também com a fonte e origem dessa informação, se é verdadeira e se existe uma base para ela. Criar informações falsas e disseminar boatos é extremamente fácil na era da Internet e da comunicação instantânea.
Novos problemas surgem e as adaptações e soluções também aparecem. Só não podemos esperar que os outros façam TUDO para nós, pois corremos o risco de estarmos sendo completamente enganados e sem ao menos perceber. Também não se pode ir ao outro extremo e se isolar e tentar fazer tudo sozinho, afinal é quase impossível e muitas coisas que fazemos sozinho não são tão boas assim. Não é verdade?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

As lições que aprendemos informalmente

O ensino se tornou cada vez mais profissional, especializado e um tanto confuso. Essa confusão não vem do ensino em si, mas da visão e importância que ele tem para nós, isso significa que, embora seja fundamental para o desenvolvimento e entendimento de uma pessoa não significa que seja percebido como importante ou mesmo necessário.
Outro problema é a especialização do ensino, não que a especialização não deva existir, mas me refiro a esta ser cada vez mais precoce e mais específica. A piada que um dia, teremos que ir a 5 médicos diferentes se quisermos tratar da nossa mão (um para cada dedo), isso sem contar a palma ou se é a direita ou a esquerda pode estar longe da realidade, mas não tão impossível assim.
A sociedade de hoje não existiria nem funcionaria sem especialistas e grandes conhecedores de determinado assunto, o problema é que estão confundindo técnicos com especialistas. Muitos desses problemas estão na base do ensino e também pelas rápidas e constantes mudanças nas sociedades.
Hoje, em muitos lugares há mais pessoas empregadas que trabalham mais tempo do que qualquer outra atividade, inclusive a de serem pais. Isso não quer dizer que não há pessoas que consigam conciliar suas atividades e, por mais que os pais tenham muita responsabilidade na formação dos filhos, eles também tem seus limites. Algumas pesquisas até afirmam que o meio social, amizades, vizinhança, escola e uma série de outras coisas chegam a ser mais influentes do que os pais.
O debate sobre Educação, Responsabilidade e Cidadania é longo e talvez não seja o caso de hoje, mas tem relação direta com o que quero dizer sobre as lições que aprendemos, independente do lugar e da situação, especialmente aquelas que são apreendidas fora das instituições ditas "formais".
Na rua, na sua casa, em sua cidade, com seus amigos, ou mesmo desconhecidos, até mesmo a televisão e tantos outros que podem se caracterizar como parte nosso dia-a-dia e que  passam despercebidos por serem tão comuns e cotidianos, mas que são essenciais na formação daquilo que somos, sabemos e pensamos. Um exemplo simples: Se você está acostumado com água encanada e um sistema de esgoto em sua casa e de repente ocorre algum problema que impede o acesso a esses recursos ou se você vai para um lugar em que isso não existe e é bem capaz que você valorize mais os serviços de água encanada e esgoto do que se nunca tivesse os visto e tido ou se nunca tivesse ficado sem.
Há certas coisas que são consideradas fundamentais para uma pessoa, mas inúteis para outras dependendo dos contextos (histórico, familiar, geográfico, social, político etc.) e interesses pessoais. Podemos chegar a algum consenso sobre a necessidade e acesso à educação, saúde, abrigo e alimentação de qualidade, mas ainda assim não serão a mesma coisa para cada pessoa. Isso depende da percepção e entendimento que se tem das coisas.
A questão ambiental enfrenta essa dificuldade, em que o grau de importância varia de acordo com as necessidades que são consideradas mais "urgentes". Se uma família está passando fome, não tem onde morar e nenhum tipo de amparo é bem difícil que ela esteja preocupada com a qualidade do ar ou da água e nem com as emissões de CO2 das fábricas ou minas de carvão, principalmente se o único lugar que elas conseguirem se estabelecer for à margem de represas ou em morros e que consigam trabalho em empresas poluidoras, quando não se envolvem em ações piores como recorrer ao crime.
Não sei se devemos chamar essas situações e casos semelhantes de medidas de sobrevivência ou então situações extremas, mas é o que ocorre com uma parte expressiva da população mundial. Por um lado uma certa abundância e fartura que até desencadeiam um consumismo frenético, do outro lado escassez, fome e desespero. É claro que é difícil fazer uma análise da situação geral do mundo e colocar somente esses dois lados como o que existe no espectro social, na verdade esses são extremos de uma amálgama de possibilidades e casos, que também é uma questão de percepção. O que pode parecer muito para um pode ser visto como mínimo para outro e vice-versa.
O que a educação deve permitir é a opção de escolha consciente, que tanto nos falta. Saber o que estamos escolhendo, onde estamos, qual é a nossa situação e a situação do mundo e reconhecer os motivos e contextos que nos levaram a elas é o primeiro passo para nos tornarmos pessoas e cidadãos. Senão, qual a diferença entre nós e marionetes? E para que vivemos, crescemos e reproduzimos?


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Tentando o retorno, mas sem criatividade. Desabafos em tom de carta pessoal.

Olá, como vai?
Tudo bem?

Queria avisar antes de começar que quaisquer das coisas que escreverei vão ter partes confusas, pois ainda não pensei muito bem o que dizer e realmente o que quero dizer. Não sei qual vai ser a impressão, mas acho que preciso falar algumas coisas.

Bom, eu não sei o que estou fazendo de certo ou de errado nessa vida, algumas das decisões que tomei em algum momento ainda estão em pleno desenvolvimento, então o resultado ainda não é visível. Pelo menos não para mim... Talvez alguém vendo minha vida veja que é mais simples do que eu pense e eu é que estou complicando. Eu também, às vezes, acho que é simples.
Mas me mostre uma pessoa que está constantemente e verdadeiramente satisfeita consigo ou sua vida e seja realmente feliz eu eu ficarei com inveja e admiração.Mas, talvez, também sentiria pena dessa pessoa.
Uma pessoa que tenha atingido todos os seus sonhos e realizações e não tenha novos sonhos e metas a seguir pode ser facilmente confundido com uma pessoa resignada, até mesmo feliz, porém resignada. Acho que o que move o ser humano é a busca por algo, por mais pessoal e inconstante que essa busca seja. Isso, pelo menos, é como me sinto no momento.
E por mais clichê e propaganda de cartão de crédito que possa parecer: A vida é uma junção de momentos. Por mais que possamos planejar os detalhes, tudo depende de uma série de fatores que vão muito além da vontade pessoal. Aprender e crescer com as situações fazem parte da nossa vida. Sejam situações boas ou ruins, tristes ou alegres, deprimentes ou divertidas. Como já é praticamente senso comum: não é só a situação, mas como você reage e responde a ela. Ficar nervoso e irritado em um momento feliz e romântico pode não ser o resultado esperado. Mas depende do motivo é compreensível.
Uma escola ficar conhecida por uma massa de ALUNOS assediarem (para pegar leve) uma menina por sua vestimenta, para mim, é um absurdo. Para outros é compreensível ou até aceitável e justificável. Mas não quero desviar do assunto.
O que eu quero dizer é que eu nem sei o que quero dizer. Acho que primeiro devo começar agradecendo tudo que tenho e que consegui. Minha família, minha vida, meu amor, amigos, estudo e mais uma porrada de coisas que até nem me lembro mais ou que não cabem aqui, mas com certeza devem ter sido e são importantes em algum momento. Afinal, como decidir ou mesmo saber o que é ou foi importante para mim se eu nem sei de todas as circunstâncias que levaram ao que aconteceu comigo? Não ter passado em concursos ou vestibulares me levou a outras situações que me foram muito proveitosas. Foi, então, uma perda eu não ter passado? Eu não lamento, nem poderia ficar lamentando muito, pois foram essas as situações que ajudaram a eu ser quem eu sou. 
Para o bem ou para o mal....
Existem arrependimentos e lamúrias, é claro, erros marcantes e perdas irreparáveis, mas como disse são também aprendizados, em todos os níveis. Ainda vou passar por muitas situações de erros e acertos, espero não ficar me remoendo para sempre quando derem errado, mesmo chateado espero poder ver o lado bom das coisas. Espero não chegar também a ficar arrogante ou hipócrita o bastante para não admitir ou reconhecer meus erros quando eles forem meus e nem relativizar tudo para achar só coisas boas. Também não devo deixar de reconhecer e apreciar acertos, pois eles existem.
Engraçado, comecei sem saber o que fazer e acabo sem ainda saber por que fiz. Acho que não deveria nem publicar esse arroubo de inutilidade, mas vai assim mesmo.
Para finalizar, volto a publicar só que sem previsão, não vou me pressionar por produtividade. Esse ano eu vou tentar buscar mais qualidade e tentar fazer coisas que eu me orgulhe.

Abraços e felicitações

Fernando Matsunaga,

São Paulo, 01 de fevereiro de 2010.




domingo, 8 de novembro de 2009

Em um mundo com...

Será que um mundo melhor e mais justo é possível? Quais serão as prioridades? Haverá uma mudança significativa? Será sustentável, ou melhor, haverá preocupações e ações sustentáveis?
Sinceramente não sei. Gostaria de acreditar que sim.
Gostaria que esse não fosse um pedido infantil e inútil.
Estava pensando em fazer esse texto como um dia da semana com, mas resolvi ampliar para um mundo com! Claro que não vai ser uma lista completa, nem tampouco objetiva, mas quem sabe se desejos anunciados não se tornam realidade?! Pelo menos muitos acreditam e eu quero acreditar que é possível melhorar com:

1) Solidariedade: Esse é um item que mais precisamos no momento, nosso próprio senso de humanidade está de certa forma em questão. Precisamos de mais justiça, mais equidade, igualdade, entendimento, convivência e integração real. Isso requer amor e compaixão que podem ser vistas como formas de solidariedade. Mas não devemos confundir isso com piedade ou ingenuidade. A solidariedade envolve conhecer, entender, aceitar, participar, melhorar e tantos outros sentimentos que realmente podem ser confundidos se não houver responsabilidade, respeito, ética e consciência.

2)  Responsabilidade, Respeito, Ética e Consciência: O que implica sermos responsáveis? É só assumir as consequências de nossas ações? Sermos "culpados" por aquilo que fazemos? Ou também envolve pensar e cuidar, tanto as coisas materiais como os outros? Envolvem práticas éticas, respeitosas conscientes? Tudo deve ser levado em conta, mas não podemos ser obtusos e radicais ou mesmo ficar sem ação pelas preocupações. Todos nós temos vontades, desejos e condições diversas é preciso respeito ao próximo para que não haja imposições e dominações. A ética e a conscientização requerem que saberes e conhecimentos sejam considerados nas ações e aplicações práticas, mas de forma responsável e com respeito à vida, à saúde, ao ambiente.

3)  Saberes e Conhecimentos: A busca pela "previsibilidade" é um dos grandes desafios impostos à Ciência. A informação, os saberes e o conhecimento fazem parte dessa busca. O resultado nem sempre é como esperado, afinal o fator humano deve ser levado em conta e é um fator imprevisível, mutável, dinâmico. Não quer dizer que não possa haver saberes e conhecimentos 'verdadeiros', úteis, precisos, nem que a imprevisibilidade e incerteza sejam maléficas. É preciso uma maior integração, interação e auxílio entre os diversos saberes, conhecimentos e práticas. A transdisciplinaridade não significa acúmulo de conhecimento pura e simplesmente. Nem que todos devem saber de tudo a todo o momento, mas que haja condições e diálogos constantes que facilitem pensar no todo.
4) Sustentabilidade: Ainda que em muitos aspectos seja um termo genérico, em que a definição utilizada pode ser questionada pelas diversas práticas e teorias. Há também um consenso sobre o que envolve a Sustentabilidade. O mais utilizado é um excerto do relatório Brundtland de 1987 ou como é intitulado “Nosso Futuro Comum”, que afirma que o Desenvolvimento Sustentável é a capacidade de prover as necessidades atuais sem prejudicar as gerações futuras. Mesmo muito mais amplo que isso é geralmente esse a ideia mais divulgada. Também envolve os pontos acima já discutidos e outras questões. O interessante é a visão e importância humana impregnada nessa perspectiva. Isso tem também um razão e um contexto por trás de qualquer declaração e sua respectiva aceitação. O momento atual permite, em certos aspectos, expandir a discussão e reflexão, até mesmo ações, estudos e projetos refletem essa expansão. Mas não significa, infelizmente, uma maior participação e integração da sociedade, nem que há equidade e justiça.
5) Equidade, Justiça, Participação. Não há solidariedade sem justiça, sem igualdade, nem justiça sem humanidade, afinal esses são termos interconectados e de certa maneira co-dependentes, e também são conceitos que nós definimos ao longo do tempo. Se igualdade é definida como condições, direitos e oportunidades iguais, sem discriminação e preconceitos relativos à etnia, origem, sexo, gosto, escolhas e opções diversas. A Justiça faz parte dessa igualdade, como forma de que ela possa ser garantida, mas também se relaciona as normas que são criadas pela convivência e costumes. Para que estas normas sejam cumpridas e não sejam arbitrárias é preciso que haja participação, aceitação de todos, ou pelo menos, da maioria da sociedade na formulação de normas. O problema é colocar isso em prática, a dinâmica da sociedade não permite que as respostas sejam sempre adequadas, as interferências e interesses fazem com que sejam quase sempre imprevisíveis os resultados das escolhas e ações em prol da justiça, equidade e sustentabilidade.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O cheiro que a sociedade exala

Para variar, hoje, um conto "fictício":


Ao entrar em um ônibus lotado quase sem espaço e sem ar para se compartilhar o empurra-empurra é algo cotidiano. Desta vez, porém, estava sentado mais ao fundo. Preparando meu espírito para as quase duas horas até chegar em casa pelo menos dessa vez seria sentado. Isso se não ceder meu lugar para alguém mais 'necessitado'.
O andar de uma carruagem seria muito mais veloz, mas nem por isso eu tento me preocupar. A questão do meu assento é mais prioritária. Chega uma senhora idosa, mas ela consegue um lugar mais à frente. Uma grávida se dirige até minha poltrona, ainda bem que tem um lugar vazio ao meu lado. Pronto, o resto pode ir à pé sem maiores problemas, pelo visto vou conseguir ir sentado hoje. Olhando em volta para aqueles olhares cansados e desanimados imagino que minha cara também esteja naquele estado, se não pior. Talvez bem pior. E olha que o dia nem foi tão puxado. Mas já é a rotina ter o ar envolto de cansaço.
Nem dez minutos se passaram e a distância não deve ter passado de uns quinhentos metros. De repente a porta do ônibus se abre e ninguém desce. Ao contrário um ser começa com dificuldades a subir as escadas. O ar vai mudando de figura, daquela sensação existente vai se sobrepondo outra. Uma espécie de indignação, desespero e desânimo. Junto um cheiro de algo comparado a um ralo de banheiro entupido.
Olha a sua volta, olha, mas sem ver e também sem ser visto. Um lugar vaga e é justamente na minha frente, putz penso eu e posso ouvir quase todos em volta dizerem quase o mesmo. Logo depois penso que esse é um pensamento vergonhoso de se ter. Por que ele não pode ter o mesmo direito de estar aí, sentado na minha frente e com o cheiro mais puro da sociedade moderna? E esse cheiro no ar é também o cheiro da hipocrisia que a sociedade finge que não vê.
Apesar das caras feias, das tentativas de taparem os narizes e de reações adversas semelhantes, as pessoas tentam ignorar ao máximo. Logo penso também que ambos os pensamentos que tive antes foram exagerados. Talvez a sociedade não tenha culpa, pelo menos não nós pobres coitados que temos que compartilhar uma lata de sardinha para nos locomover.

Enquanto a viagem vai caminhando e as pessoas tentam se acostumar, umas ainda mostram uma indignidade e descontentamento velados, outras buscam ignorar e tentar agir o mais naturalmente exceto quando o ar é mais adensado e o vento vindo das janelas se torna insuficiente. Até aí sem problemas, mais meia hora e minha viagem termina. Pessoas que vão atingindo seu destino parecem ter a face mais aliviada só pelo fato de estar perto da porta e de já não terem mais que aguentar o cheiro da sociedade.
Os lugares vão ficando vagos, quase ninguém quer chegar perto da figura que exala o cheiro da sociedade, uma senhora distraída se posiciona bem ao lado do sujeito. Fico contando o tempo e observando o olhar e a expressão da senhora.
Nos primeiros segundos tudo bem, mas logo ela começa a sentir algo diferente, sua expressão vai mudando. Olha para os lados, não vê nada. Olha para trás, nada. Até confere os sapatos para ver se não havia pisado em nada, ainda nada. De repente sua percepção parece aumentar e olha finalmente para a criatura que havia evitado. O olhar e a cara de nojo como tantas outras já haviam feito antes.
Exatamente dois minutos e quarenta segundos e a mulher vai o mais longe possível. A senhora grávida ao meu lado está quase desmaiando. Acho que os sentidos estão mais aguçados, mas até aí ela tentou se portar da forma mais natural possível. Um ponto depois, ela desce. Outra pessoa mais à frente já não suporta mais e desce também, ou será que chegou ao seu destino? Não sei, talvez nunca saberei, mas não importa.
Um casal se dirige para o local que já está virando uma zona temida e evitada, apenas algumas figuras permanecem, eu inclusive. Mas não sei se era por preguiça ou pela situação que estava suscitando tantas indagações. O casal parece apaixonado, nem percebe em que lugar estão sentando. É justamente atrás do lugar que já está virando uma quarentena sem nem precisar de aviso.
As caretas continuam, o desespero por um lado aumenta, a tentativa de agir normalidade também. Mas independentemente das escolhas e reações das pessoas a unanimidade é ignorar o "incômodo". E até a metade da viagem, ninguém incomodou ou foi incomodada diretamente pela pessoa. O cheiro parece ser a única coisa, mas já está se tornando para algumas criaturas, demais. Está se impregnado e se espalhando.
Eu olho para as pessoas nos olhos, não sei que expressão fiz, tentei ser o mais neutro, tentei olhar sem preconceito. 
Uma fração de segundo nosso olhos se encontram. Posso estar enganado, mas via um feixe de luz muito pequeno, indicava um pouco de vida no olhar do cidadão ignorado. As marcar no rosto e a feição mais cansada que a minha, mostram uma vida dura e de sofrimento. Um tempo em que os preconceitos e as dificuldades ficaram para sempre marcados.Essa fração de segundo passa a reação foi de abaixar a cabeça envergonhada de ambos os lados, mas da outra parte pareceu maior que a minha.
Não pude deixar de achar uma certa ironia, agora eu estava sendo evitado, vai saber. Como existem loucos por essa cidade, talvez possa ser para evitar alguma reação de indignidade ou violência da minha parte. Não dá para saber ou mesmo conhecer as pessoas que dividem esta viagem.
Isso se confirma com a explosão do senhor apaixonado. Nem dez minutos haviam se passado e ele grita em alto em bom som: "Nossa, tem algum esgoto a céu aberto?!". "Que fedor, hein?!" A namorada concorda, talvez não com palavras, mas certamente sua expressão de nojo era bem maior que qualquer outra na condução. Olhando com mais atenção para o casal percebi que eram religiosos, pelo menos os apetrechos que usavam assim indicavam. A reação começou a ser maior e não vale a pena reproduzir, olhando para o lado via algumas cabeças balançando. Muitas em concordância.
Não sei se isso levou a alguma reação ou se já era o ponto da pessoa que motivou esse conto, mas ela se levanta e desce no próximo ponto. Um novo encontro de olhar e a luz que já era pouca, parece diminuir. Talvez tenha sido só uma sombra, não tenho como saber. O cheiro da sociedade continua pairando no ar. Acreditei que a hipocrisia era mais forte que o próprio cheiro da sociedade.
Nem cinco minutos depois da manifestação de incômodo, o casal desce. Isso, realmente me incomodou mais que qualquer outra coisa da viagem. Mas ficar indignado não levaria a nada. Vou escrever essa situação, pensei eu....
Para muitos isso pode ser considerado um conto, uma fábula, algo com uma moral por trás ou não. Quem sabe um dia essa situação seja apenas um mito ou uma lenda....






domingo, 11 de outubro de 2009

Informações, manipulações, desilusão.

Um velho ditado ou a sabedoria popular tem por trás uma moral, uma visão de mundo, uma história, mas ao longo do tempo perdeu-se o contexto e as maiores referências e se transformou em um dito popular em que continuam a existir uma certa moral, mas agora com roupagem de verdade universal e imutável de tanto serem repetidos.
A história do petróleo nas nossas vidas tem relação com o ditado acima, mas de certa forma invertida: "nem tudo que é ouro, reluz". Sim, o também conhecido ouro negro. Produto primário para milhares de produtos utilizados no nosso cotidiano e sem perceber, não só combustível, mas o plástico, borracha e uma série e outros derivados. A indústria petroquímica vem se desenvolvendo no último século e é o setor estratégico e muitos países e quase todas as sociedades são dependentes desse produto. Claro que a intensidade dessa dependência varia e nem todas as pessoas utilizam produtos a base de petróleo, mas essas são cada vez mais raras.
Isso não significa que não existam também cada vez mais alternativas como os combustíveis e materiais desenvolvidos através de plantas e outros tipos de materiais e também a própria reciclagem. Ainda assim, esses materiais e métodos alternativos são ainda pouco aplicáveis em escala comercial necessárias para substituir o 'ouro negro', são vários os motivos, seja pelo alto custo, pela falta de investimento ou interesses diversos, entre uma série de outros fatores.
Outra questão é o tempo, há mais de um século que o petróleo e seus derivados vem ganhando espaço e dominando as bases industriais. A preocupação ambiental contemporânea tem se expandido há pouco mais de quatro décadas e sofrendo para se estabelecer, nos mais diversos setores. Podemos até mesmo dizer que a questão ambiental ainda não se estabeleceu como prioridade para muitas pessoas, empresas e sociedades e os motivos vão desde a falta de conhecimento e perspectivas até interesses diversos, medo de mudança e perda de status, entre outros.
Ainda temos o problema do discurso, da adequação e aceitação. Só dizer que algo é importante, não quer dizer que se está fazendo algo a respeito. As propagandas e o uso indiscriminado da palavra 'eco' como adjetivação de um produto nem sempre pode corresponder a realidade da sua produção. Isso também é motivado pela falta de uma aceitação e visão única do que é ser Sustentável e ecológico. Não é ruim que haja diversas visões, mas a falta de diálogo e interação entre essas visões é o que preocupa.
Muitas vezes nem mesmo se pode falar em um senso ou base comum entre eles. Como se pode falar em uma sociedade mais justa e sustentável sem uma interação e integração igualitária e participativa? Sem uma solidariedade comum e universal? Sem uma vida digna, plena, livre e decente? Não é a igualdade homogênea, nem impositiva, nem a solidariedade por pena ou hierárquica, ou uma vida sem regras, leis e respeito.
Como foi dito acima sobre a questão de que nem tudo que é ouro reluz, quer dizer justamente a respeito do que é importante e essencial para a sociedade como um todo. Se o petróleo ganhou o status e a importância atualmente para ser considerado como ouro, diz respeito não só a suas propriedades e características, mas também sobre a visão de mundo e interesses que consolidaram essa importância. O próprio ouro pode ser questionado sobre sua importância e valor.
Isso quer dizer que é a importância que torna um tipo de metal ou algo fossilizado é produto de um tempo, de contexto, de seu uso, mas também é indispensável para isso a aceitação do ser humano. Se o ouro tem o status e a importância que tem hoje é por que a maioria de nós aceita que o ouro tenha esse valor e importância. Lembremos para isso a Ilha utópica de Thomas Morus (ou Thomas More) em que quase não se usa dinheiro, ou melhor, quase não há utilidade para ele e que ouro e pedras preciosas são marcas dos escravos e criminosos.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Quando a dúvida passa a ser superior a qualquer coisa...

Se você não tivesse dúvidas em nenhuma circunstância, o que isso significaria?

Sim, pode parecer uma coisa boa, ou nem tanto assim. Depende da interpretação à pergunta acima. Explico: Se você acha que o motivo de não ter dúvidas é por que sempre se SABE a resposta, seria um fato impressionante; mas se você acha que é pelo fato de FINGIR QUE SABE a ponto de se convencer que sua resposta é verdadeira independente da circunstância, aí a coisa fica mais complicada.

Existem momentos em que o que você mais quer é não saber o que acontece.

Infelizmente esse não é um privilégio. Ser uma pessoa bem informada, atualizada a todo o momento é um requisito básico para muitos, deveria ser para todos. Mas ser uma pessoa constantemente informada requer um certo esforço, tempo e dedicação. Seja a mídia em todas as suas formas, seja a família, amigos ou colegas de trabalho, escola existem diversas formas de se manter atualizado e a par das coisas. De assuntos internacionais, políticos, econômicos e do seu país e cidade a últimos capítulos de novelas, programas de entretenimento e até mesmo fofocas de vizinhança.
Essa "rede de informações" que você adquire com o tempo pode acabar desgastando sua capacidade de raciocínio e de retenção de assuntos. Somos tão bombardeados por informações que acabamos por não refletir sobre elas.
Se vinte pessoas vierem até você e te falarem uma notícia qualquer, mas que você não ouviu em nenhum lugar antes. Você acreditaria?
Dependendo do tipo de fonte, a veracidade é outro fator importante e nem sempre é tão fácil de saber. O que realmente acontece e como foi que ocorreu pode variar, não o fato em si, mas como ele é anunciado e como chega à população em geral. Boatos são facilmente espalhados e muitos podem vencer no cansaço da super exposição.

Isso quer dizer que devemos duvidar de tudo e todos que ouvimos? Ser céticos e incrédulos?

Acredito que não. Mas cautela é fundamental. É difícil saber os motivos e interesses que levam a determinado evento se tornar público (virar notícia) e outros serem "deixados de lado" (abafados ou distorcidos). O fato de se estar falando mais sobre a questão ambiental não quer dizer que os problemas estejam sendo solucionados. Também não quer dizer que quando se deixa de falar significa que já esteja resolvida. Não podemos ficar apenas no imediatismo e no modismo.
Ser bombardeados por informações pode ser realmente assustador e desesperador, mas é preciso calma e reflexão para distinguir notícias e fatos de alarmismo e propagandas enganosas. Como fazemos isso se torna o desafio e é o que mais pode cansar.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

As percepções que queremos (Aprofundando o olhar)

Será que a percepção é uma coisa é limitada ao nossos conhecimentos, experiências e sentimentos? Ou envolve algo a mais? Quais suas implicações e consequências e como podem afetar nosso cotidiano. Ainda não cheguei a nenhuma conclusão definitiva e acredito que não haja uma.
Talvez pelo fator mutável, dinâmico e complexo, tanto da percepção em si como do próprio ser. Os contextos em que são analisados e o que se sabe sobre um assunto podem mudar e se transformar. Uma pessoa que torce por um time, que tem uma meta ou tem uma causa a defender não quer dizer, necessariamente, que será assim para toda sua vida. Uma série de fatores contribui para mudanças nesse sentido. Variam desde o interesse pessoal (mudança de ideias, adoção de uma nova cultura, sociedade ou religião), condições financeiras, de saúde, do fim de um time e causa ou até cumprimento dos objetivos propostos.
Em um passado próximo acreditava-se que as doenças eram obras de espíritos malignos, maldições ou coisas do tipo. E essa percepção não deixou de existir para muitas pessoas e culturas. Em alguns casos (não importa o quão racional você seja) há dúvidas sobre os eventos apresentados.
Claro que manipulações, omissões, ilusões devem ser vistas com cautela, pois se aproveitam de momentos de profundo impacto para se espalhar. Isso dificulta cada vez mais acreditar em algo sobrenatural, mas ainda assim há muitos que creem e, talvez, mais ainda aqueles que querem acreditar que há mais coisas que vão além das nossas capacidades.
Não estou defendendo qualquer esoterismo ou espiritualidade, embora acredite que nenhum ser humano esteja isento de acreditar em algo. Mesmo não acreditar em um ser "superior" é um tipo de crença, por mais que ela não esteja plenamente desenvolvida ou estruturada.
Estar em dúvida faz parte do ser, ter certezas sobre certas coisas não está relacionado apenas com estar certo ou errado, embora pareça assim para muitos é muito mais complexa. Está ligado também a visão de mundo que você tem, suas percepções, crenças, culturas, época, sociedade, contexto e suas certezas individuais, morais e éticas.
Alguns fatores podem parecer imutáveis como crenças e ética, por exemplo, mas vale lembrar que nem as religiões de hoje são as mesmas. Mesmo que algumas tradições, costumes e dogmas estejam preservados houveram mudanças, adaptações e transformações que garantiram uma certa continuidade dos ritos. Se podemos ou não chamar essa continuidade de desenvolvimentos, crescimentos ou evoluções é um outro assunto.
O que importa é percebermos então que mesmo nossas percepções podem ser manipuladas, por isso a crença religiosa é um exemplo tão valioso, pois nos permite ir além da objetividade e racionalidade. A questão ambiental tem entre seus desafios a percepção do que é importante, pois cada vez que se torna a vedete do século, e se torna menos objeto de contradições, afinal quem é abertamente contra o ambiente? Mas isso leva a outros problemas e indagações.
A preocupação ambiental seria capaz de gerar dogma? Poderia servir como instrumento para o discurso e a dominação das "massas"? Isso é extremamente grave, aterrorizante e perturbador. Embora seja muito difícil de ocorrer é preciso ficar atento com os discursos e com possíveis deturpações ou a instrumentalização da questão.
O ambiente não é então um objeto nem uma entidade independente, faz parte de nós tanto quanto fazemos parte dele. É o inicio, ou melhor, a base que deveria ser considerado ao pensar a sociedade, cultura, economia, saúde, educação, religião, alimentação, entre tantos outros fatores e que permeia todas as relações direta ou indiretamente.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Será o fim da crise? O que podemos aprender com as dificuldades.

Será mesmo que estamos saindo da crise financeira mundial que se iniciou há mais de um ano? Será que vamos voltar à "normalidade"? Mas aproveito esse momento para refletir sobre essa aparente normalidade. Afinal, o que podemos esperar de melhor e o que podemos aprender com essa situação?

A crise financeira mostrou a fragilidade e a insegurança que estão presente nas negociações e investimentos em escala mundial. Mas seus resultados foram devastadores: desemprego, medo (de ser demitido, de ficar sem casa, de perder suas economias, entre outros medos), podem ser citados como exemplos dessa realidade caótica para muitas pessoas e muitos países.

Nesse momento, as preocupações mais imediatas são ter um teto sobre sua cabeça e algo para comer. Isso pode parecer exagero para alguns, mas para outros o cenário foi muito mais terrível do que se poderia imaginar. Não há como saber efetivamente os impactos psicológicos e subjetivos, mas eles existem. Afeta inclusive como refletir e pensar sobre a crise, geralmente apoiada pela experiência própria.

A questão ambiental não é diferente, dependendo do ponto de vista e da visão de mundo de cada um pode ser ora uma questão sem importância que não deve ser considerada, ora a questão para o futuro do mundo e da humanidade. Seja qual for a perspectiva adotada o que é interessante é que cada vez mais vemos a questão ambiental presente e cada vez menos questionada como fundamental. Mudam os discursos, mas são cada vez menores as críticas diretas. A palavra do dia é a chamada "compensação".

Podemos (teoricamente e tecnicamente, para muitos casos) destruir uma boa parte do ecossistema, desde que se faça um programa de preservação e conservação que possibilite a continuidade de sua existência. Isso quando não se pensa em destruir um lugar para conservar outra área. Exemplo: Vou construir uma fábrica que necessita tomar uma parte da Mata Atlântica, mas vou compensar fazendo uma reserva na Floresta Amazônica. Esse é um discurso PERIGOSO E COMPLICADO e até no último caso FALSO.

Destruir um bioma, um ecossistema complexo com características próprias em detrimento de outro é, para não dizer outra coisa, besta. O mesmo se dá para as reservas ou reflorestamentos de "eucalipto" ou qualquer monocultura. Daqui a pouco vamos ouvir gente dizendo que plantar cana-de-açúcar é uma grande contribuição para a natureza e que deveríamos considerar a cana para programas de reflorestamento...

Não que não existam pessoas defendendo o plantio de cana, assim como há pessoas que defendem o uso da energia nuclear. Esta última que fora vilã por muitos anos, vem se transformando em uma das alternativas para conter o aumento do efeito estufa, por não emitir CO2. Os discursos são tão poderosos quanto as ciências e tecnologias, o seu uso e aceitação dependem de fatores diversos.

A crise que se inicia tecnicamente no setor financeiro tem implicações em todos os setores da sociedade. As previsões de que ocorreria foi ignorada por muitos, mas sem querer tirar méritos de quem estava 'certo', há quase sempre alguém torcendo e prevendo contra. A diferença está nas bases dos argumentos e das reflexões apresentadas. Nem simples achismo, nem acúmulo de dados ou informações fazem a diferença sem apoio e desenvolvimento de ideias e uma certa lógica. Há também os interlocutores e defensores de um lado e os críticos e detratores de outro, o poder do discurso é tão forte quanto o discursante. Uma palestra motivacional seria um fracasso se feita por uma pessoa desiludida e desanimada sem o menor talento para falar em público. A não ser que a intenção real não fosse motivar ou se ele fosse tão ruim, que chegasse a ser bom o bastante para motivar as pessoas a pelo menos não ser como ele. Se por algum milagre essa palestra funcionasse poderia considerar como sorte, como deturpação dos objetivos e motivos iniciais ou como uma anomalia?

Esse momento que estamos passando nos ajuda a refletir sobre a importância das ações e dos discursos que as legitimam.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O que estamos fazendo de certo?

Hoje andei pensando um pouco sobre como retornava a escrever e percebi que os relatos e as notas escritas tem em sua maioria aspectos de impessoalidade, esse meu estilo de escrita foi assim motivado por uma vontade de organizar meu pensamento, discutir e refletir temas e assuntos, sem tomar um partido, defender ou desacreditar ideias e fatos.
É claro que nem sempre isso é possível e nem sempre é essa a proposta. Mas eu acredito que podemos falar de muitos assuntos e temas sem precisar ser unidimensionais e irracionais só por considerar uma visão de mundo como "melhor". O que isso significa?
Vamos entrar em um terreno nebuloso e pouco compreendido, mas que como será polêmico acho que o exemplo será bem entendido e já retoma muito do que já disse. Iniciemos essa reflexão com uma pergunta aparentemente simples: Qual religião é a melhor? Ou melhor, existem religiões?
Para muitas pessoas essas são perguntas realmente simples: "a melhor religião é aquela em que se acredita, da qual faz parte, que te conforta, acolhe e completa". Para outras essa é uma pergunta mais complexa e que exige pensar em outras séries de questões: Estamos falando de melhor em termo de adeptos? De crentes? De números de milagres? O que é religião? O que define o que é ou não melhor? Isso é uma questão quantitativa? Qualitativa? Moral? Ética? Em como influência e tem impacto no cotidiano? E uma série de outros questionamentos intermináveis contidos em uma "simples" pergunta, que não será respondida aqui.
Não é essa a intenção, nem o foco que motivou tal exemplo. A questão religião pode ser trocado por outro, ainda assim existiria polêmica: música, time de futebol, moda, ideia, teoria, desenvolvimento etc etc... Não é a religião em si que nos interessa agora, mas as implicações que essa e outras discussões geram.
O que é melhor? Isso é o que me interessa discutir hoje, mas convenhamos que isso também é uma questão pessoal. Assim como cada um tem uma religião e, embora ela possa ser compartilhada por milhares de outras pessoas existe sempre um nível de interpretações , aceitações, convicções e práticas que são individuais e até únicas. O que significa que embora haja uma religião, esta é composta por várias outras vertentes e implicações, uma visão dominante não significa uma visão única.
Dito isso a conclusão é óbvia: o que é bom para um não é para outro e vice-versa. Então, quer dizer que é impossível termos o melhor planeta para todos, pois sempre alguém vai ser prejudicado? Devemos ter cuidado, então, para que a visão de uma minoria não seja imposta, nem que a maioria dominem e subjulgem a minoria?
Nem sempre se pode dizer o que é melhor. Em certos casos isso é uma visão muito relativa e a religião é um tema expressivo, pois sugere uma coisa que está presente em poucas reflexões: Embora esteja intimamente ligada ao humano é uma daquelas questões que ultrapassam a simples humanidade, que tentam explicar tudo ou quase tudo, até criar normas e regras de conduta e ação. O Humano nesse caso é secundário, respondendo, em certa medida, à forças maiores que "qualquer coisa".
São questões complicadas de se pensar e analisar, mas que trazem maiores reflexões e questionamentos pessoais. Responder algumas das perguntas levantadas aqui é conhecer um pouco mais de si mesmo e quando se conhece melhor é mais provável a chance de "escolhas conscientes", de "ações planejadas" e de poucas chances de arrependimentos futuros. Não podemos esquecer o contexto e as implicações e consequências das escolhas.
Li uma frase muito boa em uma edição do jornal da Associação de Professores do Estado de SP, ou algo parecido, se não me engano foi uma frase de um concurso publicado pelo jornal que envolvia a questão ambiental e diz mais ou menos assim:

Sempre se fala sobre a preocupação do mundo que estaremos deixando para os nossos filhos.
Deveríamos nos preocupar também em que filhos estamos deixando para o mundo.

A pergunta do título não é só uma questão sobre as escolhas que fazemos, mas também como elas são feitas e quando. Também não posso ignorar o poder das ideias, da cultura e do pensamento seja individual ou não.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Uma cultura várias cabeças, um ambiente várias culturas. Notas sobre o medo incerteza insegurança

Se pensamos que hoje é tudo que importa, não é todo errado - pelo menos segundo uma grande massa de seguidores do carpe diem (simplificado como aproveitar o tempo e o dia) - ainda mais se pensarmos que o futuro não existe, a não ser como conceito e percepção de um tempo que não vai chegar. Mas isso não significa que uma preocupação sobre o tempo que virá é inútil, talvez seja um lembrete que não é a única coisa que deve permear nossos pensamentos. A questão ambiental passou muito tempo em evidência por suas preocupações com o futuro do planeta, do mundo e principalmente pela sobrevida das próximas gerações e todas as formas de vida em geral.
O agora também é motivo de indagação, preocupação. Não podemos cair na falácia do imediatismo. O agora é fruto de um contexto, de uma história e uma série de fatores e peculiaridades que moldaram e continuam a interferir no tempo e espaço, a natureza, a paisagem, a sociedade, a cultura, a educação, a economia e diversos fatores incomensuráveis ou imperceptíveis em sua totalidade. Assim é impossível a um único indivíduo, ou mesmo grupo, conhecer todas as variáveis que resultam neste agora. Mesmo que fosse possível conhecer e saber todos os fatos que ocorrem no mundo seria um movimento constante e infinito que faria com que a análise e interpretação, além de um problema logístico para separar e catalogar tudo, poderia ser tarefa inútil.
A maioria de nós, pobres mortais e humanos, vivemos e nos baseamos em uma representação da realidade, filtramos acontecimentos, eventos, notícias e conhecimentos que sejam mais relevantes e marcantes para cada um, ou seja, está inserido em um contexto – social/ econômico/ político/ cultural/bio/fisio/químico/histórico - uma conjuntura e outros pequenos fatores que moldam e fazem parte do cotidiano. Mesmo uma pessoa que nunca esqueça nada do que aprenda ou tenha visto não teria condição de saber tudo que acontece no mundo em seus mínimos detalhes o tempo todo sem acarretar em algum problema sério. Para começar não é possível estar em todos os lugares o tempo todo, mesmo que houvesse câmeras em todo lugar do mundo, temos apenas dois olhos e dois ouvidos... Nosso cérebro não foi feito para o conhecimento total e absoluto, pelo menos não nas formas descritiva e detalhista imaginadas acima. Nem um conhecimento total e absoluto minimalista – o que é um absurdo e contraditório. Mas não vou me estender nesse argumento não é intenção questionar a possibilidade ou não da onisciência e onipresença do indivíduo, mas só para fechar o argumento com algumas reflexões: mesmo que fosse possível saber de tudo o que ocorre, o que fazer com os “pensamentos”? Será que não importam tanto como as ações? As ideias deveriam ser ignoradas? Devemos distinguir ficção de delírios e ambos de realidade? Realidade é a mesma para todos? ...
Acho que podemos extrair o argumento mais importante desta loucura toda: a formação de uma cultura passa e é permeada por várias destas indagações e muitas outras mais profundas. De certa forma são as formas de interpretações da realidade seguida por uma aceitação e adoção de costumes para explicar de forma inteligível o que é perceptível e vão surgindo determinados espaços e tempos - únicos e singulares marcam uma cultura, moldam a sociedade e todos os outros processos de nossas vidas. Talvez esse pensamento possa voltar a origem da vida em nosso Planeta, uma sequência de eventos que tornou possível a nossa própria existência ainda não foi plenamente compreendida e conhecida pelos seres humanos. Essa “incerteza original” faz parte da ‘humanidade’.
Para explicar nossa origem recorremos às mais diversas teorias, ideias, ideais, religiões que vão do racional, evolucionista, lógico, místico, absurdo, ilógico e irracional. Isso serve para sentirmos mais seguros, confortáveis, entender de onde e o porquê ou porquês da existência. Enfim, as diversas configurações de mundo, sociedade cultura e política que existem hoje têm por trás dele todo um processo, história e contextos que não podem ser ignorados, mas que não é necessário saber os mínimos detalhes para compreendermos como chegamos a essa configuração. Isso implica em fatores e acontecimentos chaves, um destes fatores que não podem ser ignorados são as relações estabelecidas pela dinâmica ambiente, sociedade/ natureza, indivíduo.
E a dinâmica que existe hoje foi alterada com o tempo e sofreu diversas mudanças desde sua configuração espacial e física (construções, invenções, tecnologias de comunicação e transporte), como pelas percepções e visões de mundo (humanos como parte da natureza, compartilhando-a com outros seres, passa até hoje em muitos aspectos a ser vista como ferramenta, como algo a ser dominado). Isso não significa que todos os seres humanos devem ser considerados como uma forma única, fechada, homogênea e rígida, nem a natureza e o ambiente da qual fazem parte, pelo contrário, a flexibilidade e imprevisibilidade dos atos e consequências desta dinâmica é parte constante da nossa realidade.