O objetivo é desenvolver o pensamento sobre a questão ambiental - as diversas perspectivas envolvidas e os debates gerados pela temática.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Assim caminhamos?
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Praticar a reflexão e a solidariedade
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
A imaginação é limitada apenas por aquele que imagina
Isso pode parecer um absurdo para muitas pessoas, para mim seria deprimente e chocante. Mas, aqui vai a pergunta que não quer calar: Quantas pessoas seriam capazes de fazer algo a respeito? Quantos teriam coragem para se manifestar e impedir que esse absurdo não seja comum e nem cotidiano? Ou será que a maioria aceitaria passivamente ou, no máximo, resmungaria pelo canto da boca e continuaria com o que está fazendo?
Confesso, provavelmente não me manifestaria, se não fosse eu o cara sendo expulso, e mesmo que fosse não sei como reagiria. Talvez nos dois casos seria indiferença a primeira reação. Talvez, xingar muito as pessoas, não pessoalmente, com medo de ser espancado ou de levar um tiro por bobeira. Talvez, anonimamente em um desses sites e blogs quaisquer. Quem sabe até criar uma identidade secreta em um mundo virtual, e lá ser o rei supremo e soberano, o valentão, o cruel, o sanguinário ou qualquer outra coisa que não sou na verdade.
As reações das pessoas podem variar e fazer o exercício de se colocar no lugar dos vários personagens pode dar uma visão mais ampla do que sendo simples espectador: E se você fosse a pessoa expulsa? Se fosse alguém na fila naquele momento? Se fosse você quem tirasse o sujeito que cedeu o lugar da fila? Se fosse o idoso? Se fosse um dos seguranças? Se fosse o dono do estabelecimento? Se fosse a pessoa que reclamou para os seguranças? Enfim, diversas possibilidades, perspectivas, visões e ações em uma situação qualquer.
Tudo torna eventos aparentemente simples em algo complexo. A percepção muda com o tempo, a atitude também, o aprendizado e a experiência são fundamentais. Por exemplo, se todos começassem a andar com uma luva branca padrão, em apenas uma das mãos, sem motivo algum inicialmente. Quanto tempo até alguém buscar uma explicação e dar algum sentido para essa atitude desconexa? Outras questões como: Será que todos usariam a luva na mesma mão? E quanto tempo para as próprias pessoas usando a luva se convencerem de que há um bom motivo para o uso dessa luva? Seria uma mesma explicação para todos os usuários? Quanto tempo levaria para surgir luvas diferentes, nos modelos, materiais formatos, cores e personalizações? E até essa prática ser abandonada?
Tudo isso depende de uma série de outros fatores que podem ser imaginados, como quem impôs essa luva para começo de conversa? (não fui eu); quem acatou sofreu algum tipo de pressões, coerção ou coação? Qual a posição do governo, das empresas e dos movimentos sociais? Isso foi uma política pública? Uma medida cautelar ou preventiva? Um tipo de identificação? Costume? Moda? Enfim, questionamentos que vão longe...
Isso sempre me lembra de alguns poemas (Um breve parêntese antes: palavras são fantásticas e poderosas, podem estimular, informar, denegrir, irritar, apaixonar, enojar, envergonhar e tantas outras reações e o poema em poucas palavras reunidas podem intensificar dada a sonoridade, a musicalidade, a rima e o sentimento, por isso é tão marcante, mesmo que nem sempre possamos lembrar de tudo, ainda podem ser marcantes).
Um é o poema de Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa):
Poema em Linha Reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
---
Os outros são do Carlos Drummond de Andrade:
Os Ombros Suportam o Mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue,
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
preferiam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
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O Homem; As Viagens
O homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.
Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto — é isto?
Idem
Idem
Idem.
O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.
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sexta-feira, 30 de julho de 2010
A busca pelo nada e um incomodo
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Uma nota sobre a proposta do Novo Código Florestal e alguns paralelos
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Pensar o futuro e o dia Mundial do Meio Ambiente: exorcizando os demonios, conscientizando as pessoas ou mais um grande show de fumaça?
sexta-feira, 12 de março de 2010
Os motivos para ser ou não paranoia e sentimento de imbecilidade.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
As lições que aprendemos informalmente
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Tentando o retorno, mas sem criatividade. Desabafos em tom de carta pessoal.
Mas me mostre uma pessoa que está constantemente e verdadeiramente satisfeita consigo ou sua vida e seja realmente feliz eu eu ficarei com inveja e admiração.Mas, talvez, também sentiria pena dessa pessoa.
domingo, 8 de novembro de 2009
Em um mundo com...
Sinceramente não sei. Gostaria de acreditar que sim.
Gostaria que esse não fosse um pedido infantil e inútil.
Estava pensando em fazer esse texto como um dia da semana com, mas resolvi ampliar para um mundo com! Claro que não vai ser uma lista completa, nem tampouco objetiva, mas quem sabe se desejos anunciados não se tornam realidade?! Pelo menos muitos acreditam e eu quero acreditar que é possível melhorar com:
1) Solidariedade: Esse é um item que mais precisamos no momento, nosso próprio senso de humanidade está de certa forma em questão. Precisamos de mais justiça, mais equidade, igualdade, entendimento, convivência e integração real. Isso requer amor e compaixão que podem ser vistas como formas de solidariedade. Mas não devemos confundir isso com piedade ou ingenuidade. A solidariedade envolve conhecer, entender, aceitar, participar, melhorar e tantos outros sentimentos que realmente podem ser confundidos se não houver responsabilidade, respeito, ética e consciência.
2) Responsabilidade, Respeito, Ética e Consciência: O que implica sermos responsáveis? É só assumir as consequências de nossas ações? Sermos "culpados" por aquilo que fazemos? Ou também envolve pensar e cuidar, tanto as coisas materiais como os outros? Envolvem práticas éticas, respeitosas conscientes? Tudo deve ser levado em conta, mas não podemos ser obtusos e radicais ou mesmo ficar sem ação pelas preocupações. Todos nós temos vontades, desejos e condições diversas é preciso respeito ao próximo para que não haja imposições e dominações. A ética e a conscientização requerem que saberes e conhecimentos sejam considerados nas ações e aplicações práticas, mas de forma responsável e com respeito à vida, à saúde, ao ambiente.
3) Saberes e Conhecimentos: A busca pela "previsibilidade" é um dos grandes desafios impostos à Ciência. A informação, os saberes e o conhecimento fazem parte dessa busca. O resultado nem sempre é como esperado, afinal o fator humano deve ser levado em conta e é um fator imprevisível, mutável, dinâmico. Não quer dizer que não possa haver saberes e conhecimentos 'verdadeiros', úteis, precisos, nem que a imprevisibilidade e incerteza sejam maléficas. É preciso uma maior integração, interação e auxílio entre os diversos saberes, conhecimentos e práticas. A transdisciplinaridade não significa acúmulo de conhecimento pura e simplesmente. Nem que todos devem saber de tudo a todo o momento, mas que haja condições e diálogos constantes que facilitem pensar no todo.
4) Sustentabilidade: Ainda que em muitos aspectos seja um termo genérico, em que a definição utilizada pode ser questionada pelas diversas práticas e teorias. Há também um consenso sobre o que envolve a Sustentabilidade. O mais utilizado é um excerto do relatório Brundtland de 1987 ou como é intitulado “Nosso Futuro Comum”, que afirma que o Desenvolvimento Sustentável é a capacidade de prover as necessidades atuais sem prejudicar as gerações futuras. Mesmo muito mais amplo que isso é geralmente esse a ideia mais divulgada. Também envolve os pontos acima já discutidos e outras questões. O interessante é a visão e importância humana impregnada nessa perspectiva. Isso tem também um razão e um contexto por trás de qualquer declaração e sua respectiva aceitação. O momento atual permite, em certos aspectos, expandir a discussão e reflexão, até mesmo ações, estudos e projetos refletem essa expansão. Mas não significa, infelizmente, uma maior participação e integração da sociedade, nem que há equidade e justiça.
5) Equidade, Justiça, Participação. Não há solidariedade sem justiça, sem igualdade, nem justiça sem humanidade, afinal esses são termos interconectados e de certa maneira co-dependentes, e também são conceitos que nós definimos ao longo do tempo. Se igualdade é definida como condições, direitos e oportunidades iguais, sem discriminação e preconceitos relativos à etnia, origem, sexo, gosto, escolhas e opções diversas. A Justiça faz parte dessa igualdade, como forma de que ela possa ser garantida, mas também se relaciona as normas que são criadas pela convivência e costumes. Para que estas normas sejam cumpridas e não sejam arbitrárias é preciso que haja participação, aceitação de todos, ou pelo menos, da maioria da sociedade na formulação de normas. O problema é colocar isso em prática, a dinâmica da sociedade não permite que as respostas sejam sempre adequadas, as interferências e interesses fazem com que sejam quase sempre imprevisíveis os resultados das escolhas e ações em prol da justiça, equidade e sustentabilidade.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
O cheiro que a sociedade exala
Uma fração de segundo nosso olhos se encontram. Posso estar enganado, mas via um feixe de luz muito pequeno, indicava um pouco de vida no olhar do cidadão ignorado. As marcar no rosto e a feição mais cansada que a minha, mostram uma vida dura e de sofrimento. Um tempo em que os preconceitos e as dificuldades ficaram para sempre marcados.Essa fração de segundo passa a reação foi de abaixar a cabeça envergonhada de ambos os lados, mas da outra parte pareceu maior que a minha.
domingo, 11 de outubro de 2009
Informações, manipulações, desilusão.
A história do petróleo nas nossas vidas tem relação com o ditado acima, mas de certa forma invertida: "nem tudo que é ouro, reluz". Sim, o também conhecido ouro negro. Produto primário para milhares de produtos utilizados no nosso cotidiano e sem perceber, não só combustível, mas o plástico, borracha e uma série e outros derivados. A indústria petroquímica vem se desenvolvendo no último século e é o setor estratégico e muitos países e quase todas as sociedades são dependentes desse produto. Claro que a intensidade dessa dependência varia e nem todas as pessoas utilizam produtos a base de petróleo, mas essas são cada vez mais raras.
Isso não significa que não existam também cada vez mais alternativas como os combustíveis e materiais desenvolvidos através de plantas e outros tipos de materiais e também a própria reciclagem. Ainda assim, esses materiais e métodos alternativos são ainda pouco aplicáveis em escala comercial necessárias para substituir o 'ouro negro', são vários os motivos, seja pelo alto custo, pela falta de investimento ou interesses diversos, entre uma série de outros fatores.
Outra questão é o tempo, há mais de um século que o petróleo e seus derivados vem ganhando espaço e dominando as bases industriais. A preocupação ambiental contemporânea tem se expandido há pouco mais de quatro décadas e sofrendo para se estabelecer, nos mais diversos setores. Podemos até mesmo dizer que a questão ambiental ainda não se estabeleceu como prioridade para muitas pessoas, empresas e sociedades e os motivos vão desde a falta de conhecimento e perspectivas até interesses diversos, medo de mudança e perda de status, entre outros.
Ainda temos o problema do discurso, da adequação e aceitação. Só dizer que algo é importante, não quer dizer que se está fazendo algo a respeito. As propagandas e o uso indiscriminado da palavra 'eco' como adjetivação de um produto nem sempre pode corresponder a realidade da sua produção. Isso também é motivado pela falta de uma aceitação e visão única do que é ser Sustentável e ecológico. Não é ruim que haja diversas visões, mas a falta de diálogo e interação entre essas visões é o que preocupa.
Muitas vezes nem mesmo se pode falar em um senso ou base comum entre eles. Como se pode falar em uma sociedade mais justa e sustentável sem uma interação e integração igualitária e participativa? Sem uma solidariedade comum e universal? Sem uma vida digna, plena, livre e decente? Não é a igualdade homogênea, nem impositiva, nem a solidariedade por pena ou hierárquica, ou uma vida sem regras, leis e respeito.
Como foi dito acima sobre a questão de que nem tudo que é ouro reluz, quer dizer justamente a respeito do que é importante e essencial para a sociedade como um todo. Se o petróleo ganhou o status e a importância atualmente para ser considerado como ouro, diz respeito não só a suas propriedades e características, mas também sobre a visão de mundo e interesses que consolidaram essa importância. O próprio ouro pode ser questionado sobre sua importância e valor.
Isso quer dizer que é a importância que torna um tipo de metal ou algo fossilizado é produto de um tempo, de contexto, de seu uso, mas também é indispensável para isso a aceitação do ser humano. Se o ouro tem o status e a importância que tem hoje é por que a maioria de nós aceita que o ouro tenha esse valor e importância. Lembremos para isso a Ilha utópica de Thomas Morus (ou Thomas More) em que quase não se usa dinheiro, ou melhor, quase não há utilidade para ele e que ouro e pedras preciosas são marcas dos escravos e criminosos.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Quando a dúvida passa a ser superior a qualquer coisa...
terça-feira, 22 de setembro de 2009
As percepções que queremos (Aprofundando o olhar)
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Será o fim da crise? O que podemos aprender com as dificuldades.
Será mesmo que estamos saindo da crise financeira mundial que se iniciou há mais de um ano? Será que vamos voltar à "normalidade"? Mas aproveito esse momento para refletir sobre essa aparente normalidade. Afinal, o que podemos esperar de melhor e o que podemos aprender com essa situação?
A crise financeira mostrou a fragilidade e a insegurança que estão presente nas negociações e investimentos em escala mundial. Mas seus resultados foram devastadores: desemprego, medo (de ser demitido, de ficar sem casa, de perder suas economias, entre outros medos), podem ser citados como exemplos dessa realidade caótica para muitas pessoas e muitos países.
Nesse momento, as preocupações mais imediatas são ter um teto sobre sua cabeça e algo para comer. Isso pode parecer exagero para alguns, mas para outros o cenário foi muito mais terrível do que se poderia imaginar. Não há como saber efetivamente os impactos psicológicos e subjetivos, mas eles existem. Afeta inclusive como refletir e pensar sobre a crise, geralmente apoiada pela experiência própria.
A questão ambiental não é diferente, dependendo do ponto de vista e da visão de mundo de cada um pode ser ora uma questão sem importância que não deve ser considerada, ora a questão para o futuro do mundo e da humanidade. Seja qual for a perspectiva adotada o que é interessante é que cada vez mais vemos a questão ambiental presente e cada vez menos questionada como fundamental. Mudam os discursos, mas são cada vez menores as críticas diretas. A palavra do dia é a chamada "compensação".
Podemos (teoricamente e tecnicamente, para muitos casos) destruir uma boa parte do ecossistema, desde que se faça um programa de preservação e conservação que possibilite a continuidade de sua existência. Isso quando não se pensa em destruir um lugar para conservar outra área. Exemplo: Vou construir uma fábrica que necessita tomar uma parte da Mata Atlântica, mas vou compensar fazendo uma reserva na Floresta Amazônica. Esse é um discurso PERIGOSO E COMPLICADO e até no último caso FALSO.
Destruir um bioma, um ecossistema complexo com características próprias em detrimento de outro é, para não dizer outra coisa, besta. O mesmo se dá para as reservas ou reflorestamentos de "eucalipto" ou qualquer monocultura. Daqui a pouco vamos ouvir gente dizendo que plantar cana-de-açúcar é uma grande contribuição para a natureza e que deveríamos considerar a cana para programas de reflorestamento...
Não que não existam pessoas defendendo o plantio de cana, assim como há pessoas que defendem o uso da energia nuclear. Esta última que fora vilã por muitos anos, vem se transformando em uma das alternativas para conter o aumento do efeito estufa, por não emitir CO2. Os discursos são tão poderosos quanto as ciências e tecnologias, o seu uso e aceitação dependem de fatores diversos.
A crise que se inicia tecnicamente no setor financeiro tem implicações em todos os setores da sociedade. As previsões de que ocorreria foi ignorada por muitos, mas sem querer tirar méritos de quem estava 'certo', há quase sempre alguém torcendo e prevendo contra. A diferença está nas bases dos argumentos e das reflexões apresentadas. Nem simples achismo, nem acúmulo de dados ou informações fazem a diferença sem apoio e desenvolvimento de ideias e uma certa lógica. Há também os interlocutores e defensores de um lado e os críticos e detratores de outro, o poder do discurso é tão forte quanto o discursante. Uma palestra motivacional seria um fracasso se feita por uma pessoa desiludida e desanimada sem o menor talento para falar em público. A não ser que a intenção real não fosse motivar ou se ele fosse tão ruim, que chegasse a ser bom o bastante para motivar as pessoas a pelo menos não ser como ele. Se por algum milagre essa palestra funcionasse poderia considerar como sorte, como deturpação dos objetivos e motivos iniciais ou como uma anomalia?
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
O que estamos fazendo de certo?
É claro que nem sempre isso é possível e nem sempre é essa a proposta. Mas eu acredito que podemos falar de muitos assuntos e temas sem precisar ser unidimensionais e irracionais só por considerar uma visão de mundo como "melhor". O que isso significa?
Vamos entrar em um terreno nebuloso e pouco compreendido, mas que como será polêmico acho que o exemplo será bem entendido e já retoma muito do que já disse. Iniciemos essa reflexão com uma pergunta aparentemente simples: Qual religião é a melhor? Ou melhor, existem religiões?
Para muitas pessoas essas são perguntas realmente simples: "a melhor religião é aquela em que se acredita, da qual faz parte, que te conforta, acolhe e completa". Para outras essa é uma pergunta mais complexa e que exige pensar em outras séries de questões: Estamos falando de melhor em termo de adeptos? De crentes? De números de milagres? O que é religião? O que define o que é ou não melhor? Isso é uma questão quantitativa? Qualitativa? Moral? Ética? Em como influência e tem impacto no cotidiano? E uma série de outros questionamentos intermináveis contidos em uma "simples" pergunta, que não será respondida aqui.
Não é essa a intenção, nem o foco que motivou tal exemplo. A questão religião pode ser trocado por outro, ainda assim existiria polêmica: música, time de futebol, moda, ideia, teoria, desenvolvimento etc etc... Não é a religião em si que nos interessa agora, mas as implicações que essa e outras discussões geram.
O que é melhor? Isso é o que me interessa discutir hoje, mas convenhamos que isso também é uma questão pessoal. Assim como cada um tem uma religião e, embora ela possa ser compartilhada por milhares de outras pessoas existe sempre um nível de interpretações , aceitações, convicções e práticas que são individuais e até únicas. O que significa que embora haja uma religião, esta é composta por várias outras vertentes e implicações, uma visão dominante não significa uma visão única.
Dito isso a conclusão é óbvia: o que é bom para um não é para outro e vice-versa. Então, quer dizer que é impossível termos o melhor planeta para todos, pois sempre alguém vai ser prejudicado? Devemos ter cuidado, então, para que a visão de uma minoria não seja imposta, nem que a maioria dominem e subjulgem a minoria?
Nem sempre se pode dizer o que é melhor. Em certos casos isso é uma visão muito relativa e a religião é um tema expressivo, pois sugere uma coisa que está presente em poucas reflexões: Embora esteja intimamente ligada ao humano é uma daquelas questões que ultrapassam a simples humanidade, que tentam explicar tudo ou quase tudo, até criar normas e regras de conduta e ação. O Humano nesse caso é secundário, respondendo, em certa medida, à forças maiores que "qualquer coisa".
São questões complicadas de se pensar e analisar, mas que trazem maiores reflexões e questionamentos pessoais. Responder algumas das perguntas levantadas aqui é conhecer um pouco mais de si mesmo e quando se conhece melhor é mais provável a chance de "escolhas conscientes", de "ações planejadas" e de poucas chances de arrependimentos futuros. Não podemos esquecer o contexto e as implicações e consequências das escolhas.
Li uma frase muito boa em uma edição do jornal da Associação de Professores do Estado de SP, ou algo parecido, se não me engano foi uma frase de um concurso publicado pelo jornal que envolvia a questão ambiental e diz mais ou menos assim:
Sempre se fala sobre a preocupação do mundo que estaremos deixando para os nossos filhos.
Deveríamos nos preocupar também em que filhos estamos deixando para o mundo.
A pergunta do título não é só uma questão sobre as escolhas que fazemos, mas também como elas são feitas e quando. Também não posso ignorar o poder das ideias, da cultura e do pensamento seja individual ou não.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Uma cultura várias cabeças, um ambiente várias culturas. Notas sobre o medo incerteza insegurança
O agora também é motivo de indagação, preocupação. Não podemos cair na falácia do imediatismo. O agora é fruto de um contexto, de uma história e uma série de fatores e peculiaridades que moldaram e continuam a interferir no tempo e espaço, a natureza, a paisagem, a sociedade, a cultura, a educação, a economia e diversos fatores incomensuráveis ou imperceptíveis em sua totalidade. Assim é impossível a um único indivíduo, ou mesmo grupo, conhecer todas as variáveis que resultam neste agora. Mesmo que fosse possível conhecer e saber todos os fatos que ocorrem no mundo seria um movimento constante e infinito que faria com que a análise e interpretação, além de um problema logístico para separar e catalogar tudo, poderia ser tarefa inútil.
A maioria de nós, pobres mortais e humanos, vivemos e nos baseamos em uma representação da realidade, filtramos acontecimentos, eventos, notícias e conhecimentos que sejam mais relevantes e marcantes para cada um, ou seja, está inserido em um contexto – social/ econômico/ político/ cultural/bio/fisio/químico/histórico - uma conjuntura e outros pequenos fatores que moldam e fazem parte do cotidiano. Mesmo uma pessoa que nunca esqueça nada do que aprenda ou tenha visto não teria condição de saber tudo que acontece no mundo em seus mínimos detalhes o tempo todo sem acarretar em algum problema sério. Para começar não é possível estar em todos os lugares o tempo todo, mesmo que houvesse câmeras em todo lugar do mundo, temos apenas dois olhos e dois ouvidos... Nosso cérebro não foi feito para o conhecimento total e absoluto, pelo menos não nas formas descritiva e detalhista imaginadas acima. Nem um conhecimento total e absoluto minimalista – o que é um absurdo e contraditório. Mas não vou me estender nesse argumento não é intenção questionar a possibilidade ou não da onisciência e onipresença do indivíduo, mas só para fechar o argumento com algumas reflexões: mesmo que fosse possível saber de tudo o que ocorre, o que fazer com os “pensamentos”? Será que não importam tanto como as ações? As ideias deveriam ser ignoradas? Devemos distinguir ficção de delírios e ambos de realidade? Realidade é a mesma para todos? ...
Acho que podemos extrair o argumento mais importante desta loucura toda: a formação de uma cultura passa e é permeada por várias destas indagações e muitas outras mais profundas. De certa forma são as formas de interpretações da realidade seguida por uma aceitação e adoção de costumes para explicar de forma inteligível o que é perceptível e vão surgindo determinados espaços e tempos - únicos e singulares marcam uma cultura, moldam a sociedade e todos os outros processos de nossas vidas. Talvez esse pensamento possa voltar a origem da vida em nosso Planeta, uma sequência de eventos que tornou possível a nossa própria existência ainda não foi plenamente compreendida e conhecida pelos seres humanos. Essa “incerteza original” faz parte da ‘humanidade’.
Para explicar nossa origem recorremos às mais diversas teorias, ideias, ideais, religiões que vão do racional, evolucionista, lógico, místico, absurdo, ilógico e irracional. Isso serve para sentirmos mais seguros, confortáveis, entender de onde e o porquê ou porquês da existência. Enfim, as diversas configurações de mundo, sociedade cultura e política que existem hoje têm por trás dele todo um processo, história e contextos que não podem ser ignorados, mas que não é necessário saber os mínimos detalhes para compreendermos como chegamos a essa configuração. Isso implica em fatores e acontecimentos chaves, um destes fatores que não podem ser ignorados são as relações estabelecidas pela dinâmica ambiente, sociedade/ natureza, indivíduo.
E a dinâmica que existe hoje foi alterada com o tempo e sofreu diversas mudanças desde sua configuração espacial e física (construções, invenções, tecnologias de comunicação e transporte), como pelas percepções e visões de mundo (humanos como parte da natureza, compartilhando-a com outros seres, passa até hoje em muitos aspectos a ser vista como ferramenta, como algo a ser dominado). Isso não significa que todos os seres humanos devem ser considerados como uma forma única, fechada, homogênea e rígida, nem a natureza e o ambiente da qual fazem parte, pelo contrário, a flexibilidade e imprevisibilidade dos atos e consequências desta dinâmica é parte constante da nossa realidade.