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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Quando a dúvida passa a ser superior a qualquer coisa...

Se você não tivesse dúvidas em nenhuma circunstância, o que isso significaria?

Sim, pode parecer uma coisa boa, ou nem tanto assim. Depende da interpretação à pergunta acima. Explico: Se você acha que o motivo de não ter dúvidas é por que sempre se SABE a resposta, seria um fato impressionante; mas se você acha que é pelo fato de FINGIR QUE SABE a ponto de se convencer que sua resposta é verdadeira independente da circunstância, aí a coisa fica mais complicada.

Existem momentos em que o que você mais quer é não saber o que acontece.

Infelizmente esse não é um privilégio. Ser uma pessoa bem informada, atualizada a todo o momento é um requisito básico para muitos, deveria ser para todos. Mas ser uma pessoa constantemente informada requer um certo esforço, tempo e dedicação. Seja a mídia em todas as suas formas, seja a família, amigos ou colegas de trabalho, escola existem diversas formas de se manter atualizado e a par das coisas. De assuntos internacionais, políticos, econômicos e do seu país e cidade a últimos capítulos de novelas, programas de entretenimento e até mesmo fofocas de vizinhança.
Essa "rede de informações" que você adquire com o tempo pode acabar desgastando sua capacidade de raciocínio e de retenção de assuntos. Somos tão bombardeados por informações que acabamos por não refletir sobre elas.
Se vinte pessoas vierem até você e te falarem uma notícia qualquer, mas que você não ouviu em nenhum lugar antes. Você acreditaria?
Dependendo do tipo de fonte, a veracidade é outro fator importante e nem sempre é tão fácil de saber. O que realmente acontece e como foi que ocorreu pode variar, não o fato em si, mas como ele é anunciado e como chega à população em geral. Boatos são facilmente espalhados e muitos podem vencer no cansaço da super exposição.

Isso quer dizer que devemos duvidar de tudo e todos que ouvimos? Ser céticos e incrédulos?

Acredito que não. Mas cautela é fundamental. É difícil saber os motivos e interesses que levam a determinado evento se tornar público (virar notícia) e outros serem "deixados de lado" (abafados ou distorcidos). O fato de se estar falando mais sobre a questão ambiental não quer dizer que os problemas estejam sendo solucionados. Também não quer dizer que quando se deixa de falar significa que já esteja resolvida. Não podemos ficar apenas no imediatismo e no modismo.
Ser bombardeados por informações pode ser realmente assustador e desesperador, mas é preciso calma e reflexão para distinguir notícias e fatos de alarmismo e propagandas enganosas. Como fazemos isso se torna o desafio e é o que mais pode cansar.

domingo, 15 de março de 2009

Treinamento x Conscientização x Educação X prática

O processo de aprendizagem é lento, difícil, demorado e doloroso, mas não deveria ser assim, ou deveria? Claro que não ocorre em todas as situações e circunstâncias. e nem para todos os temas que nos são apresentados. O que afeta esse processo? Ele pode ser rápido, fácil, prazeroso? Como? (a)onde? Por que? E por que não é assim sempre? Perguntas nesta direção aponta uma série de dificuldades que as sociedades enfrentaram e ainda enfrentam, cada qual com suas próprias características e circunstâncias. Afinal a história não se repete completamente, embora possa haver MUITAS semelhanças, os atores e envolvidos não são necessariamente os mesmos, a percepção e a sociedade também mudam com o tempo. Com isso podemos e devemos aprender muito com fatos e acontecimentos anteriores, mas com cautela e em alguns casos de forma relativizada.
Os problemas 'modernos' são, em grande parte, resquícios de situações que não foram resolvidas ou "previstas" no passado. Caso isso fosse possível, não haveriam crises e preocupações no mundo e, talvez, em um mundo que não houvesse surpresas e dificuldades não houvesse também criatividade e raciocínios "lógicos". Não saber o que vai acontecer faz parte do que somos, de como agimos e pensamos. Ainda que exista uma lógica e conhecimento sobre a brevidade e finitude de nossas vidas há uma preocupação com o FUTURO. Seja por acharmos que vamos viver por muito tempo, seja preocupado com a próxima geração.
A educação e a memória são interligadas. O progresso ocorre 'superando' dilemas, problemas e dificuldades que surgiram e vão sendo resolvidas ao logo do tempo, o que não deixa de criar novos dilemas, problemas e dificuldades. Cada geração pode ser diferente, mesmo que os problemas sejam semelhantes. "Cada cabeça, uma sentença" .. . Cada geração, uma (ou várias) influência...
Há um debate muito mais rico do que este apresentado, mas isto é só para situar o nosso diálogo. Se as influências marcam uma geração, há também exceções, o que significa que isto não ocorre por um movimento homogêneo e linear. Ainda mais na sociedade atual em que as configurações dos transportes e das comunicações possibilitam contatos, saberes e conhecimentos que ultrapassam a barreira do espaço tempos. Múltiplas influências ocasionam um hibridismo sem fronteiras, limitado pelo acesso (ou falta de acesso) disponível. Temos que ter ressalvas também nestas possíveis mesclas e até que ponto afetam diferentes pessoas e diferentes sociedades.
O treinamento é diferente? A educação também? O que a teoria e a prática podem nos dizer? Há teorias e práticas? Até que ponto concordamos em "bens comuns da humanidade"? Até que ponto compartilhamos sentimentos de "paz", "educação", "segurança", "HUMANIDADE"?
Por que iniciei a questão com o treinamento? Supõe-se que é uma forma de controle? De padronização? Ou é um processo educacional? Uma forma de aprendizado? Aprendizado e educação são diferentes?
São mais questões do que respostas, mas ainda assim é interessante que a discussão seja ampliada, difundida e pensada. O treinamento em si não quer significa um processo bom ou ruim, depende do referencial e da "utilidade" deste treino: treinar e desenvolver a escrita, o raciocínio lógico, o pensamento, a cordialidade pode ser visto como uma coisa boa, agora usar este conhecimento para enganar pessoas, roubar e fraudar instituições, nem tanto. Treinar e fortalecer o corpo para a saúde e o bem-estar são louvados como caminho para uma vida mais equilibrada, longínqua e menos sedentária, agora o mesmo treinamento para uma briga de rua....
O referencial é importante! E quando trazemos a análise para a questão ambiental é fundamental sabermos o que queremos dizer e dizer da forma mais clara e direta possível. Sem banalizar ou criar "sensos comuns" vazios. O treinamento é interligado e conjunto de práticas sociais, culturais educativas ou não, serve para a padronização do comportamento em alguns aspectos e por isso a educação e a conscientização deve ser base de qualquer processo.
Educar é buscar entendimento, compreensão e raciocício próprio, desenvolvido através da reflexão, treinamento, práticas e experiências. O local e o tempo em que ocorrem variam com a situação, também a forma como acontece. Muito da educação, ou melhor do que se fala em Educação, hoje se concentra no seu aspecto formal e institucionalizado (principalmente escolas e seus desdobramentos), mas não podemos esquecer que este é apenas um dos vários aspectos da Educação, não quer dizer que seja o mais importante ou o aspecto definitivo e definidor.
Até que ponto a escola, a faculdade, o templo e as várias instituições influenciam e "definem" uma pessoa? Devemos considerar a situação e o espaço e a forma da sociedade, cultura, economia, religião, família, governos e uma série de fatores que permeiam os indivíduos e refletem nas organizações e processos educacionais.
A conscientização pode facilitar a ação e a mudança de atitudes, pois torna o conhecimento mais amplo e mais próximo das pessoas, aumenta a percepção sobre a realidade e seus problemas, mas também não é o fator definitivo das mudanças. Todos os processos: Educação, treinamento, conscientização, práticas e experiências fazem parte da nossa vida e não podem ser vistas de forma fragmentada, independente ou imutável. A preocupação ambiental é recorrente na história humana, sua intensidade pode variar com o tempo e depende do local, mas não podemos afirmar que deixou de existir em algum momento e que foi o mesmo processo e a mesma intensidade em todos os lugares. A situação atual nos coloca em grande reflexão sobre o futuro da humanidade, cada um relativizando sua importância, mas ainda assim um movimento crescente é visível. Se haverá sucesso em um respeito maior, não só para a proteção e preservação ambiental, mas respeito a questão humana também é ainda um desejo a ser trabalhado.


segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A Transdisciplinaridade e a(s) visão(ões) de Mundo

A divisão e a especialização que faz parte da maioria das estruturas de ensino vêm de uma longa tradição baseada na noção de que a divisão "facilita" o ensino, pois através do "micro" (que consiste em uma pequena parte) você consegue teoricamente analisar o "macro" (o todo) - o pensamento cartesiano é um dos pilares deste método. Mas na prática devemos tomar cuidado com o nível de especialização que leva a uma falsa impressão de saber e conhecimento que não necessitam de complementos além do específico; para ser mais "específico": ao reunirmos uma série de conhecimentos e informações sobre um assunto e/ou tema até chegarmos em conclusões e teorias capazes de tornar um assunto inteligível podemos chegar na "zona de conforto especializada" e daí algumas alternativas: ou reproduzimos o que aprendemos e temos novas abordagens sobre o assunto e assim alimentando debates e mais reflexões; ou atingimos um ponto de saturação em que não há mais o que "fazer" e começamos uma nova pesquisa; ou ainda ficamos com uma falsa impressão de que já dominamos tal assunto sem nos aprofundarmos mais e, aí sim atingimos o pico da "zona de conforto".
O conhecimento é importante em todos os aspectos: o raciocínio e a opinião não conseguem se desenvolver sem as diversas influências do cotidiano, das informações fornecidas, daquilo que vemos, ouvimos, sentimos e a reflexão para combinar os diversos saberes de forma abrangente, agregada e interligada; é através das diversas experiências (inter e intra pessoais) que nos formamos e nos reconhecemos como indivíduos. A Transdisciplinaridade busca unir essas diversidades, respeitando as especialidades, mas sem esquecer a necessidade dos outros conhecimentos, das práticas e ações e influências que fazem parte da experiência humana.
Como delimitar qual "tema" é mais importante? Que opinião é a melhor? Que método/ procedimento devemos adotar? Como iniciar um estudo? Como é o mundo? E várias outras perguntas surgem quando analisamos a questão ambiental e até mesmo outras questões. Existem diversos motivos capazes de levar a uma resposta diferente, pode variar muito dependendo da pessoa, afinal de contas estas são perguntas pessoais.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Educação Para que/ Para quem

A proposta da educação como forma de treinamento, formação e informação segue alguns “modelos” e “padrões”; métodos de ensino e pesquisa variam de acordo com a instituição de ensino, seus objetivos, recursos, docentes e também mobilização e interesse dos estudantes e da sociedade; além de uma série de outros fatores que transformam tais instituições em exemplos (a serem seguidos ou evitados).

Mas essa forma de ensino institucional é apenas uma das formas da educação, geralmente é a que tem mais destaque nas sociedades modernas, justamente pelo seu caráter burocratizado e padronizado de treinamento - através de provas, testes e outros tipos de exames capazes de ‘classificar’ as pessoas através de notas. De certa forma, a sociedade está em constante avaliação por parte de seus integrantes. A competitividade é altamente estimulada nas diversas atividades e, em muitos casos, recompensada - financeiramente ou através de um reconhecimento, um “status”. O ensino considerado “não-formal” é aquele que aprendemos durante toda a nossa vida e em todos os momentos, mesmo dentro das instituições; através das diversas interações e convivências cotidianas aprendemos costumes de determinado local, a cultura, as linguagens e regras, o que se tornam comportamentos “aceitáveis” ou não.

A interação entre os seres faz parte da “sociabilização” e é indispensável não só ao ensino e desenvolvimento intelectual como também é importante para o desenvolvimento pessoal, afinal o homem é um ser social e a base de sua formação está diretamente vinculada a determinada sociedade, embora existam exceções, a maioria dos indivíduos depende da convivência com outros para sua sobrevivência e desenvolvimento. Os valores compartilhados pela cultura moldam identidades e a própria sociedade (KLIKSBERG, 2001; KELLNER, 2001).

O avanço tecnológico possibilitou a proximidade e interação de diversos indivíduos, povos e culturas diferentes e o conhecimento “mais acessível”, ainda que necessitem de recursos e interesse para que a tecnologia possa ser amplamente divulgada e aproveitada. Em parte, o investimento ocorre por uma demanda específica da sociedade, por um interesse particular e até mesmo por ‘acidentes fortuitos’ - quando uma determinada pesquisa, projeto ou atividade não leva ao objetivo estabelecido inicialmente, mas seus resultados são aproveitados de forma positiva no desenvolvimento de outros projetos ou atividades.

A educação tem como base a formação do indivíduo e da sociedade. A conscientização parte da noção deste indivíduo “formado” e capacitado a pensar por si e de forma reflexiva e crítica. A conscientização e conhecimento é base para qualquer ação que possa beneficiar a sociedade como um todo. Mas se deve tomar cuidado com a “saturação”: o acúmulo de informações que leva a uma letargia e descrença na melhora da sociedade levando a um estado de desespero e angústia não é bom; manter-se em isolamento e alienado é outro extremo a ser evitado. Extremos, geralmente não levam a um resultado positivo, pelo menos não aos esperados por seus executores e dificilmente consegue um apoio efetivo da maioria. Independentemente da crença, ideologia, formação familiar, religiosa, político-social, cultural, somos todos parte da sociedade, compartilhamos o mesmo planeta, necessitamos do mesmo ar, a mesma água.


Referências Bibliográficas


ALMEIDA, Maria da Conceição de; KNOBB, Margarida; ALMEIDA, Angela Maria de (org.). Polifônicas Idéias: por uma ciência aberta. Porto Alegre: Sulina, 2003.


BURSZTYN, Marcel. Ciência, Ética e Sustentabilidade: desafios ao novo século, 2ª. ed., São Paulo:Cortez; Brasília: UNESCO, 2001.


CARVALHO, Edgar de Assis. Enigmas da Cultura. São Paulo, Cortez, 2003.


CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede: A Era da Informação: economia, sociedade e cultura. vol. 1, 9ª. ed. Revisada e ampliada. São Paulo, Paz e Terra, 2006.


________. A Galáxia Internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.


FLORIANI, Dimas. Conhecimento, Meio Ambiente e Globalização. Curitiba: Juruá, 2004.


KELLNER, Douglas. A Cultura da Mídia – Estudos Culturais: identidade e política entre o moderno e o pós-moderno. Bauru: Edusc, 2001.


KLIKSBERG, Bernardo. Falácias e Mitos do Desenvolvimento Social. São Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2001.


LEFF, Enrique (coord.) A Complexidade Ambiental. São Paulo: Cortez, 2003.


MORIN, Edgar. Educar na Era Planetária: o pensamento complexo como método de aprendizagem no erro e na incerteza humana. São Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2003.


RIBEIRO, Gustavo Lins. Cultura e Política no Mundo Contemporâneo: Paisagens e passagens. Brasília: Ed. UnB, 2000.


SACHS, Ignacy. Sociedade, Cultura e Meio Ambiente. Palestra Ecole des Hautes Etudes em Sciences Sociales, Paris, França. Revista Mundo & Vida. Vol. 2(1), 2000. Disponível em . Acesso em 21/05/2007.


SANTOS, Boaventura de Souza. Um Discurso sobre as Ciências. São Paulo: Cortez, 2003.