O objetivo é desenvolver o pensamento sobre a questão ambiental - as diversas perspectivas envolvidas e os debates gerados pela temática.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Quando a dúvida passa a ser superior a qualquer coisa...
domingo, 15 de março de 2009
Treinamento x Conscientização x Educação X prática
Os problemas 'modernos' são, em grande parte, resquícios de situações que não foram resolvidas ou "previstas" no passado. Caso isso fosse possível, não haveriam crises e preocupações no mundo e, talvez, em um mundo que não houvesse surpresas e dificuldades não houvesse também criatividade e raciocínios "lógicos". Não saber o que vai acontecer faz parte do que somos, de como agimos e pensamos. Ainda que exista uma lógica e conhecimento sobre a brevidade e finitude de nossas vidas há uma preocupação com o FUTURO. Seja por acharmos que vamos viver por muito tempo, seja preocupado com a próxima geração.
A educação e a memória são interligadas. O progresso ocorre 'superando' dilemas, problemas e dificuldades que surgiram e vão sendo resolvidas ao logo do tempo, o que não deixa de criar novos dilemas, problemas e dificuldades. Cada geração pode ser diferente, mesmo que os problemas sejam semelhantes. "Cada cabeça, uma sentença" .. . Cada geração, uma (ou várias) influência...
Há um debate muito mais rico do que este apresentado, mas isto é só para situar o nosso diálogo. Se as influências marcam uma geração, há também exceções, o que significa que isto não ocorre por um movimento homogêneo e linear. Ainda mais na sociedade atual em que as configurações dos transportes e das comunicações possibilitam contatos, saberes e conhecimentos que ultrapassam a barreira do espaço tempos. Múltiplas influências ocasionam um hibridismo sem fronteiras, limitado pelo acesso (ou falta de acesso) disponível. Temos que ter ressalvas também nestas possíveis mesclas e até que ponto afetam diferentes pessoas e diferentes sociedades.
O treinamento é diferente? A educação também? O que a teoria e a prática podem nos dizer? Há teorias e práticas? Até que ponto concordamos em "bens comuns da humanidade"? Até que ponto compartilhamos sentimentos de "paz", "educação", "segurança", "HUMANIDADE"?
Por que iniciei a questão com o treinamento? Supõe-se que é uma forma de controle? De padronização? Ou é um processo educacional? Uma forma de aprendizado? Aprendizado e educação são diferentes?
São mais questões do que respostas, mas ainda assim é interessante que a discussão seja ampliada, difundida e pensada. O treinamento em si não quer significa um processo bom ou ruim, depende do referencial e da "utilidade" deste treino: treinar e desenvolver a escrita, o raciocínio lógico, o pensamento, a cordialidade pode ser visto como uma coisa boa, agora usar este conhecimento para enganar pessoas, roubar e fraudar instituições, nem tanto. Treinar e fortalecer o corpo para a saúde e o bem-estar são louvados como caminho para uma vida mais equilibrada, longínqua e menos sedentária, agora o mesmo treinamento para uma briga de rua....
O referencial é importante! E quando trazemos a análise para a questão ambiental é fundamental sabermos o que queremos dizer e dizer da forma mais clara e direta possível. Sem banalizar ou criar "sensos comuns" vazios. O treinamento é interligado e conjunto de práticas sociais, culturais educativas ou não, serve para a padronização do comportamento em alguns aspectos e por isso a educação e a conscientização deve ser base de qualquer processo.
Educar é buscar entendimento, compreensão e raciocício próprio, desenvolvido através da reflexão, treinamento, práticas e experiências. O local e o tempo em que ocorrem variam com a situação, também a forma como acontece. Muito da educação, ou melhor do que se fala em Educação, hoje se concentra no seu aspecto formal e institucionalizado (principalmente escolas e seus desdobramentos), mas não podemos esquecer que este é apenas um dos vários aspectos da Educação, não quer dizer que seja o mais importante ou o aspecto definitivo e definidor.
Até que ponto a escola, a faculdade, o templo e as várias instituições influenciam e "definem" uma pessoa? Devemos considerar a situação e o espaço e a forma da sociedade, cultura, economia, religião, família, governos e uma série de fatores que permeiam os indivíduos e refletem nas organizações e processos educacionais.
A conscientização pode facilitar a ação e a mudança de atitudes, pois torna o conhecimento mais amplo e mais próximo das pessoas, aumenta a percepção sobre a realidade e seus problemas, mas também não é o fator definitivo das mudanças. Todos os processos: Educação, treinamento, conscientização, práticas e experiências fazem parte da nossa vida e não podem ser vistas de forma fragmentada, independente ou imutável. A preocupação ambiental é recorrente na história humana, sua intensidade pode variar com o tempo e depende do local, mas não podemos afirmar que deixou de existir em algum momento e que foi o mesmo processo e a mesma intensidade em todos os lugares. A situação atual nos coloca em grande reflexão sobre o futuro da humanidade, cada um relativizando sua importância, mas ainda assim um movimento crescente é visível. Se haverá sucesso em um respeito maior, não só para a proteção e preservação ambiental, mas respeito a questão humana também é ainda um desejo a ser trabalhado.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
A Transdisciplinaridade e a(s) visão(ões) de Mundo
O conhecimento é importante em todos os aspectos: o raciocínio e a opinião não conseguem se desenvolver sem as diversas influências do cotidiano, das informações fornecidas, daquilo que vemos, ouvimos, sentimos e a reflexão para combinar os diversos saberes de forma abrangente, agregada e interligada; é através das diversas experiências (inter e intra pessoais) que nos formamos e nos reconhecemos como indivíduos. A Transdisciplinaridade busca unir essas diversidades, respeitando as especialidades, mas sem esquecer a necessidade dos outros conhecimentos, das práticas e ações e influências que fazem parte da experiência humana.
Como delimitar qual "tema" é mais importante? Que opinião é a melhor? Que método/ procedimento devemos adotar? Como iniciar um estudo? Como é o mundo? E várias outras perguntas surgem quando analisamos a questão ambiental e até mesmo outras questões. Existem diversos motivos capazes de levar a uma resposta diferente, pode variar muito dependendo da pessoa, afinal de contas estas são perguntas pessoais.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Educação Para que/ Para quem
A proposta da educação como forma de treinamento, formação e informação segue alguns “modelos” e “padrões”; métodos de ensino e pesquisa variam de acordo com a instituição de ensino, seus objetivos, recursos, docentes e também mobilização e interesse dos estudantes e da sociedade; além de uma série de outros fatores que transformam tais instituições em exemplos (a serem seguidos ou evitados).
Mas essa forma de ensino institucional é apenas uma das formas da educação, geralmente é a que tem mais destaque nas sociedades modernas, justamente pelo seu caráter burocratizado e padronizado de treinamento - através de provas, testes e outros tipos de exames capazes de ‘classificar’ as pessoas através de notas. De certa forma, a sociedade está em constante avaliação por parte de seus integrantes. A competitividade é altamente estimulada nas diversas atividades e, em muitos casos, recompensada - financeiramente ou através de um reconhecimento, um “status”. O ensino considerado “não-formal” é aquele que aprendemos durante toda a nossa vida e em todos os momentos, mesmo dentro das instituições; através das diversas interações e convivências cotidianas aprendemos costumes de determinado local, a cultura, as linguagens e regras, o que se tornam comportamentos “aceitáveis” ou não.
A interação entre os seres faz parte da “sociabilização” e é indispensável não só ao ensino e desenvolvimento intelectual como também é importante para o desenvolvimento pessoal, afinal o homem é um ser social e a base de sua formação está diretamente vinculada a determinada sociedade, embora existam exceções, a maioria dos indivíduos depende da convivência com outros para sua sobrevivência e desenvolvimento. Os valores compartilhados pela cultura moldam identidades e a própria sociedade (KLIKSBERG, 2001; KELLNER, 2001).
O avanço tecnológico possibilitou a proximidade e interação de diversos indivíduos, povos e culturas diferentes e o conhecimento “mais acessível”, ainda que necessitem de recursos e interesse para que a tecnologia possa ser amplamente divulgada e aproveitada. Em parte, o investimento ocorre por uma demanda específica da sociedade, por um interesse particular e até mesmo por ‘acidentes fortuitos’ - quando uma determinada pesquisa, projeto ou atividade não leva ao objetivo estabelecido inicialmente, mas seus resultados são aproveitados de forma positiva no desenvolvimento de outros projetos ou atividades.
A educação tem como base a formação do indivíduo e da sociedade. A conscientização parte da noção deste indivíduo “formado” e capacitado a pensar por si e de forma reflexiva e crítica. A conscientização e conhecimento é base para qualquer ação que possa beneficiar a sociedade como um todo. Mas se deve tomar cuidado com a “saturação”: o acúmulo de informações que leva a uma letargia e descrença na melhora da sociedade levando a um estado de desespero e angústia não é bom; manter-se em isolamento e alienado é outro extremo a ser evitado. Extremos, geralmente não levam a um resultado positivo, pelo menos não aos esperados por seus executores e dificilmente consegue um apoio efetivo da maioria. Independentemente da crença, ideologia, formação familiar, religiosa, político-social, cultural, somos todos parte da sociedade, compartilhamos o mesmo planeta, necessitamos do mesmo ar, a mesma água.
Referências Bibliográficas
ALMEIDA, Maria da Conceição de; KNOBB, Margarida; ALMEIDA, Angela Maria de (org.). Polifônicas Idéias: por uma ciência aberta. Porto Alegre: Sulina, 2003.
BURSZTYN, Marcel. Ciência, Ética e Sustentabilidade: desafios ao novo século, 2ª. ed., São Paulo:Cortez; Brasília: UNESCO, 2001.
CARVALHO, Edgar de Assis. Enigmas da Cultura. São Paulo, Cortez, 2003.
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede: A Era da Informação: economia, sociedade e cultura. vol. 1, 9ª. ed. Revisada e ampliada. São Paulo, Paz e Terra, 2006.
________. A Galáxia Internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.
FLORIANI, Dimas. Conhecimento, Meio Ambiente e Globalização. Curitiba: Juruá, 2004.
KELLNER, Douglas. A Cultura da Mídia – Estudos Culturais: identidade e política entre o moderno e o pós-moderno. Bauru: Edusc, 2001.
KLIKSBERG, Bernardo. Falácias e Mitos do Desenvolvimento Social. São Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2001.
LEFF, Enrique (coord.) A Complexidade Ambiental. São Paulo: Cortez, 2003.
MORIN, Edgar. Educar na Era Planetária: o pensamento complexo como método de aprendizagem no erro e na incerteza humana. São Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2003.
RIBEIRO, Gustavo Lins. Cultura e Política no Mundo Contemporâneo: Paisagens e passagens. Brasília: Ed. UnB, 2000.
SACHS, Ignacy. Sociedade, Cultura e Meio Ambiente. Palestra Ecole des Hautes Etudes em Sciences Sociales, Paris, França. Revista Mundo & Vida. Vol. 2(1), 2000. Disponível em