O objetivo é desenvolver o pensamento sobre a questão ambiental - as diversas perspectivas envolvidas e os debates gerados pela temática.
Mostrando postagens com marcador Cultura e Sociedade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cultura e Sociedade. Mostrar todas as postagens
sábado, 18 de setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
A imaginação é limitada apenas por aquele que imagina
Imagine uma fila qualquer, enorme, em um dia quente e em um lugar abafado e mal-cheiroso, em que um sujeito está sendo enxotado dela, simplesmente por ceder seu lugar a um senhor idoso e com claros problemas respiratórios e nas pernas. O sujeito ainda por cima é expulso do local por seguranças carrancudos que por pouco não espancam o pobre samaritano.
Isso pode parecer um absurdo para muitas pessoas, para mim seria deprimente e chocante. Mas, aqui vai a pergunta que não quer calar: Quantas pessoas seriam capazes de fazer algo a respeito? Quantos teriam coragem para se manifestar e impedir que esse absurdo não seja comum e nem cotidiano? Ou será que a maioria aceitaria passivamente ou, no máximo, resmungaria pelo canto da boca e continuaria com o que está fazendo?
Confesso, provavelmente não me manifestaria, se não fosse eu o cara sendo expulso, e mesmo que fosse não sei como reagiria. Talvez nos dois casos seria indiferença a primeira reação. Talvez, xingar muito as pessoas, não pessoalmente, com medo de ser espancado ou de levar um tiro por bobeira. Talvez, anonimamente em um desses sites e blogs quaisquer. Quem sabe até criar uma identidade secreta em um mundo virtual, e lá ser o rei supremo e soberano, o valentão, o cruel, o sanguinário ou qualquer outra coisa que não sou na verdade.
As reações das pessoas podem variar e fazer o exercício de se colocar no lugar dos vários personagens pode dar uma visão mais ampla do que sendo simples espectador: E se você fosse a pessoa expulsa? Se fosse alguém na fila naquele momento? Se fosse você quem tirasse o sujeito que cedeu o lugar da fila? Se fosse o idoso? Se fosse um dos seguranças? Se fosse o dono do estabelecimento? Se fosse a pessoa que reclamou para os seguranças? Enfim, diversas possibilidades, perspectivas, visões e ações em uma situação qualquer.
Tudo torna eventos aparentemente simples em algo complexo. A percepção muda com o tempo, a atitude também, o aprendizado e a experiência são fundamentais. Por exemplo, se todos começassem a andar com uma luva branca padrão, em apenas uma das mãos, sem motivo algum inicialmente. Quanto tempo até alguém buscar uma explicação e dar algum sentido para essa atitude desconexa? Outras questões como: Será que todos usariam a luva na mesma mão? E quanto tempo para as próprias pessoas usando a luva se convencerem de que há um bom motivo para o uso dessa luva? Seria uma mesma explicação para todos os usuários? Quanto tempo levaria para surgir luvas diferentes, nos modelos, materiais formatos, cores e personalizações? E até essa prática ser abandonada?
Tudo isso depende de uma série de outros fatores que podem ser imaginados, como quem impôs essa luva para começo de conversa? (não fui eu); quem acatou sofreu algum tipo de pressões, coerção ou coação? Qual a posição do governo, das empresas e dos movimentos sociais? Isso foi uma política pública? Uma medida cautelar ou preventiva? Um tipo de identificação? Costume? Moda? Enfim, questionamentos que vão longe...
Isso sempre me lembra de alguns poemas (Um breve parêntese antes: palavras são fantásticas e poderosas, podem estimular, informar, denegrir, irritar, apaixonar, enojar, envergonhar e tantas outras reações e o poema em poucas palavras reunidas podem intensificar dada a sonoridade, a musicalidade, a rima e o sentimento, por isso é tão marcante, mesmo que nem sempre possamos lembrar de tudo, ainda podem ser marcantes).
Isso pode parecer um absurdo para muitas pessoas, para mim seria deprimente e chocante. Mas, aqui vai a pergunta que não quer calar: Quantas pessoas seriam capazes de fazer algo a respeito? Quantos teriam coragem para se manifestar e impedir que esse absurdo não seja comum e nem cotidiano? Ou será que a maioria aceitaria passivamente ou, no máximo, resmungaria pelo canto da boca e continuaria com o que está fazendo?
Confesso, provavelmente não me manifestaria, se não fosse eu o cara sendo expulso, e mesmo que fosse não sei como reagiria. Talvez nos dois casos seria indiferença a primeira reação. Talvez, xingar muito as pessoas, não pessoalmente, com medo de ser espancado ou de levar um tiro por bobeira. Talvez, anonimamente em um desses sites e blogs quaisquer. Quem sabe até criar uma identidade secreta em um mundo virtual, e lá ser o rei supremo e soberano, o valentão, o cruel, o sanguinário ou qualquer outra coisa que não sou na verdade.
As reações das pessoas podem variar e fazer o exercício de se colocar no lugar dos vários personagens pode dar uma visão mais ampla do que sendo simples espectador: E se você fosse a pessoa expulsa? Se fosse alguém na fila naquele momento? Se fosse você quem tirasse o sujeito que cedeu o lugar da fila? Se fosse o idoso? Se fosse um dos seguranças? Se fosse o dono do estabelecimento? Se fosse a pessoa que reclamou para os seguranças? Enfim, diversas possibilidades, perspectivas, visões e ações em uma situação qualquer.
Tudo torna eventos aparentemente simples em algo complexo. A percepção muda com o tempo, a atitude também, o aprendizado e a experiência são fundamentais. Por exemplo, se todos começassem a andar com uma luva branca padrão, em apenas uma das mãos, sem motivo algum inicialmente. Quanto tempo até alguém buscar uma explicação e dar algum sentido para essa atitude desconexa? Outras questões como: Será que todos usariam a luva na mesma mão? E quanto tempo para as próprias pessoas usando a luva se convencerem de que há um bom motivo para o uso dessa luva? Seria uma mesma explicação para todos os usuários? Quanto tempo levaria para surgir luvas diferentes, nos modelos, materiais formatos, cores e personalizações? E até essa prática ser abandonada?
Tudo isso depende de uma série de outros fatores que podem ser imaginados, como quem impôs essa luva para começo de conversa? (não fui eu); quem acatou sofreu algum tipo de pressões, coerção ou coação? Qual a posição do governo, das empresas e dos movimentos sociais? Isso foi uma política pública? Uma medida cautelar ou preventiva? Um tipo de identificação? Costume? Moda? Enfim, questionamentos que vão longe...
Isso sempre me lembra de alguns poemas (Um breve parêntese antes: palavras são fantásticas e poderosas, podem estimular, informar, denegrir, irritar, apaixonar, enojar, envergonhar e tantas outras reações e o poema em poucas palavras reunidas podem intensificar dada a sonoridade, a musicalidade, a rima e o sentimento, por isso é tão marcante, mesmo que nem sempre possamos lembrar de tudo, ainda podem ser marcantes).
Um é o poema de Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa):
Poema em Linha Reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
---
Os outros são do Carlos Drummond de Andrade:
Os Ombros Suportam o Mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue,
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
preferiam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
----
O Homem; As Viagens
O homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.
Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto — é isto?
Idem
Idem
Idem.
O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.
---
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Pensar o futuro e o dia Mundial do Meio Ambiente: exorcizando os demonios, conscientizando as pessoas ou mais um grande show de fumaça?
Às vezes me preocupo com o futuro. Quem não se preocupa? Você pode até pensar que não tem nada a ver com isso... Aquela velha desculpa: "Não vou estar vivo mesmo....". Mas isso é uma justificativa aceitável.
Só pelo fato de não estar mais vivo te torna menos responsável pelos seus atos? Ou pelos impactos e consequências que eles vão causar?
Outra desculpa é que não existe tempo nem para cuidar de mim mesmo, quem dirá dos outros...
E há milhares de desculpas, muitas esfarrapadas, algumas razoáveis e outras nem tanto para não termos que enfrentar nossas "culpas". Digo culpa no sentido de coisas que podem fazer mal, direta ou indiretamente a outras pessoas, nem por isso as pessoas se sentem necessariamente culpadas.
Como justificar, por exemplo, a falta de respeito e educação de uma pessoa que joga lixo em vias públicas? Seja de um papel de bala ou uma bituca de cigarro a um sofá ou armário. Mesmo que o nível do impacto seja diferente o ato em si é uma barbaridade para uns, comuns e indiferente para outros.
Provavelmente, muitas das pessoas não pensam que seus atos aparente insignificantes podem ocasionar desastres terríveis. Imaginem milhões de bitucas de cigarros em um bueiro.... ou será que pararam para pensar no destino desse dejeto descartado de forma inapropriada? Nem vamos entrar no mérito (ou na falta de) do próprio ato de fumar. Mas quando uma pessoa reclama que houve aumento em um determinado imposto relativo à limpeza urbana ou tratamento de esgoto e água, será que ela consegue relacionar com o papel de bala "insignificante"? Também não vamos entrar no mérito dos desvios e falta de competências na administração pública. Mas o quanto devemos pensar no coletivo?
Em datas comemorativas, como o dia do Meio Ambiente (5/06) por vir, o empenho e o sentimento afloram de forma surpreendente, iniciativas que não ocorrem no cotidiano, podem mudar nestes dias. Mas a questão ambiental, infelizmente para uns, não se contenta com apenas alguns dias de cuidado. Assim como deveríamos respirar e nos alimentar diariamente e ter condições decentes e de qualidade nesses processos, assim deveria ser o tratamento com o nosso entorno.
Não devemos confundir a questão ambiental como "apenas" cuidar de plantinhas e do "verde", esse é um fator importante, mas o ser humano faz parte de um ecossistema que tem na base justamente essas plantinhas, sem ela não há alimento, não há vida. Podemos substituir nossa alimentação por sintéticos? Podemos ter produtos que não dependam da natureza? Dificilmente conseguiríamos ter uma qualidade de vida decente sem aquilo que foi produzido naturalmente, através de um complexo sistema do qual também fazemos parte. Talvez, nosso maior mérito esteja na capacidade de entender um pouco melhor algumas etapas e processos desse sistema e, assim, facilitar e até controlar a multiplicação e reprodução de plantas e animais que nos alimentam, nos vestem, nos curam, nos protegem e permitem o desenvolvimento de nossas capacidades e criatividade.
A ideia de Mãe-Terra, desse ponto de vista, parece muito apropriada. A visão de que somos, então, os filhos rebeldes e ingratos, mais ainda. Retribuímos com dor e desprezo na maior parte do tempo, muitas vezes, porque damos créditos demais a nós mesmos, em coisas que não dependem tanto assim da gente.
Indo além dessa ideia, e se pensarmos que todos somos filhos da mesma mãe, então somos irmãos e vivemos em uma grande e única comunidade. Mas que entra em conflitos e desentendimentos ferozes, em busca da vã riqueza e da noção e percepção de poder, que busca conquistar os confins da Terra, sem ao menos saber o motivo dessa ganância insensata. Será que é para ser o macho alfa? O dono do mundo? O manda chuva? Ou tem mais a ver com a insegurança? O medo (da morte, do esquecimento)? A insatisfação consigo mesmo? O sentimento de frustração, ambição e angústia?
Tentar entender a complexa psicologia por trás de certas ações é uma coisa que vai além das minhas capacidades, mas não é um único fator que determina o sucesso e o fracasso.
Podemos apelar para o sobrenatural ou mesmo uma força maior, dependendo do caso para entender a sociedade moderna, a criação de mitos, superstições, religiões e crenças fazem parte do nosso imaginário, tentamos com isso explicar nossa existência e achar algum motivo e sentido para a vida. Existem diferentes visões de mundo por motivos, lugares, pessoas, contextos e tempos diferentes, que estão ligadas pela relação homem/natureza/sociedade.
Mudam-se o tempo, mudam-se as pessoas, mudam-se os problemas e as prioridades. Hoje, temos um acervo de experiências passadas que permitem pensar em coisas e possibilidades que não eram possíveis em outros tempos. Embora sempre existam pessoas consideradas "fora" de seu tempo, a preocupação ambiental vem ganhando espaço como tema importante para o futuro da humanidade. Mas ainda existe um longo caminho a se percorrer, pois enquanto o tratamento for apenas funcional e persistirem a visão objetificando e coisificando até o próprio ser humano, provavelmente não teremos muitos avanços e sucessos.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Parece que o sentido de urgência não é tão urgente assim.. O consumo como exemplo
A questão ambiental teve um período de euforia e crescimento entre os anos 1980 e 1990, principalmente da preparação da ECO-92 e após suas resoluções. Mesmo com diversos entraves e concessões durante a reunião, houve avanços signficativo das discussões ea ações ambientais em uma Conferência das Nações Unidas - que foi a segunda nesses moldes e amplitude, vinte anos após a realização da primeira e em um sistema internacional diferente de antes, com mudanças recentes e ainda não muito bem estabelecidas. Assim, mostrava-se promissor pensar a qualidade de vida dessa e das próximas gerações.
Infelizmente, parece que nos últimos anos essas preocupações, ainda que ainda existentes, estão mais diluídas. Isso quer dizer que o senso de urgência da questão ambiental nos fins do século XX parecem ter diminuído no fim da primeira década do século XXI. Será essa uma realidade? Ou é apenas impressão?
É fato que as quantidades de projetos, produtos e ações envolvendo a questão ambiental e principalmente os riscos da mudança climática sejam hoje muito maiores do que na década retrasada. Que os processos industriais queiram ser cada vez menos poluentes e mais sustentáveis, mesmo que por motivos de marketing vem se aumentando. Aí o problema é saber se são só propagandas e distorções da realidade ou uma efetiva mudança no comportamento empresarial e do consumidor. Além de levar em conta o que se pensa em Sustentabilidade, pois pode significar coisas diferentes...
Um exemplo simples: Uma determinada fábrica que coloca em suas embalagens o adjetivo "eco" em seus produtos dá a entender que é um produto que é feito através de um processo sustentável, quando na verdade não o é. Isso por uma série de questões e uma delas é o fator de compensação. Não é necessariamente o produto que deixou de ser poluente ou que degrade a natureza, mas houve algum tipo de política compensatória, como políticas de reflorestamento. E assim um produto "eco" será compensado (através do reflorestamento) de sua poluição presente em um futuro não definido.
Outras questões também devem ser consideradas como qualidade de vida dos empregados, uso consciente dos recursos, reciclagem otimização e gerenciamento que fazem parte do cotidiano das empresas e não apenas dos produtos. Não adianta muito falar em um produto ecológico, se os trabalhadores que fazem esse produto estão em condições precárias de trabalho, salário e segurança.
Mas as informações que o público e o consumidor têm são bem limitadas nesse sentido. As propagandas enganosas nos fazem pensar que certo produto está dentro de um padrão de Sustentabilidade. Mas cada um parece ter um padrão próprio ou uma noção, no mínimo peculiar, do que é Sustentabilidade e o que se deve fazer para que consegui-la.
Nesse percurso acabamos nos tornando reféns de uma indústria perversa que mascaram e maquiam seus velhos produtos poluidores e ultrapassados com roupagens "eco" e "sustentável". A falta de informação e a falta de vontade por mais informações corretas acabam facilitando a ocorrência dessas situações. E o que precisaria ser revisto, cuidado e melhorado acabam ficando de lado. As preocupações de antes são amenizadas, mesmo que os problemas ainda sejam os mesmos, apenas mascarados e deixados de lado.
Infelizmente, parece que nos últimos anos essas preocupações, ainda que ainda existentes, estão mais diluídas. Isso quer dizer que o senso de urgência da questão ambiental nos fins do século XX parecem ter diminuído no fim da primeira década do século XXI. Será essa uma realidade? Ou é apenas impressão?
É fato que as quantidades de projetos, produtos e ações envolvendo a questão ambiental e principalmente os riscos da mudança climática sejam hoje muito maiores do que na década retrasada. Que os processos industriais queiram ser cada vez menos poluentes e mais sustentáveis, mesmo que por motivos de marketing vem se aumentando. Aí o problema é saber se são só propagandas e distorções da realidade ou uma efetiva mudança no comportamento empresarial e do consumidor. Além de levar em conta o que se pensa em Sustentabilidade, pois pode significar coisas diferentes...
Um exemplo simples: Uma determinada fábrica que coloca em suas embalagens o adjetivo "eco" em seus produtos dá a entender que é um produto que é feito através de um processo sustentável, quando na verdade não o é. Isso por uma série de questões e uma delas é o fator de compensação. Não é necessariamente o produto que deixou de ser poluente ou que degrade a natureza, mas houve algum tipo de política compensatória, como políticas de reflorestamento. E assim um produto "eco" será compensado (através do reflorestamento) de sua poluição presente em um futuro não definido.
Outras questões também devem ser consideradas como qualidade de vida dos empregados, uso consciente dos recursos, reciclagem otimização e gerenciamento que fazem parte do cotidiano das empresas e não apenas dos produtos. Não adianta muito falar em um produto ecológico, se os trabalhadores que fazem esse produto estão em condições precárias de trabalho, salário e segurança.
Mas as informações que o público e o consumidor têm são bem limitadas nesse sentido. As propagandas enganosas nos fazem pensar que certo produto está dentro de um padrão de Sustentabilidade. Mas cada um parece ter um padrão próprio ou uma noção, no mínimo peculiar, do que é Sustentabilidade e o que se deve fazer para que consegui-la.
Nesse percurso acabamos nos tornando reféns de uma indústria perversa que mascaram e maquiam seus velhos produtos poluidores e ultrapassados com roupagens "eco" e "sustentável". A falta de informação e a falta de vontade por mais informações corretas acabam facilitando a ocorrência dessas situações. E o que precisaria ser revisto, cuidado e melhorado acabam ficando de lado. As preocupações de antes são amenizadas, mesmo que os problemas ainda sejam os mesmos, apenas mascarados e deixados de lado.
sábado, 10 de abril de 2010
Estamos preparados para a “Revolução Sustentável”?
Primeiramente, antes de criar algum tipo de desconforto, mas que, na verdade, foi a intenção ao usar o termo revolução, as aspas visam minimizar esse impacto, mas para esclarecer qualquer dúvida posterior. Revolução tem uma conotação e está impregnada a ideia de violência, imposição e no fim das contas um ar de fracasso. Isso por que as grandes revoluções do passado, embora com certos benefícios, em alguns pontos, deixaram marcas e traumas para a história humana.
O dicionário da língua portuguesa on-line, Michaelis, explica que a palavra:
Revolução (re.vo.lu.ção) sf (lat revolutione) 1 Ato ou efeito de revolver (o que estava sereno). 2 Ação ou efeito de revolucionar-se; revolta, sublevação. 3 Movimento súbito e generalizado, de caráter social e político, por meio do qual uma grande parte do povo procura conquistar, pela força, o governo do país, a fim de dar-lhe outra direção. 4 Mudança completa; reforma, transformação. 5 Mudança violenta nas instituições políticas de uma nação. 6 Modificação em qualquer ramo do pensamento humano, abandonando ideias, sistemas e métodos tradicionais para adotar novas técnicas: Revolução literária, artística, industrial. 7 Sistema de opiniões hostis ao passado e pelas quais se procura uma nova ordem de coisas, um futuro melhor. 8 Perturbação moral; indignação, agitação. 9 Med Movimento total de um órgão; movimento anormal dos humores orgânicos. 10 Impressão funda que qualquer ato da vida social de um povo causa no espírito dos cidadãos. 11 Acontecimentos naturais que perturbaram e mudaram a face ou constituição do globo. 12 Todo fato, cataclismo, fenômeno ou grupo de fenômenos que tem por fim alterar a constituição física de certo terreno ou região considerável. 13 Fís Movimento de um móvel que, percorrendo uma curva fechada, torna a passar sucessivamente pelos mesmos pontos. 14 Estado de uma coisa que se enrola, se revolve ou gira sobre si mesma. 15 pop Remoinho nos cabelos. 16 Náusea, repulsa, nojo. 17 Agr Tempo que medeia entre um corte de arvoredo e outro corte no mesmo talhão. 18 Astr Tempo que um astro gasta para descrever o curso de sua órbita. 19 Volta completa de um objeto que gira ao redor de um ponto ou de um eixo. 20 Astr Volta periódica de um astro ao seu ponto de partida. 21 Geom Movimento suposto de um plano em volta de um dos seus lados, para gerar um sólido. 22 Mec Giro completo do eixo de um motor ou de qualquer peça em movimento giratório. R. sideral: retorno de um astro ao mesmo ponto do céu.
Disponível em:
Podemos perceber de acordo com o dicionário a palavra revolução tem diversos significados, dependendo do contexto e da temática em que está inserida. A maioria das definições, que dizem respeito às mudanças sociais, denota certos níveis de violência. Mas acredito que o mais próximo que quero dizer quando digo a “Revolução Sustentável” é a definição número 10: “Impressão funda que qualquer ato da vida social de um povo causa no espírito dos cidadãos”. E, discordando um pouco da assertiva número 7, pois o passado não deve ser ignorado se buscamos um futuro melhor. Em alguns casos podem até ser antagônico, já que visões românticas de muitos movimentos sociais prezam o passado, em que não havia grandes destruições ambientais e o ser humano respeitava e era mais “próximo” da natureza.
Mas o termo revolução tem seus méritos por mostrar um sentido de urgência, descontentamento e de desconforto com nossa atual situação. A necessidade de envolver todos os seres humanos é também uma característica diferencial, já que as revoltas costumam ser de uns contra os outros. Embora, existam visões que nem sempre partilham das mesmas opiniões e escolhas, ninguém parece ser “contra” o ambiente, nem mesmo de sua preservação, apenas discordam sobre a intensidade e rigor a serem aplicados.
Essas disputas ocorrem em todas as áreas, desde as práticas cotidianas como a escolha do que consumir, ao uso e exploração de recursos naturais, a adoção de regulamentação e licenças ambientais para produtos e obras, o selo ambiental, a rotulagem de alimentos, a fiscalização de empresas e os padrões (nacionais e internacionais) que serão adotados. Enfim, um sem-fim de coisas que podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida, mas que também implicam em mudanças profundas de hábitos, visões de mundo, modo de produção e que influência nas ofertas e demandas de determinados produtos e também no seu preço final e custo de produção.
Hoje, vemos que muitos produtos tem se utilizado das perspectivas “eco”, meramente como uma forma de propaganda, de modo a agregar um valor maior no produto final, sem estarem necessariamente preocupados com a ecologia e a sustentabilidade. Ainda temos uma visão de que o consumo desenfreado é bom, pelo menos para a economia. Afinal, quanto mais se consume, mais se têm que produzir e, isso significa mais fábricas e indústrias, que geram mais empregos. Mais pessoas empregadas são mais pessoas consumindo.
Esse ciclo viciado e vicioso, que é a base da lógica do mercado tem sérios problemas, afinal de contas os recursos para a produção de certos materiais e produtos tem limites, são escassos e finitos. Em um longo prazo, os mesmos motivos que levaram à prosperidade e crescimento de uma sociedade, podem significar o seu colapso. O professor de geografia da Universidade da Califórnia, Jared Diamond, na sua obra Colapso: como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso, de 2005 (lançado no Brasil pela Ed. Record), explica muito bem essa situação através da análise de diversas sociedades que ainda existem ou vieram a sucumbir.
Segundo Diamond, o colapso é
“... uma drástica redução da população e/ou complexidade política, econômica e social, numa área considerável, durante um longo tempo. O fenômeno do colapso é, portanto, uma forma extrema de diversos tipos mais brandos de declínio, e torna-se arbitrário decidir quão drástico deve ser o declínio de uma sociedade antes que se possa qualificá-lo como colapso. Alguns desses tipos mais brandos de declínio incluem pequenos altos e baixos normais do acaso; pequenas reestruturações políticas, econômicas e sociais características de qualquer sociedade; a conquista de uma sociedade por um vizinho ou o seu declínio ligado à ascensão de um vizinho, sem mudança no tamanho total da população ou na complexidade de toda a região; e a queda ou substituição de uma elite de governo por outra. De acordo com tais padrões, a maioria das pessoas concorda que as seguintes sociedades do passado foram vítimas ilustres de verdadeiros colapsos, mais do que de pequenos declínios: as sociedades anasazi e cahokia, dentro das fronteiras dos EUA contemporâneos; as cidades maias na América Central; as sociedades machica e Tiahuanaco, na América do Sul; a Grécia Miceniana e Creta Minóica, na Europa; o Grande Zimbábue, na África; as cidades asiáticas de Angkor Wat, da cultura harapa, no vale Indo; e a ilha de Páscoa no oceano Pacífico” (DIAMOND, 2009, p. 17-18).
O professor Diamond distingue oito categorias pelas quais as sociedades do passado teriam minado a si mesmas, cometendo ecocídio (suicídio ecológico não intencional):
“... desmatamento e destruição do hábitat, problemas com o solo (erosão, salinização e perda de fertilidade), problemas com o controle da água, sobrecaça, sobrepesca, efeitos da introdução de outras espécies sobre as espécies nativas e aumento per capita do impacto do crescimento demográfico” (p. 18-19).
Coloca ainda mais quatro ameaças modernas aliadas a essas oito:
“mudanças climáticas provocadas pelo homem, acúmulo de produtos químicos tóxicos no ambiente, carência de energia e utilização total da capacidade fotossintética do planeta. A maioria dessas 12 ameaças, acredita-se, se tornará crítica em âmbito mundial nas próximas décadas.” (p. 19)
Essa é uma obra riquíssima, bem detalhada sobre as diversas sociedades do passado que vieram a sucumbir por motivos diversos, não apenas o dano ambiental, mas também outros fatores que levaram ao colapso podem ajudar a entender nossa própria sociedade. A resposta da própria sociedade é fundamental para sua continuidade ou desaparecimento.
O interessante é perceber que há cada vez mais informações, estudos e evidências que comprovam que mesmo as civilizações mais evoluídas de outros tempos sucumbiram ao ignorar sinais de crise e não serem capazes de responderem aos desafios a tempo. Nós temos métodos e capacidades de análise cada vez mais superiores, o nível tecnológico diminuiu as distâncias e a partilha das informações e conhecimentos, mas isso não significa que temos problemas menores, em proporção, aos das antigas sociedades.
A ideia de um mundo melhor parece distante. Um mundo mais justo, igualitário, responsável, que haja respeito, dignidade, paz e segurança, liberdade e uma série de requisitos básicos para uma vida melhor, sem que isso seja uma batalha feroz e constante é de muitas formas um sonho. Por mais que pareça uma utopia e que estamos muito longe desse caminho há esperança, pelo menos da minha parte e de quem compartilha esse espírito, que um mundo melhor é possível e essa busca vale a pena.
Contudo, é preciso que haja uma nova forma de se pensar o mundo, de se entender e ser entendido, uma nova visão que não priorize tanto o mercado e a produção desenfreada e sem sentido, que não busque explorar e esgotar as capacidades que temos. Que não fomente preconceitos, opressões, exclusões e violências. Para isso, há de se ter solidariedade, amor, respeito, princípios éticos, morais e existenciais que propiciem a felicidade ou, pelo menos, a chance de obtê-la.
Bibliografia
DIAMOND, Jared. Colapso: como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso; tradução de Alexandre Raposo, 6a. edição. Rio de Janeiro: Ed. Record, 2009. 685 p.
terça-feira, 16 de março de 2010
Entre Belo Monte e a miopia de uma forma de pensar o futuro
Belo Monte, a próxima grande hidrelétrica brasileira, estimada a ser a terceira maior do mundo. Logo após Itaipú (na fronteira entre Brasil e Paraguai) e Três Gargantas (na China). Entre os vários problemas e polêmicas que essa iniciativa do governo brasileiro vem causando é a inundação de uma área aproximada de 500 km2 em plena floresta Amazônica, afetando também diversas populações ribeirinhas, inclusive indígenas.
A discussão sobre a necessidade ou não do empreendimento é longa. Mas acho que aqui cabe mostrar um outro ponto. Para começar a escolha desse projeto já é complicada e fala muito sobre a visão que o governo emprega sobre o que é geração de energia "limpa". Não é por que a emissão de CO2 é baixa após a instalação e funcionamento de uma usina que seus impactos não devem ser considerados.
Em qualquer empreendimento há impactos e desgastes técnicos e espaciais que não podem ser ignorados. A geração de energia de uma hidrelétria depende de sua capacidade de reserva e vazão de água. E a água vai ser um dos grandes desafios para as próximas décadas, contar com o que existe hoje para uma geração futura pode ser um erro catastrófico. Pensando por um lado positivo, eles terão que preservar muito para manter o nível perto de padrões atuais.
Entre as diversas alternativas muito mais compensadoras e mais sustentáveis, talvez não tão eficientes por enquanto, mostram potenciais de crescimento que não é possível com as grandes hidrelétricas. Ignorar a energia eólica e solar, principalmente nas regiões norte e nordeste do Brasil é um erro que já foi demonstrado diversas vezes. Até mesmo as diversas declarações de que o futuro é nuclear é preocupante.
Não é que essas formas de geração de energia são erradas, acho que em muitos casos ela pode ser aceitável. O que incomoda é que estão ignorando alternativas que podem ser muito mais compensadoras a longo prazo e que inclusive criaria incentivos à novas tecnologias e novas formas de pensar a infra-estrutura do país.
A discussão então é muito maior do uma instalação de uma represa gigantesca no meio da floresta acabando com tudo, dificultando acesso e provavelmente encarecendo a transmissão de energia e qualquer tipo de manutenção. É a visão de país que temos e qual país queremos no futuro, isso vai muito além da escolha de um modelo de geração de energia elétrica. Mas é representativo do que a política, cultura e sociedade se posiciona sobre o tema e como isso influencia todo o resto.
Além disso, um país que defende a diminuição da emissão de gases do efeito estufa e que tem seu maior problema no desmatamento e degradação de seu patrimônio natural, pode se dar ao luxo de inundar uma área riquíssima de floresta tropical? Acredito que não, principalmente por que há alternativas viáveis a esse projeto. Não é como se fosse a única escolha possível, mas infelizmente está sendo tratada desse modo por muitos. Isso é um atraso em tantos níveis que os impactos vão muito além dos 500 quilômetros quadrados.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Os motivos para ser ou não paranoia e sentimento de imbecilidade.
As questões ambientais já são temas constantes, tanto que chegam a um ponto de saturação em alguns casos. Não que seja uma coisa ruim, pelo contrário, a ideia de que há cada vez mais pessoas abordando e pensando sobre o assunto é melhor. O problema é quando se é bombardeado por coisas que acabam banalizando o assunto.
Ainda não cheguei a uma conclusão, mas acredito que estamos chegando mais perto do banal do que da reflexão e entendimento. Fica claro de que o debate sobre a Sustentabilidade veio para ficar, mas quem está debatendo e o que isso implica no nosso dia a dia é cada vez mais complicado.
As diversas notícias e debates tentando explicar o que é "sustentável" e "ecológico" passam por uma diversidade de abordagens que podem confundir o público em geral. Especialmente os que são mais suscetíveis a acreditar em "qualquer coisa", que geralmente são os mais afetados e que correm os maiores riscos. A desinformação é tamanha que pode-se deturpar até mesmo o senso comum.
Por exemplo, todos sabem que é preciso preservar as nossas florestas. Mas o por quê dessa preservação? Será que é para garantir a umidade relativa e a temperatura? Para que as próximas gerações tenham uma melhor qualidade de vida? Ou preservar a biodiversidade e a renovação e usos sustentáveis dos recursos naturais? Será que é para preservar a vida humana, o seu alimento e riqueza? Ou salvar o habitat natural dos seres vivos? Para garantir que não sejam dominados por outros Estados? Essas e tantas outras explicações fazem parte das motivações que uma pessoa tem para preservar a floresta.
Podem ser todas as questões acima e muitas outras. Existem até motivos para que a floresta não seja preservada, podem estar relacionadas com a questão dos recursos, riqueza e até mesmo fantasmas e espíritos ou outras explicações. Enfim, o motivo que cada um pode ter é praticamente infinito. Isso não significa que não se pode chegar a certo parâmetros e algum senso comum, sendo assim os fantasmas, malignos ou não, não teriam muita força como justificativa para se destruir a floresta, pelo menos não nesse século. Espero eu.
No final das contas são tantas abordagens, experiências, visões e sentimentos envolvidos que não se pode estreitar o debate em generalizações simplórias, nem por isso transformar em um culto alienígena.
O processo em que a sociedade vai se adaptar depende de uma série de fatores: meio ambiente, educação, cultura, economia, a própria sociedade, sua estrutura e capacidade de adaptação, integração e interação intra e internacionais, informação e os processos comunicativos e midiáticos, tecnologia, subjetividade, política e tantas outras que tornar o quadro geral uma trama tão complexa quanto frágil.
Fazer desse emaranhado algo compreensível não é fácil, muito menos prever o resultado final. Afinal, o fator humano é o diferencial mais significativo e mais imprevisível dessa equação. São coisas que podem surpreender e chocar, mas também emocionar e maravilhar. Acho que os sentimentos, aliados a capacidade comunicativa, são elementos fundamentais nas nossas vidas.
Não devemos menosprezar o poder da linguagem e do discursos capaz de mobilizar milhões de pessoas, para o bem ou para o mal. A emoção é um sentimento poderoso: A imagem de uma floresta sendo incinerada, enquanto os animais tentam escapar pode fazer uma campanha de preservação e combate ao desmatamento e incêndios criminosos muito mais efetiva e eficaz, com maiores colaborações, denúncias e mobilizações do que uma nota técnica cheia de dados, fatos e estatísticas apresentadas de forma técnica e imparcial.
Isso pode ser visto como manipulação, e não deixa de ser. Por mais que uma informação ou notícia seja apresentada de forma imparcial ela tem uma influência e uma tendência por trás dela, variando de intensidade e exposição, mas que nem sempre são capazes de influenciar a opinião pública.
Há casos em que mesmo essa imparcialidade leva a polêmicas, mais pelo tema em si do que por quem noticiou o fato. Afinal é cada vez mais difícil esconder o fato em si do que deturpar o seu significado. Então há noticiários tendenciosos ou não, editoriais, formas de publicidade e propagandas que buscam informar o cidadão do fato e, talvez mais ainda, dar a esse fato um significado e/ou explicação que mais lhe seja "apropriado".
Existem momentos e temas que podem realmente confundir a cabeça de tantos lados e possibilidades que se apresentam. E isso pode levar alguém ao extremo de não confiar mais em nada em ninguém e achar que tudo é uma grande invenção da CIA ou dos alienígenas. E nem saber qual dos dois é mais "malvado". Podem inclusive levar a mal entendidos e mal estar constantes, principalmente por parte dos políticos e humoristas por declarações confusas e mal esclarecidas e como são interpretadas e reproduzidas.
É preciso ter cuidado para não ser enganado ou se confundir com o tanto de informações que recebemos, tomar cuidado também com a fonte e origem dessa informação, se é verdadeira e se existe uma base para ela. Criar informações falsas e disseminar boatos é extremamente fácil na era da Internet e da comunicação instantânea.
Novos problemas surgem e as adaptações e soluções também aparecem. Só não podemos esperar que os outros façam TUDO para nós, pois corremos o risco de estarmos sendo completamente enganados e sem ao menos perceber. Também não se pode ir ao outro extremo e se isolar e tentar fazer tudo sozinho, afinal é quase impossível e muitas coisas que fazemos sozinho não são tão boas assim. Não é verdade?
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
As lições que aprendemos informalmente
O ensino se tornou cada vez mais profissional, especializado e um tanto confuso. Essa confusão não vem do ensino em si, mas da visão e importância que ele tem para nós, isso significa que, embora seja fundamental para o desenvolvimento e entendimento de uma pessoa não significa que seja percebido como importante ou mesmo necessário.
Outro problema é a especialização do ensino, não que a especialização não deva existir, mas me refiro a esta ser cada vez mais precoce e mais específica. A piada que um dia, teremos que ir a 5 médicos diferentes se quisermos tratar da nossa mão (um para cada dedo), isso sem contar a palma ou se é a direita ou a esquerda pode estar longe da realidade, mas não tão impossível assim.
A sociedade de hoje não existiria nem funcionaria sem especialistas e grandes conhecedores de determinado assunto, o problema é que estão confundindo técnicos com especialistas. Muitos desses problemas estão na base do ensino e também pelas rápidas e constantes mudanças nas sociedades.
Hoje, em muitos lugares há mais pessoas empregadas que trabalham mais tempo do que qualquer outra atividade, inclusive a de serem pais. Isso não quer dizer que não há pessoas que consigam conciliar suas atividades e, por mais que os pais tenham muita responsabilidade na formação dos filhos, eles também tem seus limites. Algumas pesquisas até afirmam que o meio social, amizades, vizinhança, escola e uma série de outras coisas chegam a ser mais influentes do que os pais.
O debate sobre Educação, Responsabilidade e Cidadania é longo e talvez não seja o caso de hoje, mas tem relação direta com o que quero dizer sobre as lições que aprendemos, independente do lugar e da situação, especialmente aquelas que são apreendidas fora das instituições ditas "formais".
Na rua, na sua casa, em sua cidade, com seus amigos, ou mesmo desconhecidos, até mesmo a televisão e tantos outros que podem se caracterizar como parte nosso dia-a-dia e que passam despercebidos por serem tão comuns e cotidianos, mas que são essenciais na formação daquilo que somos, sabemos e pensamos. Um exemplo simples: Se você está acostumado com água encanada e um sistema de esgoto em sua casa e de repente ocorre algum problema que impede o acesso a esses recursos ou se você vai para um lugar em que isso não existe e é bem capaz que você valorize mais os serviços de água encanada e esgoto do que se nunca tivesse os visto e tido ou se nunca tivesse ficado sem.
Há certas coisas que são consideradas fundamentais para uma pessoa, mas inúteis para outras dependendo dos contextos (histórico, familiar, geográfico, social, político etc.) e interesses pessoais. Podemos chegar a algum consenso sobre a necessidade e acesso à educação, saúde, abrigo e alimentação de qualidade, mas ainda assim não serão a mesma coisa para cada pessoa. Isso depende da percepção e entendimento que se tem das coisas.
A questão ambiental enfrenta essa dificuldade, em que o grau de importância varia de acordo com as necessidades que são consideradas mais "urgentes". Se uma família está passando fome, não tem onde morar e nenhum tipo de amparo é bem difícil que ela esteja preocupada com a qualidade do ar ou da água e nem com as emissões de CO2 das fábricas ou minas de carvão, principalmente se o único lugar que elas conseguirem se estabelecer for à margem de represas ou em morros e que consigam trabalho em empresas poluidoras, quando não se envolvem em ações piores como recorrer ao crime.
Não sei se devemos chamar essas situações e casos semelhantes de medidas de sobrevivência ou então situações extremas, mas é o que ocorre com uma parte expressiva da população mundial. Por um lado uma certa abundância e fartura que até desencadeiam um consumismo frenético, do outro lado escassez, fome e desespero. É claro que é difícil fazer uma análise da situação geral do mundo e colocar somente esses dois lados como o que existe no espectro social, na verdade esses são extremos de uma amálgama de possibilidades e casos, que também é uma questão de percepção. O que pode parecer muito para um pode ser visto como mínimo para outro e vice-versa.
O que a educação deve permitir é a opção de escolha consciente, que tanto nos falta. Saber o que estamos escolhendo, onde estamos, qual é a nossa situação e a situação do mundo e reconhecer os motivos e contextos que nos levaram a elas é o primeiro passo para nos tornarmos pessoas e cidadãos. Senão, qual a diferença entre nós e marionetes? E para que vivemos, crescemos e reproduzimos?
domingo, 8 de novembro de 2009
Em um mundo com...
Será que um mundo melhor e mais justo é possível? Quais serão as prioridades? Haverá uma mudança significativa? Será sustentável, ou melhor, haverá preocupações e ações sustentáveis?
Sinceramente não sei. Gostaria de acreditar que sim.
Gostaria que esse não fosse um pedido infantil e inútil.
Estava pensando em fazer esse texto como um dia da semana com, mas resolvi ampliar para um mundo com! Claro que não vai ser uma lista completa, nem tampouco objetiva, mas quem sabe se desejos anunciados não se tornam realidade?! Pelo menos muitos acreditam e eu quero acreditar que é possível melhorar com:
1) Solidariedade: Esse é um item que mais precisamos no momento, nosso próprio senso de humanidade está de certa forma em questão. Precisamos de mais justiça, mais equidade, igualdade, entendimento, convivência e integração real. Isso requer amor e compaixão que podem ser vistas como formas de solidariedade. Mas não devemos confundir isso com piedade ou ingenuidade. A solidariedade envolve conhecer, entender, aceitar, participar, melhorar e tantos outros sentimentos que realmente podem ser confundidos se não houver responsabilidade, respeito, ética e consciência.
2) Responsabilidade, Respeito, Ética e Consciência: O que implica sermos responsáveis? É só assumir as consequências de nossas ações? Sermos "culpados" por aquilo que fazemos? Ou também envolve pensar e cuidar, tanto as coisas materiais como os outros? Envolvem práticas éticas, respeitosas conscientes? Tudo deve ser levado em conta, mas não podemos ser obtusos e radicais ou mesmo ficar sem ação pelas preocupações. Todos nós temos vontades, desejos e condições diversas é preciso respeito ao próximo para que não haja imposições e dominações. A ética e a conscientização requerem que saberes e conhecimentos sejam considerados nas ações e aplicações práticas, mas de forma responsável e com respeito à vida, à saúde, ao ambiente.
3) Saberes e Conhecimentos: A busca pela "previsibilidade" é um dos grandes desafios impostos à Ciência. A informação, os saberes e o conhecimento fazem parte dessa busca. O resultado nem sempre é como esperado, afinal o fator humano deve ser levado em conta e é um fator imprevisível, mutável, dinâmico. Não quer dizer que não possa haver saberes e conhecimentos 'verdadeiros', úteis, precisos, nem que a imprevisibilidade e incerteza sejam maléficas. É preciso uma maior integração, interação e auxílio entre os diversos saberes, conhecimentos e práticas. A transdisciplinaridade não significa acúmulo de conhecimento pura e simplesmente. Nem que todos devem saber de tudo a todo o momento, mas que haja condições e diálogos constantes que facilitem pensar no todo.
4) Sustentabilidade: Ainda que em muitos aspectos seja um termo genérico, em que a definição utilizada pode ser questionada pelas diversas práticas e teorias. Há também um consenso sobre o que envolve a Sustentabilidade. O mais utilizado é um excerto do relatório Brundtland de 1987 ou como é intitulado “Nosso Futuro Comum”, que afirma que o Desenvolvimento Sustentável é a capacidade de prover as necessidades atuais sem prejudicar as gerações futuras. Mesmo muito mais amplo que isso é geralmente esse a ideia mais divulgada. Também envolve os pontos acima já discutidos e outras questões. O interessante é a visão e importância humana impregnada nessa perspectiva. Isso tem também um razão e um contexto por trás de qualquer declaração e sua respectiva aceitação. O momento atual permite, em certos aspectos, expandir a discussão e reflexão, até mesmo ações, estudos e projetos refletem essa expansão. Mas não significa, infelizmente, uma maior participação e integração da sociedade, nem que há equidade e justiça.
5) Equidade, Justiça, Participação. Não há solidariedade sem justiça, sem igualdade, nem justiça sem humanidade, afinal esses são termos interconectados e de certa maneira co-dependentes, e também são conceitos que nós definimos ao longo do tempo. Se igualdade é definida como condições, direitos e oportunidades iguais, sem discriminação e preconceitos relativos à etnia, origem, sexo, gosto, escolhas e opções diversas. A Justiça faz parte dessa igualdade, como forma de que ela possa ser garantida, mas também se relaciona as normas que são criadas pela convivência e costumes. Para que estas normas sejam cumpridas e não sejam arbitrárias é preciso que haja participação, aceitação de todos, ou pelo menos, da maioria da sociedade na formulação de normas. O problema é colocar isso em prática, a dinâmica da sociedade não permite que as respostas sejam sempre adequadas, as interferências e interesses fazem com que sejam quase sempre imprevisíveis os resultados das escolhas e ações em prol da justiça, equidade e sustentabilidade.
Sinceramente não sei. Gostaria de acreditar que sim.
Gostaria que esse não fosse um pedido infantil e inútil.
Estava pensando em fazer esse texto como um dia da semana com, mas resolvi ampliar para um mundo com! Claro que não vai ser uma lista completa, nem tampouco objetiva, mas quem sabe se desejos anunciados não se tornam realidade?! Pelo menos muitos acreditam e eu quero acreditar que é possível melhorar com:
1) Solidariedade: Esse é um item que mais precisamos no momento, nosso próprio senso de humanidade está de certa forma em questão. Precisamos de mais justiça, mais equidade, igualdade, entendimento, convivência e integração real. Isso requer amor e compaixão que podem ser vistas como formas de solidariedade. Mas não devemos confundir isso com piedade ou ingenuidade. A solidariedade envolve conhecer, entender, aceitar, participar, melhorar e tantos outros sentimentos que realmente podem ser confundidos se não houver responsabilidade, respeito, ética e consciência.
2) Responsabilidade, Respeito, Ética e Consciência: O que implica sermos responsáveis? É só assumir as consequências de nossas ações? Sermos "culpados" por aquilo que fazemos? Ou também envolve pensar e cuidar, tanto as coisas materiais como os outros? Envolvem práticas éticas, respeitosas conscientes? Tudo deve ser levado em conta, mas não podemos ser obtusos e radicais ou mesmo ficar sem ação pelas preocupações. Todos nós temos vontades, desejos e condições diversas é preciso respeito ao próximo para que não haja imposições e dominações. A ética e a conscientização requerem que saberes e conhecimentos sejam considerados nas ações e aplicações práticas, mas de forma responsável e com respeito à vida, à saúde, ao ambiente.
3) Saberes e Conhecimentos: A busca pela "previsibilidade" é um dos grandes desafios impostos à Ciência. A informação, os saberes e o conhecimento fazem parte dessa busca. O resultado nem sempre é como esperado, afinal o fator humano deve ser levado em conta e é um fator imprevisível, mutável, dinâmico. Não quer dizer que não possa haver saberes e conhecimentos 'verdadeiros', úteis, precisos, nem que a imprevisibilidade e incerteza sejam maléficas. É preciso uma maior integração, interação e auxílio entre os diversos saberes, conhecimentos e práticas. A transdisciplinaridade não significa acúmulo de conhecimento pura e simplesmente. Nem que todos devem saber de tudo a todo o momento, mas que haja condições e diálogos constantes que facilitem pensar no todo.
4) Sustentabilidade: Ainda que em muitos aspectos seja um termo genérico, em que a definição utilizada pode ser questionada pelas diversas práticas e teorias. Há também um consenso sobre o que envolve a Sustentabilidade. O mais utilizado é um excerto do relatório Brundtland de 1987 ou como é intitulado “Nosso Futuro Comum”, que afirma que o Desenvolvimento Sustentável é a capacidade de prover as necessidades atuais sem prejudicar as gerações futuras. Mesmo muito mais amplo que isso é geralmente esse a ideia mais divulgada. Também envolve os pontos acima já discutidos e outras questões. O interessante é a visão e importância humana impregnada nessa perspectiva. Isso tem também um razão e um contexto por trás de qualquer declaração e sua respectiva aceitação. O momento atual permite, em certos aspectos, expandir a discussão e reflexão, até mesmo ações, estudos e projetos refletem essa expansão. Mas não significa, infelizmente, uma maior participação e integração da sociedade, nem que há equidade e justiça.
5) Equidade, Justiça, Participação. Não há solidariedade sem justiça, sem igualdade, nem justiça sem humanidade, afinal esses são termos interconectados e de certa maneira co-dependentes, e também são conceitos que nós definimos ao longo do tempo. Se igualdade é definida como condições, direitos e oportunidades iguais, sem discriminação e preconceitos relativos à etnia, origem, sexo, gosto, escolhas e opções diversas. A Justiça faz parte dessa igualdade, como forma de que ela possa ser garantida, mas também se relaciona as normas que são criadas pela convivência e costumes. Para que estas normas sejam cumpridas e não sejam arbitrárias é preciso que haja participação, aceitação de todos, ou pelo menos, da maioria da sociedade na formulação de normas. O problema é colocar isso em prática, a dinâmica da sociedade não permite que as respostas sejam sempre adequadas, as interferências e interesses fazem com que sejam quase sempre imprevisíveis os resultados das escolhas e ações em prol da justiça, equidade e sustentabilidade.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
O cheiro que a sociedade exala
Para variar, hoje, um conto "fictício":
Ao entrar em um ônibus lotado quase sem espaço e sem ar para se compartilhar o empurra-empurra é algo cotidiano. Desta vez, porém, estava sentado mais ao fundo. Preparando meu espírito para as quase duas horas até chegar em casa pelo menos dessa vez seria sentado. Isso se não ceder meu lugar para alguém mais 'necessitado'.
O andar de uma carruagem seria muito mais veloz, mas nem por isso eu tento me preocupar. A questão do meu assento é mais prioritária. Chega uma senhora idosa, mas ela consegue um lugar mais à frente. Uma grávida se dirige até minha poltrona, ainda bem que tem um lugar vazio ao meu lado. Pronto, o resto pode ir à pé sem maiores problemas, pelo visto vou conseguir ir sentado hoje. Olhando em volta para aqueles olhares cansados e desanimados imagino que minha cara também esteja naquele estado, se não pior. Talvez bem pior. E olha que o dia nem foi tão puxado. Mas já é a rotina ter o ar envolto de cansaço.
Nem dez minutos se passaram e a distância não deve ter passado de uns quinhentos metros. De repente a porta do ônibus se abre e ninguém desce. Ao contrário um ser começa com dificuldades a subir as escadas. O ar vai mudando de figura, daquela sensação existente vai se sobrepondo outra. Uma espécie de indignação, desespero e desânimo. Junto um cheiro de algo comparado a um ralo de banheiro entupido.
Olha a sua volta, olha, mas sem ver e também sem ser visto. Um lugar vaga e é justamente na minha frente, putz penso eu e posso ouvir quase todos em volta dizerem quase o mesmo. Logo depois penso que esse é um pensamento vergonhoso de se ter. Por que ele não pode ter o mesmo direito de estar aí, sentado na minha frente e com o cheiro mais puro da sociedade moderna? E esse cheiro no ar é também o cheiro da hipocrisia que a sociedade finge que não vê.
Apesar das caras feias, das tentativas de taparem os narizes e de reações adversas semelhantes, as pessoas tentam ignorar ao máximo. Logo penso também que ambos os pensamentos que tive antes foram exagerados. Talvez a sociedade não tenha culpa, pelo menos não nós pobres coitados que temos que compartilhar uma lata de sardinha para nos locomover.
Enquanto a viagem vai caminhando e as pessoas tentam se acostumar, umas ainda mostram uma indignidade e descontentamento velados, outras buscam ignorar e tentar agir o mais naturalmente exceto quando o ar é mais adensado e o vento vindo das janelas se torna insuficiente. Até aí sem problemas, mais meia hora e minha viagem termina. Pessoas que vão atingindo seu destino parecem ter a face mais aliviada só pelo fato de estar perto da porta e de já não terem mais que aguentar o cheiro da sociedade.
Os lugares vão ficando vagos, quase ninguém quer chegar perto da figura que exala o cheiro da sociedade, uma senhora distraída se posiciona bem ao lado do sujeito. Fico contando o tempo e observando o olhar e a expressão da senhora.
Nos primeiros segundos tudo bem, mas logo ela começa a sentir algo diferente, sua expressão vai mudando. Olha para os lados, não vê nada. Olha para trás, nada. Até confere os sapatos para ver se não havia pisado em nada, ainda nada. De repente sua percepção parece aumentar e olha finalmente para a criatura que havia evitado. O olhar e a cara de nojo como tantas outras já haviam feito antes.
Exatamente dois minutos e quarenta segundos e a mulher vai o mais longe possível. A senhora grávida ao meu lado está quase desmaiando. Acho que os sentidos estão mais aguçados, mas até aí ela tentou se portar da forma mais natural possível. Um ponto depois, ela desce. Outra pessoa mais à frente já não suporta mais e desce também, ou será que chegou ao seu destino? Não sei, talvez nunca saberei, mas não importa.
Um casal se dirige para o local que já está virando uma zona temida e evitada, apenas algumas figuras permanecem, eu inclusive. Mas não sei se era por preguiça ou pela situação que estava suscitando tantas indagações. O casal parece apaixonado, nem percebe em que lugar estão sentando. É justamente atrás do lugar que já está virando uma quarentena sem nem precisar de aviso.
As caretas continuam, o desespero por um lado aumenta, a tentativa de agir normalidade também. Mas independentemente das escolhas e reações das pessoas a unanimidade é ignorar o "incômodo". E até a metade da viagem, ninguém incomodou ou foi incomodada diretamente pela pessoa. O cheiro parece ser a única coisa, mas já está se tornando para algumas criaturas, demais. Está se impregnado e se espalhando.
Eu olho para as pessoas nos olhos, não sei que expressão fiz, tentei ser o mais neutro, tentei olhar sem preconceito.
Uma fração de segundo nosso olhos se encontram. Posso estar enganado, mas via um feixe de luz muito pequeno, indicava um pouco de vida no olhar do cidadão ignorado. As marcar no rosto e a feição mais cansada que a minha, mostram uma vida dura e de sofrimento. Um tempo em que os preconceitos e as dificuldades ficaram para sempre marcados.Essa fração de segundo passa a reação foi de abaixar a cabeça envergonhada de ambos os lados, mas da outra parte pareceu maior que a minha.
Uma fração de segundo nosso olhos se encontram. Posso estar enganado, mas via um feixe de luz muito pequeno, indicava um pouco de vida no olhar do cidadão ignorado. As marcar no rosto e a feição mais cansada que a minha, mostram uma vida dura e de sofrimento. Um tempo em que os preconceitos e as dificuldades ficaram para sempre marcados.Essa fração de segundo passa a reação foi de abaixar a cabeça envergonhada de ambos os lados, mas da outra parte pareceu maior que a minha.
Não pude deixar de achar uma certa ironia, agora eu estava sendo evitado, vai saber. Como existem loucos por essa cidade, talvez possa ser para evitar alguma reação de indignidade ou violência da minha parte. Não dá para saber ou mesmo conhecer as pessoas que dividem esta viagem.
Isso se confirma com a explosão do senhor apaixonado. Nem dez minutos haviam se passado e ele grita em alto em bom som: "Nossa, tem algum esgoto a céu aberto?!". "Que fedor, hein?!" A namorada concorda, talvez não com palavras, mas certamente sua expressão de nojo era bem maior que qualquer outra na condução. Olhando com mais atenção para o casal percebi que eram religiosos, pelo menos os apetrechos que usavam assim indicavam. A reação começou a ser maior e não vale a pena reproduzir, olhando para o lado via algumas cabeças balançando. Muitas em concordância.
Não sei se isso levou a alguma reação ou se já era o ponto da pessoa que motivou esse conto, mas ela se levanta e desce no próximo ponto. Um novo encontro de olhar e a luz que já era pouca, parece diminuir. Talvez tenha sido só uma sombra, não tenho como saber. O cheiro da sociedade continua pairando no ar. Acreditei que a hipocrisia era mais forte que o próprio cheiro da sociedade.
Nem cinco minutos depois da manifestação de incômodo, o casal desce. Isso, realmente me incomodou mais que qualquer outra coisa da viagem. Mas ficar indignado não levaria a nada. Vou escrever essa situação, pensei eu....
Para muitos isso pode ser considerado um conto, uma fábula, algo com uma moral por trás ou não. Quem sabe um dia essa situação seja apenas um mito ou uma lenda....
domingo, 11 de outubro de 2009
Informações, manipulações, desilusão.
Um velho ditado ou a sabedoria popular tem por trás uma moral, uma visão de mundo, uma história, mas ao longo do tempo perdeu-se o contexto e as maiores referências e se transformou em um dito popular em que continuam a existir uma certa moral, mas agora com roupagem de verdade universal e imutável de tanto serem repetidos.
A história do petróleo nas nossas vidas tem relação com o ditado acima, mas de certa forma invertida: "nem tudo que é ouro, reluz". Sim, o também conhecido ouro negro. Produto primário para milhares de produtos utilizados no nosso cotidiano e sem perceber, não só combustível, mas o plástico, borracha e uma série e outros derivados. A indústria petroquímica vem se desenvolvendo no último século e é o setor estratégico e muitos países e quase todas as sociedades são dependentes desse produto. Claro que a intensidade dessa dependência varia e nem todas as pessoas utilizam produtos a base de petróleo, mas essas são cada vez mais raras.
Isso não significa que não existam também cada vez mais alternativas como os combustíveis e materiais desenvolvidos através de plantas e outros tipos de materiais e também a própria reciclagem. Ainda assim, esses materiais e métodos alternativos são ainda pouco aplicáveis em escala comercial necessárias para substituir o 'ouro negro', são vários os motivos, seja pelo alto custo, pela falta de investimento ou interesses diversos, entre uma série de outros fatores.
Outra questão é o tempo, há mais de um século que o petróleo e seus derivados vem ganhando espaço e dominando as bases industriais. A preocupação ambiental contemporânea tem se expandido há pouco mais de quatro décadas e sofrendo para se estabelecer, nos mais diversos setores. Podemos até mesmo dizer que a questão ambiental ainda não se estabeleceu como prioridade para muitas pessoas, empresas e sociedades e os motivos vão desde a falta de conhecimento e perspectivas até interesses diversos, medo de mudança e perda de status, entre outros.
Ainda temos o problema do discurso, da adequação e aceitação. Só dizer que algo é importante, não quer dizer que se está fazendo algo a respeito. As propagandas e o uso indiscriminado da palavra 'eco' como adjetivação de um produto nem sempre pode corresponder a realidade da sua produção. Isso também é motivado pela falta de uma aceitação e visão única do que é ser Sustentável e ecológico. Não é ruim que haja diversas visões, mas a falta de diálogo e interação entre essas visões é o que preocupa.
Muitas vezes nem mesmo se pode falar em um senso ou base comum entre eles. Como se pode falar em uma sociedade mais justa e sustentável sem uma interação e integração igualitária e participativa? Sem uma solidariedade comum e universal? Sem uma vida digna, plena, livre e decente? Não é a igualdade homogênea, nem impositiva, nem a solidariedade por pena ou hierárquica, ou uma vida sem regras, leis e respeito.
Como foi dito acima sobre a questão de que nem tudo que é ouro reluz, quer dizer justamente a respeito do que é importante e essencial para a sociedade como um todo. Se o petróleo ganhou o status e a importância atualmente para ser considerado como ouro, diz respeito não só a suas propriedades e características, mas também sobre a visão de mundo e interesses que consolidaram essa importância. O próprio ouro pode ser questionado sobre sua importância e valor.
Isso quer dizer que é a importância que torna um tipo de metal ou algo fossilizado é produto de um tempo, de contexto, de seu uso, mas também é indispensável para isso a aceitação do ser humano. Se o ouro tem o status e a importância que tem hoje é por que a maioria de nós aceita que o ouro tenha esse valor e importância. Lembremos para isso a Ilha utópica de Thomas Morus (ou Thomas More) em que quase não se usa dinheiro, ou melhor, quase não há utilidade para ele e que ouro e pedras preciosas são marcas dos escravos e criminosos.
A história do petróleo nas nossas vidas tem relação com o ditado acima, mas de certa forma invertida: "nem tudo que é ouro, reluz". Sim, o também conhecido ouro negro. Produto primário para milhares de produtos utilizados no nosso cotidiano e sem perceber, não só combustível, mas o plástico, borracha e uma série e outros derivados. A indústria petroquímica vem se desenvolvendo no último século e é o setor estratégico e muitos países e quase todas as sociedades são dependentes desse produto. Claro que a intensidade dessa dependência varia e nem todas as pessoas utilizam produtos a base de petróleo, mas essas são cada vez mais raras.
Isso não significa que não existam também cada vez mais alternativas como os combustíveis e materiais desenvolvidos através de plantas e outros tipos de materiais e também a própria reciclagem. Ainda assim, esses materiais e métodos alternativos são ainda pouco aplicáveis em escala comercial necessárias para substituir o 'ouro negro', são vários os motivos, seja pelo alto custo, pela falta de investimento ou interesses diversos, entre uma série de outros fatores.
Outra questão é o tempo, há mais de um século que o petróleo e seus derivados vem ganhando espaço e dominando as bases industriais. A preocupação ambiental contemporânea tem se expandido há pouco mais de quatro décadas e sofrendo para se estabelecer, nos mais diversos setores. Podemos até mesmo dizer que a questão ambiental ainda não se estabeleceu como prioridade para muitas pessoas, empresas e sociedades e os motivos vão desde a falta de conhecimento e perspectivas até interesses diversos, medo de mudança e perda de status, entre outros.
Ainda temos o problema do discurso, da adequação e aceitação. Só dizer que algo é importante, não quer dizer que se está fazendo algo a respeito. As propagandas e o uso indiscriminado da palavra 'eco' como adjetivação de um produto nem sempre pode corresponder a realidade da sua produção. Isso também é motivado pela falta de uma aceitação e visão única do que é ser Sustentável e ecológico. Não é ruim que haja diversas visões, mas a falta de diálogo e interação entre essas visões é o que preocupa.
Muitas vezes nem mesmo se pode falar em um senso ou base comum entre eles. Como se pode falar em uma sociedade mais justa e sustentável sem uma interação e integração igualitária e participativa? Sem uma solidariedade comum e universal? Sem uma vida digna, plena, livre e decente? Não é a igualdade homogênea, nem impositiva, nem a solidariedade por pena ou hierárquica, ou uma vida sem regras, leis e respeito.
Como foi dito acima sobre a questão de que nem tudo que é ouro reluz, quer dizer justamente a respeito do que é importante e essencial para a sociedade como um todo. Se o petróleo ganhou o status e a importância atualmente para ser considerado como ouro, diz respeito não só a suas propriedades e características, mas também sobre a visão de mundo e interesses que consolidaram essa importância. O próprio ouro pode ser questionado sobre sua importância e valor.
Isso quer dizer que é a importância que torna um tipo de metal ou algo fossilizado é produto de um tempo, de contexto, de seu uso, mas também é indispensável para isso a aceitação do ser humano. Se o ouro tem o status e a importância que tem hoje é por que a maioria de nós aceita que o ouro tenha esse valor e importância. Lembremos para isso a Ilha utópica de Thomas Morus (ou Thomas More) em que quase não se usa dinheiro, ou melhor, quase não há utilidade para ele e que ouro e pedras preciosas são marcas dos escravos e criminosos.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Quando a dúvida passa a ser superior a qualquer coisa...
Se você não tivesse dúvidas em nenhuma circunstância, o que isso significaria?
Sim, pode parecer uma coisa boa, ou nem tanto assim. Depende da interpretação à pergunta acima. Explico: Se você acha que o motivo de não ter dúvidas é por que sempre se SABE a resposta, seria um fato impressionante; mas se você acha que é pelo fato de FINGIR QUE SABE a ponto de se convencer que sua resposta é verdadeira independente da circunstância, aí a coisa fica mais complicada.
Existem momentos em que o que você mais quer é não saber o que acontece.
Infelizmente esse não é um privilégio. Ser uma pessoa bem informada, atualizada a todo o momento é um requisito básico para muitos, deveria ser para todos. Mas ser uma pessoa constantemente informada requer um certo esforço, tempo e dedicação. Seja a mídia em todas as suas formas, seja a família, amigos ou colegas de trabalho, escola existem diversas formas de se manter atualizado e a par das coisas. De assuntos internacionais, políticos, econômicos e do seu país e cidade a últimos capítulos de novelas, programas de entretenimento e até mesmo fofocas de vizinhança.
Essa "rede de informações" que você adquire com o tempo pode acabar desgastando sua capacidade de raciocínio e de retenção de assuntos. Somos tão bombardeados por informações que acabamos por não refletir sobre elas.
Se vinte pessoas vierem até você e te falarem uma notícia qualquer, mas que você não ouviu em nenhum lugar antes. Você acreditaria?
Dependendo do tipo de fonte, a veracidade é outro fator importante e nem sempre é tão fácil de saber. O que realmente acontece e como foi que ocorreu pode variar, não o fato em si, mas como ele é anunciado e como chega à população em geral. Boatos são facilmente espalhados e muitos podem vencer no cansaço da super exposição.
Isso quer dizer que devemos duvidar de tudo e todos que ouvimos? Ser céticos e incrédulos?
Acredito que não. Mas cautela é fundamental. É difícil saber os motivos e interesses que levam a determinado evento se tornar público (virar notícia) e outros serem "deixados de lado" (abafados ou distorcidos). O fato de se estar falando mais sobre a questão ambiental não quer dizer que os problemas estejam sendo solucionados. Também não quer dizer que quando se deixa de falar significa que já esteja resolvida. Não podemos ficar apenas no imediatismo e no modismo.
Ser bombardeados por informações pode ser realmente assustador e desesperador, mas é preciso calma e reflexão para distinguir notícias e fatos de alarmismo e propagandas enganosas. Como fazemos isso se torna o desafio e é o que mais pode cansar.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
As percepções que queremos (Aprofundando o olhar)
Será que a percepção é uma coisa é limitada ao nossos conhecimentos, experiências e sentimentos? Ou envolve algo a mais? Quais suas implicações e consequências e como podem afetar nosso cotidiano. Ainda não cheguei a nenhuma conclusão definitiva e acredito que não haja uma.
Talvez pelo fator mutável, dinâmico e complexo, tanto da percepção em si como do próprio ser. Os contextos em que são analisados e o que se sabe sobre um assunto podem mudar e se transformar. Uma pessoa que torce por um time, que tem uma meta ou tem uma causa a defender não quer dizer, necessariamente, que será assim para toda sua vida. Uma série de fatores contribui para mudanças nesse sentido. Variam desde o interesse pessoal (mudança de ideias, adoção de uma nova cultura, sociedade ou religião), condições financeiras, de saúde, do fim de um time e causa ou até cumprimento dos objetivos propostos.
Em um passado próximo acreditava-se que as doenças eram obras de espíritos malignos, maldições ou coisas do tipo. E essa percepção não deixou de existir para muitas pessoas e culturas. Em alguns casos (não importa o quão racional você seja) há dúvidas sobre os eventos apresentados.
Claro que manipulações, omissões, ilusões devem ser vistas com cautela, pois se aproveitam de momentos de profundo impacto para se espalhar. Isso dificulta cada vez mais acreditar em algo sobrenatural, mas ainda assim há muitos que creem e, talvez, mais ainda aqueles que querem acreditar que há mais coisas que vão além das nossas capacidades.
Não estou defendendo qualquer esoterismo ou espiritualidade, embora acredite que nenhum ser humano esteja isento de acreditar em algo. Mesmo não acreditar em um ser "superior" é um tipo de crença, por mais que ela não esteja plenamente desenvolvida ou estruturada.
Estar em dúvida faz parte do ser, ter certezas sobre certas coisas não está relacionado apenas com estar certo ou errado, embora pareça assim para muitos é muito mais complexa. Está ligado também a visão de mundo que você tem, suas percepções, crenças, culturas, época, sociedade, contexto e suas certezas individuais, morais e éticas.
Alguns fatores podem parecer imutáveis como crenças e ética, por exemplo, mas vale lembrar que nem as religiões de hoje são as mesmas. Mesmo que algumas tradições, costumes e dogmas estejam preservados houveram mudanças, adaptações e transformações que garantiram uma certa continuidade dos ritos. Se podemos ou não chamar essa continuidade de desenvolvimentos, crescimentos ou evoluções é um outro assunto.
O que importa é percebermos então que mesmo nossas percepções podem ser manipuladas, por isso a crença religiosa é um exemplo tão valioso, pois nos permite ir além da objetividade e racionalidade. A questão ambiental tem entre seus desafios a percepção do que é importante, pois cada vez que se torna a vedete do século, e se torna menos objeto de contradições, afinal quem é abertamente contra o ambiente? Mas isso leva a outros problemas e indagações.
A preocupação ambiental seria capaz de gerar dogma? Poderia servir como instrumento para o discurso e a dominação das "massas"? Isso é extremamente grave, aterrorizante e perturbador. Embora seja muito difícil de ocorrer é preciso ficar atento com os discursos e com possíveis deturpações ou a instrumentalização da questão.
O ambiente não é então um objeto nem uma entidade independente, faz parte de nós tanto quanto fazemos parte dele. É o inicio, ou melhor, a base que deveria ser considerado ao pensar a sociedade, cultura, economia, saúde, educação, religião, alimentação, entre tantos outros fatores e que permeia todas as relações direta ou indiretamente.
sábado, 5 de setembro de 2009
Será possível uma sociedade mais justa e sustentável no Brasil? O Efeito Marina Silva
A filiação da Senadora e ex-ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina da Silva ao Partido Verde (PV-AC) leva a um questionamento e acirra a disputa pré-eleitoral que vemos em andamento. A corrida oficial só se inicia no ano que vem, mas a filiação de Marina pode indicar grandes mudanças nesse cenário. Mas antes de ficar empolgado, queria colocar alguns pontos em pauta e tentar entender como o "fator Marina" pode contribuir para a política ambiental do Brasil e do mundo.
Primeiramente devo dizer que fico muito empolgado pela possibilidade de ter Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima como a próxima presidente do Brasil. Achei que foi de muita coragem, deixar um partido em que atuou por tanto tempo, para seguir seus ideais e difundir suas ideias. Admiro seu histórico e sua garra, com certeza é uma figura emblemática e mundial. Mas será isso suficiente para as próximas eleições? Contra o governo mais popular desde sabe se lá quando? Que conseguiu um séquito de admiradores nos últimos oito anos de governo federal, mas que ao mesmo tempo tem uma ala crescente de descontentamentos e incomodados?
Quanto ao Partido Verde (PV) tenho algumas restrições, desconfianças e dúvidas quanto a organização, eficiência e estrutura, mas que podem ser corrigidos. Os problemas serão tremendos tanto para a campanha como o próprio futuro governo se não forem tomadas medidas e ações que sanem qualquer dúvida quanto a esses problemas e devem ser feitas o mais rápido possível. A ideologia e os objetivos do PV não são tão claros quanto deveriam, não são tão transparentes quanto dizem, nem tão efetivos quanto podem. Nem vou falar das alianças políticas ou da expressão e projetos de seus integrantes, mas com certeza eles estarão em evidência nos próximos meses. Mas não sei em que ponto isso vai ser decisivo, afinal de contas, vivemos em um país em que conta muito e até para muitos o personalismo e a propaganda...
E se o personalismo imperar, Marina tem grandes chances de vencer, mas se apenas isso for levado em conta não teremos condições de estruturar um Brasil mais justo e sustentável facilmente e explico o por quê: A burocracia, o Congresso Nacional - Senadores e Deputados - são fatores principais. Isso significa que só Marina Silva torna esse projeto limitado, mas não impossível. As leis e regras da política ambiental passam por tramites burocráticos que podem levar muito mais tempo e serem neutralizados por bancadas fortes e influentes como o PSDB, DEMo (ex-PFL), PMDB.
A eleição de Lula seria bem mais difícil sem a mega coligação montada em 2003, algumas más-línguas podem dizer que o terno ajudou também, mas que seria muito mais difícil aprovar projetos e leis com tanta rapidez sem o apoio do PMDB, por exemplo, seria.
A oposição é uma coisa boa, mas quando vão além dos interesses pessoais e partidários e passam a considerar as necessidades e interesses da sociedade como um todo, caso contrário são apenas manobras para auto-promoção ou para tornar o governo uma máquina ineficiente e colocar a oposição no governo. Ou seja, um ciclo perverso e vicioso altamente prejudicial é algo a ser evitado. E para quem isso basta um exemplo muito simples e genéricos: imposto e salário mínimo. Oposição e governos divergem, não importa tanto qual partido.
E é essa lógica estapafúrdia, inútil e babaca que eu gostaria de combater. Essa é uma das intenções desse texto de hoje, pois não gostaria que o "efeito Marina" vire uma decepção como foi Lula para muitos e Obama nos EUA. Indivíduos não fazem milagres, pelo menos não constantes e não em política, pelo menos não ainda ou que eu saiba, mas esse é uma outra preocupação e medo a ser tratado outra hora. O que quero dizer é que UMA andorinha não faz verão. UMA formiga não enche o formigueiro, UMA abelha não faz mel e uma série de outros exemplos da vida animal para mostrar que nossa vida é coletiva e que cabe a todos os indivíduos fazer da sociedade um lugar mais digno, justo e sustentável. Cada um em seu modo de vida, profissão, vontade e interesses, ideias e ideais, cultura, religião, conhecimentos, saberes e práticas. Somos diferentes por natureza, por sociedade, por experiências, histórias e em diversos aspectos, mas essas diferenças e outros motivos nos tornam semelhantes, mas parece que cada vez mais esquecemos disso. Precisamos de mais solidariedade, mais entendimento, menos motivos para desconfianças e medos.
Para concluir, as possibilidades do "fator Marina" ser uma fonte de mudança na política brasileira é grande, seu histórico e perspectivas são animadores. Mas ainda assim não serão suficientes sem planos e propostas que demonstrem políticas mais transparentes e efetivas. A senadora Marina Silva tem um legado e uma potencialidade enorme, mas deve se aproximar mais do povo e convencer que seus projetos e ideias são viáveis, a propaganda deve ser cautelosa e direta, mas não enfadonha e repetitiva. Usar a mesma tecla e o mesmo tom para tudo pode ser um tiro no pé, isso vale para qualquer candidato. Ser ousado e inovador não é ser maluco, nem extremista, ser comunicativo e engenhoso não é ser enfadonho ou arrogante. Enfim, são vários os desafios, mas são grandes as oportunidades.
Primeiramente devo dizer que fico muito empolgado pela possibilidade de ter Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima como a próxima presidente do Brasil. Achei que foi de muita coragem, deixar um partido em que atuou por tanto tempo, para seguir seus ideais e difundir suas ideias. Admiro seu histórico e sua garra, com certeza é uma figura emblemática e mundial. Mas será isso suficiente para as próximas eleições? Contra o governo mais popular desde sabe se lá quando? Que conseguiu um séquito de admiradores nos últimos oito anos de governo federal, mas que ao mesmo tempo tem uma ala crescente de descontentamentos e incomodados?
Quanto ao Partido Verde (PV) tenho algumas restrições, desconfianças e dúvidas quanto a organização, eficiência e estrutura, mas que podem ser corrigidos. Os problemas serão tremendos tanto para a campanha como o próprio futuro governo se não forem tomadas medidas e ações que sanem qualquer dúvida quanto a esses problemas e devem ser feitas o mais rápido possível. A ideologia e os objetivos do PV não são tão claros quanto deveriam, não são tão transparentes quanto dizem, nem tão efetivos quanto podem. Nem vou falar das alianças políticas ou da expressão e projetos de seus integrantes, mas com certeza eles estarão em evidência nos próximos meses. Mas não sei em que ponto isso vai ser decisivo, afinal de contas, vivemos em um país em que conta muito e até para muitos o personalismo e a propaganda...
E se o personalismo imperar, Marina tem grandes chances de vencer, mas se apenas isso for levado em conta não teremos condições de estruturar um Brasil mais justo e sustentável facilmente e explico o por quê: A burocracia, o Congresso Nacional - Senadores e Deputados - são fatores principais. Isso significa que só Marina Silva torna esse projeto limitado, mas não impossível. As leis e regras da política ambiental passam por tramites burocráticos que podem levar muito mais tempo e serem neutralizados por bancadas fortes e influentes como o PSDB, DEMo (ex-PFL), PMDB.
A eleição de Lula seria bem mais difícil sem a mega coligação montada em 2003, algumas más-línguas podem dizer que o terno ajudou também, mas que seria muito mais difícil aprovar projetos e leis com tanta rapidez sem o apoio do PMDB, por exemplo, seria.
A oposição é uma coisa boa, mas quando vão além dos interesses pessoais e partidários e passam a considerar as necessidades e interesses da sociedade como um todo, caso contrário são apenas manobras para auto-promoção ou para tornar o governo uma máquina ineficiente e colocar a oposição no governo. Ou seja, um ciclo perverso e vicioso altamente prejudicial é algo a ser evitado. E para quem isso basta um exemplo muito simples e genéricos: imposto e salário mínimo. Oposição e governos divergem, não importa tanto qual partido.
E é essa lógica estapafúrdia, inútil e babaca que eu gostaria de combater. Essa é uma das intenções desse texto de hoje, pois não gostaria que o "efeito Marina" vire uma decepção como foi Lula para muitos e Obama nos EUA. Indivíduos não fazem milagres, pelo menos não constantes e não em política, pelo menos não ainda ou que eu saiba, mas esse é uma outra preocupação e medo a ser tratado outra hora. O que quero dizer é que UMA andorinha não faz verão. UMA formiga não enche o formigueiro, UMA abelha não faz mel e uma série de outros exemplos da vida animal para mostrar que nossa vida é coletiva e que cabe a todos os indivíduos fazer da sociedade um lugar mais digno, justo e sustentável. Cada um em seu modo de vida, profissão, vontade e interesses, ideias e ideais, cultura, religião, conhecimentos, saberes e práticas. Somos diferentes por natureza, por sociedade, por experiências, histórias e em diversos aspectos, mas essas diferenças e outros motivos nos tornam semelhantes, mas parece que cada vez mais esquecemos disso. Precisamos de mais solidariedade, mais entendimento, menos motivos para desconfianças e medos.
Para concluir, as possibilidades do "fator Marina" ser uma fonte de mudança na política brasileira é grande, seu histórico e perspectivas são animadores. Mas ainda assim não serão suficientes sem planos e propostas que demonstrem políticas mais transparentes e efetivas. A senadora Marina Silva tem um legado e uma potencialidade enorme, mas deve se aproximar mais do povo e convencer que seus projetos e ideias são viáveis, a propaganda deve ser cautelosa e direta, mas não enfadonha e repetitiva. Usar a mesma tecla e o mesmo tom para tudo pode ser um tiro no pé, isso vale para qualquer candidato. Ser ousado e inovador não é ser maluco, nem extremista, ser comunicativo e engenhoso não é ser enfadonho ou arrogante. Enfim, são vários os desafios, mas são grandes as oportunidades.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Uma cultura várias cabeças, um ambiente várias culturas. Notas sobre o medo incerteza insegurança
Se pensamos que hoje é tudo que importa, não é todo errado - pelo menos segundo uma grande massa de seguidores do carpe diem (simplificado como aproveitar o tempo e o dia) - ainda mais se pensarmos que o futuro não existe, a não ser como conceito e percepção de um tempo que não vai chegar. Mas isso não significa que uma preocupação sobre o tempo que virá é inútil, talvez seja um lembrete que não é a única coisa que deve permear nossos pensamentos. A questão ambiental passou muito tempo em evidência por suas preocupações com o futuro do planeta, do mundo e principalmente pela sobrevida das próximas gerações e todas as formas de vida em geral.
O agora também é motivo de indagação, preocupação. Não podemos cair na falácia do imediatismo. O agora é fruto de um contexto, de uma história e uma série de fatores e peculiaridades que moldaram e continuam a interferir no tempo e espaço, a natureza, a paisagem, a sociedade, a cultura, a educação, a economia e diversos fatores incomensuráveis ou imperceptíveis em sua totalidade. Assim é impossível a um único indivíduo, ou mesmo grupo, conhecer todas as variáveis que resultam neste agora. Mesmo que fosse possível conhecer e saber todos os fatos que ocorrem no mundo seria um movimento constante e infinito que faria com que a análise e interpretação, além de um problema logístico para separar e catalogar tudo, poderia ser tarefa inútil.
A maioria de nós, pobres mortais e humanos, vivemos e nos baseamos em uma representação da realidade, filtramos acontecimentos, eventos, notícias e conhecimentos que sejam mais relevantes e marcantes para cada um, ou seja, está inserido em um contexto – social/ econômico/ político/ cultural/bio/fisio/químico/histórico - uma conjuntura e outros pequenos fatores que moldam e fazem parte do cotidiano. Mesmo uma pessoa que nunca esqueça nada do que aprenda ou tenha visto não teria condição de saber tudo que acontece no mundo em seus mínimos detalhes o tempo todo sem acarretar em algum problema sério. Para começar não é possível estar em todos os lugares o tempo todo, mesmo que houvesse câmeras em todo lugar do mundo, temos apenas dois olhos e dois ouvidos... Nosso cérebro não foi feito para o conhecimento total e absoluto, pelo menos não nas formas descritiva e detalhista imaginadas acima. Nem um conhecimento total e absoluto minimalista – o que é um absurdo e contraditório. Mas não vou me estender nesse argumento não é intenção questionar a possibilidade ou não da onisciência e onipresença do indivíduo, mas só para fechar o argumento com algumas reflexões: mesmo que fosse possível saber de tudo o que ocorre, o que fazer com os “pensamentos”? Será que não importam tanto como as ações? As ideias deveriam ser ignoradas? Devemos distinguir ficção de delírios e ambos de realidade? Realidade é a mesma para todos? ...
Acho que podemos extrair o argumento mais importante desta loucura toda: a formação de uma cultura passa e é permeada por várias destas indagações e muitas outras mais profundas. De certa forma são as formas de interpretações da realidade seguida por uma aceitação e adoção de costumes para explicar de forma inteligível o que é perceptível e vão surgindo determinados espaços e tempos - únicos e singulares marcam uma cultura, moldam a sociedade e todos os outros processos de nossas vidas. Talvez esse pensamento possa voltar a origem da vida em nosso Planeta, uma sequência de eventos que tornou possível a nossa própria existência ainda não foi plenamente compreendida e conhecida pelos seres humanos. Essa “incerteza original” faz parte da ‘humanidade’.
Para explicar nossa origem recorremos às mais diversas teorias, ideias, ideais, religiões que vão do racional, evolucionista, lógico, místico, absurdo, ilógico e irracional. Isso serve para sentirmos mais seguros, confortáveis, entender de onde e o porquê ou porquês da existência. Enfim, as diversas configurações de mundo, sociedade cultura e política que existem hoje têm por trás dele todo um processo, história e contextos que não podem ser ignorados, mas que não é necessário saber os mínimos detalhes para compreendermos como chegamos a essa configuração. Isso implica em fatores e acontecimentos chaves, um destes fatores que não podem ser ignorados são as relações estabelecidas pela dinâmica ambiente, sociedade/ natureza, indivíduo.
E a dinâmica que existe hoje foi alterada com o tempo e sofreu diversas mudanças desde sua configuração espacial e física (construções, invenções, tecnologias de comunicação e transporte), como pelas percepções e visões de mundo (humanos como parte da natureza, compartilhando-a com outros seres, passa até hoje em muitos aspectos a ser vista como ferramenta, como algo a ser dominado). Isso não significa que todos os seres humanos devem ser considerados como uma forma única, fechada, homogênea e rígida, nem a natureza e o ambiente da qual fazem parte, pelo contrário, a flexibilidade e imprevisibilidade dos atos e consequências desta dinâmica é parte constante da nossa realidade.
O agora também é motivo de indagação, preocupação. Não podemos cair na falácia do imediatismo. O agora é fruto de um contexto, de uma história e uma série de fatores e peculiaridades que moldaram e continuam a interferir no tempo e espaço, a natureza, a paisagem, a sociedade, a cultura, a educação, a economia e diversos fatores incomensuráveis ou imperceptíveis em sua totalidade. Assim é impossível a um único indivíduo, ou mesmo grupo, conhecer todas as variáveis que resultam neste agora. Mesmo que fosse possível conhecer e saber todos os fatos que ocorrem no mundo seria um movimento constante e infinito que faria com que a análise e interpretação, além de um problema logístico para separar e catalogar tudo, poderia ser tarefa inútil.
A maioria de nós, pobres mortais e humanos, vivemos e nos baseamos em uma representação da realidade, filtramos acontecimentos, eventos, notícias e conhecimentos que sejam mais relevantes e marcantes para cada um, ou seja, está inserido em um contexto – social/ econômico/ político/ cultural/bio/fisio/químico/histórico - uma conjuntura e outros pequenos fatores que moldam e fazem parte do cotidiano. Mesmo uma pessoa que nunca esqueça nada do que aprenda ou tenha visto não teria condição de saber tudo que acontece no mundo em seus mínimos detalhes o tempo todo sem acarretar em algum problema sério. Para começar não é possível estar em todos os lugares o tempo todo, mesmo que houvesse câmeras em todo lugar do mundo, temos apenas dois olhos e dois ouvidos... Nosso cérebro não foi feito para o conhecimento total e absoluto, pelo menos não nas formas descritiva e detalhista imaginadas acima. Nem um conhecimento total e absoluto minimalista – o que é um absurdo e contraditório. Mas não vou me estender nesse argumento não é intenção questionar a possibilidade ou não da onisciência e onipresença do indivíduo, mas só para fechar o argumento com algumas reflexões: mesmo que fosse possível saber de tudo o que ocorre, o que fazer com os “pensamentos”? Será que não importam tanto como as ações? As ideias deveriam ser ignoradas? Devemos distinguir ficção de delírios e ambos de realidade? Realidade é a mesma para todos? ...
Acho que podemos extrair o argumento mais importante desta loucura toda: a formação de uma cultura passa e é permeada por várias destas indagações e muitas outras mais profundas. De certa forma são as formas de interpretações da realidade seguida por uma aceitação e adoção de costumes para explicar de forma inteligível o que é perceptível e vão surgindo determinados espaços e tempos - únicos e singulares marcam uma cultura, moldam a sociedade e todos os outros processos de nossas vidas. Talvez esse pensamento possa voltar a origem da vida em nosso Planeta, uma sequência de eventos que tornou possível a nossa própria existência ainda não foi plenamente compreendida e conhecida pelos seres humanos. Essa “incerteza original” faz parte da ‘humanidade’.
Para explicar nossa origem recorremos às mais diversas teorias, ideias, ideais, religiões que vão do racional, evolucionista, lógico, místico, absurdo, ilógico e irracional. Isso serve para sentirmos mais seguros, confortáveis, entender de onde e o porquê ou porquês da existência. Enfim, as diversas configurações de mundo, sociedade cultura e política que existem hoje têm por trás dele todo um processo, história e contextos que não podem ser ignorados, mas que não é necessário saber os mínimos detalhes para compreendermos como chegamos a essa configuração. Isso implica em fatores e acontecimentos chaves, um destes fatores que não podem ser ignorados são as relações estabelecidas pela dinâmica ambiente, sociedade/ natureza, indivíduo.
E a dinâmica que existe hoje foi alterada com o tempo e sofreu diversas mudanças desde sua configuração espacial e física (construções, invenções, tecnologias de comunicação e transporte), como pelas percepções e visões de mundo (humanos como parte da natureza, compartilhando-a com outros seres, passa até hoje em muitos aspectos a ser vista como ferramenta, como algo a ser dominado). Isso não significa que todos os seres humanos devem ser considerados como uma forma única, fechada, homogênea e rígida, nem a natureza e o ambiente da qual fazem parte, pelo contrário, a flexibilidade e imprevisibilidade dos atos e consequências desta dinâmica é parte constante da nossa realidade.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
A incerteza e a certeza caminham juntas! O ambiental deve ser tratado com cautela...
Não estou tentando confundir ou ser abstrato o suficiente para que as afirmações possam depois serem aplicadas a torto e a direito. Nem pretendo ser arrogante o suficiente para que seja usado para algo além do que montar um mapa mental próprio, mas como aqui é um espaço de propagação de ideias e indagações, os resultados, implicações e repercussões do que pode ocorrer depois que saem do controle e do espaço separado pela caixa craniana é múltipla, complexa e praticamente imprevisível. Nesta geração que nos encontramos ao final da primeira década do século XXI, em muitos aspectos visualistas, bombardeando informações, "hits", manias, marcas, modismos, sobreposições superficiais e na maioria passageiras.
Isso leva a uma situação de incertezas constantes na sociedade, a necessidade de adaptações e atualizações se torna exigência profissionais e padronizada. Os próprios produtos tem um limite temporal de uso até se tornar ultrapassado ou obsoleto (comentado em 29/11/2008 sobre a questão do consumo). A própria noção de tempo e espaço viram questões de profunda reflexão e preocupação (o livro de David Harvey "Condição Pós-Moderna" de 1993 é uma ótima referência; também diversos outros pensadores em linhas e percepções diferentes: Edgar Morin, Enrique Leff, Boaventura de Souza Santos, Dimas Floriani, Manuell Castells, Gustavo Lins Ribeiro, Nestor Canclini e tantos outros) tornam cada vez mais difícil sustentar afirmações ou defender certos pontos sem que haja críticas, ponderamentos e refutações.
Posições contrárias são produtivas e necessárias para o debate atual e são importantes para desenvolver, discutir, enriquecer e ampliar ideias e pensamentos para entender a sociedade. O que fundamenta uma ideia pode perder parte da validade se ocorre uma mudança de perspectiva ou um entendimento diferente. É complicado dizer o que é certo ou o que pode ser "mais certo" ou até "menos errado" para ser explicativo. Talvez podemos arriscar em dizer qual seria a adequada, mas ainda assim com ressalvas.
Arriscar é importante, principalmente quando estamos falando de cautela, não por parecer um movimento contraditório e só por isso importante, mas por que deve nos levar a pensar e repensar todo o processo que nos levou a sociedade atual, considerando ganhos e perdas, analisando impactos de decisões e descobertas e daí para onde vamos é quase um jogo de adivinhações. Quebrar com o modelo, padrões ou ideias que vivemos, aceitamos e nos é dado e até imposto, mesmo sem o uso de força que fica internalizado e enraizado é uma atitude que exige um desprendimento e uma dose de audácia que também leva a inquietação e até um certo desespero, afinal é quase um salto para o abismo. Não é o fim do mundo, mas pode ser o "fim do mundo como o conhecemos" (como é traduzida uma passagem da letra de música do R.E.M.).
Isso leva a uma situação de incertezas constantes na sociedade, a necessidade de adaptações e atualizações se torna exigência profissionais e padronizada. Os próprios produtos tem um limite temporal de uso até se tornar ultrapassado ou obsoleto (comentado em 29/11/2008 sobre a questão do consumo). A própria noção de tempo e espaço viram questões de profunda reflexão e preocupação (o livro de David Harvey "Condição Pós-Moderna" de 1993 é uma ótima referência; também diversos outros pensadores em linhas e percepções diferentes: Edgar Morin, Enrique Leff, Boaventura de Souza Santos, Dimas Floriani, Manuell Castells, Gustavo Lins Ribeiro, Nestor Canclini e tantos outros) tornam cada vez mais difícil sustentar afirmações ou defender certos pontos sem que haja críticas, ponderamentos e refutações.
Posições contrárias são produtivas e necessárias para o debate atual e são importantes para desenvolver, discutir, enriquecer e ampliar ideias e pensamentos para entender a sociedade. O que fundamenta uma ideia pode perder parte da validade se ocorre uma mudança de perspectiva ou um entendimento diferente. É complicado dizer o que é certo ou o que pode ser "mais certo" ou até "menos errado" para ser explicativo. Talvez podemos arriscar em dizer qual seria a adequada, mas ainda assim com ressalvas.
Arriscar é importante, principalmente quando estamos falando de cautela, não por parecer um movimento contraditório e só por isso importante, mas por que deve nos levar a pensar e repensar todo o processo que nos levou a sociedade atual, considerando ganhos e perdas, analisando impactos de decisões e descobertas e daí para onde vamos é quase um jogo de adivinhações. Quebrar com o modelo, padrões ou ideias que vivemos, aceitamos e nos é dado e até imposto, mesmo sem o uso de força que fica internalizado e enraizado é uma atitude que exige um desprendimento e uma dose de audácia que também leva a inquietação e até um certo desespero, afinal é quase um salto para o abismo. Não é o fim do mundo, mas pode ser o "fim do mundo como o conhecemos" (como é traduzida uma passagem da letra de música do R.E.M.).
terça-feira, 14 de abril de 2009
Ninguém é mais ambiental que alguém... mas exigir algo exige uma troca?
Há algumas semanas em horários variados vejo uma propaganda, na verdade acho que só vi mesmo em um canal, afirmando que "Ninguém é mais ambientalista que o produtor rural..." não vou reproduzir o resto da fala completa, mas em linhas gerais, acabam criticando a falta de "apoio" e de "incentivo" da produção, que as leis vão acabar parando o Brasil... Esperei um tempo antes de comentar esse diálogo para ver se haveria maiores manifestações da mídia em geral, mas até agora parece que passou despercebido ou foi ignorado, talvez como motivo de risada e nada mais. É interessante que esta propaganda apareça perto do planejamento do Novo Código Florestal Brasileiro e a redefinição de certos limites para a produção e sua localização.
A intenção destas linhas não são criticas ou julgamento, nem louvor a tais iniciativas. Também não cabe entrar em detalhes dos motivos que levaram a tal manifestação, somente suposições no momento, mas sem querer me adiantar o descontentamento é evidente. E, talvez, seja produtivo olhar para esse descontentamento com mais atenção. Sem negar a defesa ambiental - afinal de contas, quantas pessoas seriam "suficientes" para ir contra? - a propaganda nos mostra que há uma certa inquietação com os rumos do debate ambiental no Brasil, talvez antecipando uma tendência de regulamentação, maior fiscalização e rigor no cumprimento que se espera deste país, talvez com medo que se tornem mais rígidas (algo que na verdade nunca foi) e acabe na burocratização que paralisa muitos setores da sociedade.
O Brasil é um país de imensas riquezas em quase todos os aspectos possíveis, ganha também cada vez mais prestígio no cenário internacional. E isso exige maiores responsabilidades, controles, transparência, mostras de que somos capazes. Os olhos do mundo nos veem com mais atenção, como a crise financeira perturbou o andamento deste processo é ainda cedo para saber como o Brasil, ou melhor, a percepção das ações brasileiras tem impacto neste novo cenário. Talvez tenha até acelerado a inserção internacional e nacional, mas se vai ser positivo para o mundo em geral e, especialmente, para o país ainda será descoberto.
A raiz do problema está além da discussão socioambiental, mas esta é uma discussão indispensável para entendermos os vários problemas: fome, desemprego, violência, baixa escolaridade, baixa renda, desigualdade social e tantas outras que se relacionam direta e indiretamente, em escalas e intensidades variadas, com a Sustentabilidade. Isso não se limita a região Latino-americana, mas uma discussão que deve considerar e abraçar o mundo.
Não cabe assim que uma pessoa seja sacrificada para a salvação do resto, nem que os prejuízos sejam pagos por apenas uma parcela da população, principalmente se esta parte é a que já tem poucos recursos, é marginalizada e sofrida, onde as consequências tem potenciais muito mais devastadores e complicados. Mas se nada for feito, nada muda. Se por achar que não há jeito e não devemos agir, então realmente só por um milagre. Engraçado que o milagre neste caso é aquilo que não vem da ação humana, onde a ação humana em si é um milagre em muitos aspectos: a capacidade imaginativa, criativa, de comprometimentos e adaptabilidade é praticamente ilimitada. Um direcionamento, uma reordenação, um (re)pensamento da sociedade, da educação, da produção, do consumo, do que é governo e de quem e para quem ele serve é um começo que deve ser dinâmico, integrador, interativo, inclusivo, includente, abrangente, aberto, coerente, coeso, constante, humano, humanizado, humanizador, ambiental, sustentável, local, nacional, regional, internacional, mundial, universal. Mas que não deve ficar no campo teórico, epistêmico e inicial, deve ser desenvolvido, internalizado, aprendido e apreendido como parte do cotidiano.
A intenção destas linhas não são criticas ou julgamento, nem louvor a tais iniciativas. Também não cabe entrar em detalhes dos motivos que levaram a tal manifestação, somente suposições no momento, mas sem querer me adiantar o descontentamento é evidente. E, talvez, seja produtivo olhar para esse descontentamento com mais atenção. Sem negar a defesa ambiental - afinal de contas, quantas pessoas seriam "suficientes" para ir contra? - a propaganda nos mostra que há uma certa inquietação com os rumos do debate ambiental no Brasil, talvez antecipando uma tendência de regulamentação, maior fiscalização e rigor no cumprimento que se espera deste país, talvez com medo que se tornem mais rígidas (algo que na verdade nunca foi) e acabe na burocratização que paralisa muitos setores da sociedade.
O Brasil é um país de imensas riquezas em quase todos os aspectos possíveis, ganha também cada vez mais prestígio no cenário internacional. E isso exige maiores responsabilidades, controles, transparência, mostras de que somos capazes. Os olhos do mundo nos veem com mais atenção, como a crise financeira perturbou o andamento deste processo é ainda cedo para saber como o Brasil, ou melhor, a percepção das ações brasileiras tem impacto neste novo cenário. Talvez tenha até acelerado a inserção internacional e nacional, mas se vai ser positivo para o mundo em geral e, especialmente, para o país ainda será descoberto.
A raiz do problema está além da discussão socioambiental, mas esta é uma discussão indispensável para entendermos os vários problemas: fome, desemprego, violência, baixa escolaridade, baixa renda, desigualdade social e tantas outras que se relacionam direta e indiretamente, em escalas e intensidades variadas, com a Sustentabilidade. Isso não se limita a região Latino-americana, mas uma discussão que deve considerar e abraçar o mundo.
Não cabe assim que uma pessoa seja sacrificada para a salvação do resto, nem que os prejuízos sejam pagos por apenas uma parcela da população, principalmente se esta parte é a que já tem poucos recursos, é marginalizada e sofrida, onde as consequências tem potenciais muito mais devastadores e complicados. Mas se nada for feito, nada muda. Se por achar que não há jeito e não devemos agir, então realmente só por um milagre. Engraçado que o milagre neste caso é aquilo que não vem da ação humana, onde a ação humana em si é um milagre em muitos aspectos: a capacidade imaginativa, criativa, de comprometimentos e adaptabilidade é praticamente ilimitada. Um direcionamento, uma reordenação, um (re)pensamento da sociedade, da educação, da produção, do consumo, do que é governo e de quem e para quem ele serve é um começo que deve ser dinâmico, integrador, interativo, inclusivo, includente, abrangente, aberto, coerente, coeso, constante, humano, humanizado, humanizador, ambiental, sustentável, local, nacional, regional, internacional, mundial, universal. Mas que não deve ficar no campo teórico, epistêmico e inicial, deve ser desenvolvido, internalizado, aprendido e apreendido como parte do cotidiano.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Eu até falo sobre a questão ambiental, mas percebo cada vez mais que sou um péssimo ambientalista.
É normal uma pessoa que preze e se envolva no universo das questões ambientais acabe se tornando um grande defensor das causas "ecológicas" certo? Talvez, mas como podem ver pelo título desta nota pessimista, o autor em questão (eu) não tem contribuido para um mundo melhor. Não larguei o consumo de carne, adoro churrasco, até preciso começar a fazer uma atividade que os quilos extras estão começando a acumular. Não consigo reciclar/reutilizar tudo que uso, nem tento convencer (muito) aqueles que são mais próximos a fazer. Afinal, como posso pedir para fazer uma coisa que nem eu consigo?! Reduzir o consumo é uma das únicas coisas, mas consumo pouco por não ter muito para gastar, utilizo o transporte público por não ter um carro ou moto.
Em contrapartida eu economizo com banho, às vezes passo até uns dias sem (só quando tá frio e quando fico em casa). Não consumo refrigerante - mais por não gostar do que qualquer ideologia. Não jogo lixo no chão. Tento mostrar o quão importante é pensar, refletir e conscientizar para a problemática ambiental, vide este blog que estão lendo. Mas estas são iniciativas mínimas, mas são minhas e embora eu de vez em quando pense em voz alta como agora, sei que preciso aprofundar minhas ações em prol do ambiente, mas não radicalizar ou deixar de fazer o que gosto e de pensar o que penso só para me "adequar" a um "padrão" de 'excelência ambiental', (as aspas são sinais de ironia).
Posso não ser uma grande figura, muito menos um exemplo de ativista, um ecólogo, um conhecedor das mais profundas questões ambientais, mas eu tento, para falar a verdade por enquanto eu mais penso e esses pensamentos são compartilhados, debatidos, negados, difundidos para que outros conheçam e saibam e até possam se identificar com as questões que apresento aqui, que possam discordar do meu pensamento, que possam compartilhar dos pensamentos e temas que acredito serem interessantes e importantes nestes debates. Se agora penso a questão e vejo minhas ações como mínimas em relação ao que poderia estar fazendo, também tenho que reconhecer que é um processo, que posso crescer aos poucos e melhorar sempre. O importante é não desistir ou se desesperar só por achar que minhas ações são insignificantes.
Tem muitas e muitas coisas que não posso evitar e estão fora do meu controle e que ainda não tenho condições de ser a pessoa que constantemente atua em prol da preservação planetária, mas faço o que posso, como posso e do meu jeito.
Em contrapartida eu economizo com banho, às vezes passo até uns dias sem (só quando tá frio e quando fico em casa). Não consumo refrigerante - mais por não gostar do que qualquer ideologia. Não jogo lixo no chão. Tento mostrar o quão importante é pensar, refletir e conscientizar para a problemática ambiental, vide este blog que estão lendo. Mas estas são iniciativas mínimas, mas são minhas e embora eu de vez em quando pense em voz alta como agora, sei que preciso aprofundar minhas ações em prol do ambiente, mas não radicalizar ou deixar de fazer o que gosto e de pensar o que penso só para me "adequar" a um "padrão" de 'excelência ambiental', (as aspas são sinais de ironia).
Posso não ser uma grande figura, muito menos um exemplo de ativista, um ecólogo, um conhecedor das mais profundas questões ambientais, mas eu tento, para falar a verdade por enquanto eu mais penso e esses pensamentos são compartilhados, debatidos, negados, difundidos para que outros conheçam e saibam e até possam se identificar com as questões que apresento aqui, que possam discordar do meu pensamento, que possam compartilhar dos pensamentos e temas que acredito serem interessantes e importantes nestes debates. Se agora penso a questão e vejo minhas ações como mínimas em relação ao que poderia estar fazendo, também tenho que reconhecer que é um processo, que posso crescer aos poucos e melhorar sempre. O importante é não desistir ou se desesperar só por achar que minhas ações são insignificantes.
Tem muitas e muitas coisas que não posso evitar e estão fora do meu controle e que ainda não tenho condições de ser a pessoa que constantemente atua em prol da preservação planetária, mas faço o que posso, como posso e do meu jeito.
domingo, 15 de março de 2009
Treinamento x Conscientização x Educação X prática
O processo de aprendizagem é lento, difícil, demorado e doloroso, mas não deveria ser assim, ou deveria? Claro que não ocorre em todas as situações e circunstâncias. e nem para todos os temas que nos são apresentados. O que afeta esse processo? Ele pode ser rápido, fácil, prazeroso? Como? (a)onde? Por que? E por que não é assim sempre? Perguntas nesta direção aponta uma série de dificuldades que as sociedades enfrentaram e ainda enfrentam, cada qual com suas próprias características e circunstâncias. Afinal a história não se repete completamente, embora possa haver MUITAS semelhanças, os atores e envolvidos não são necessariamente os mesmos, a percepção e a sociedade também mudam com o tempo. Com isso podemos e devemos aprender muito com fatos e acontecimentos anteriores, mas com cautela e em alguns casos de forma relativizada.
Os problemas 'modernos' são, em grande parte, resquícios de situações que não foram resolvidas ou "previstas" no passado. Caso isso fosse possível, não haveriam crises e preocupações no mundo e, talvez, em um mundo que não houvesse surpresas e dificuldades não houvesse também criatividade e raciocínios "lógicos". Não saber o que vai acontecer faz parte do que somos, de como agimos e pensamos. Ainda que exista uma lógica e conhecimento sobre a brevidade e finitude de nossas vidas há uma preocupação com o FUTURO. Seja por acharmos que vamos viver por muito tempo, seja preocupado com a próxima geração.
A educação e a memória são interligadas. O progresso ocorre 'superando' dilemas, problemas e dificuldades que surgiram e vão sendo resolvidas ao logo do tempo, o que não deixa de criar novos dilemas, problemas e dificuldades. Cada geração pode ser diferente, mesmo que os problemas sejam semelhantes. "Cada cabeça, uma sentença" .. . Cada geração, uma (ou várias) influência...
Há um debate muito mais rico do que este apresentado, mas isto é só para situar o nosso diálogo. Se as influências marcam uma geração, há também exceções, o que significa que isto não ocorre por um movimento homogêneo e linear. Ainda mais na sociedade atual em que as configurações dos transportes e das comunicações possibilitam contatos, saberes e conhecimentos que ultrapassam a barreira do espaço tempos. Múltiplas influências ocasionam um hibridismo sem fronteiras, limitado pelo acesso (ou falta de acesso) disponível. Temos que ter ressalvas também nestas possíveis mesclas e até que ponto afetam diferentes pessoas e diferentes sociedades.
O treinamento é diferente? A educação também? O que a teoria e a prática podem nos dizer? Há teorias e práticas? Até que ponto concordamos em "bens comuns da humanidade"? Até que ponto compartilhamos sentimentos de "paz", "educação", "segurança", "HUMANIDADE"?
Por que iniciei a questão com o treinamento? Supõe-se que é uma forma de controle? De padronização? Ou é um processo educacional? Uma forma de aprendizado? Aprendizado e educação são diferentes?
São mais questões do que respostas, mas ainda assim é interessante que a discussão seja ampliada, difundida e pensada. O treinamento em si não quer significa um processo bom ou ruim, depende do referencial e da "utilidade" deste treino: treinar e desenvolver a escrita, o raciocínio lógico, o pensamento, a cordialidade pode ser visto como uma coisa boa, agora usar este conhecimento para enganar pessoas, roubar e fraudar instituições, nem tanto. Treinar e fortalecer o corpo para a saúde e o bem-estar são louvados como caminho para uma vida mais equilibrada, longínqua e menos sedentária, agora o mesmo treinamento para uma briga de rua....
O referencial é importante! E quando trazemos a análise para a questão ambiental é fundamental sabermos o que queremos dizer e dizer da forma mais clara e direta possível. Sem banalizar ou criar "sensos comuns" vazios. O treinamento é interligado e conjunto de práticas sociais, culturais educativas ou não, serve para a padronização do comportamento em alguns aspectos e por isso a educação e a conscientização deve ser base de qualquer processo.
Educar é buscar entendimento, compreensão e raciocício próprio, desenvolvido através da reflexão, treinamento, práticas e experiências. O local e o tempo em que ocorrem variam com a situação, também a forma como acontece. Muito da educação, ou melhor do que se fala em Educação, hoje se concentra no seu aspecto formal e institucionalizado (principalmente escolas e seus desdobramentos), mas não podemos esquecer que este é apenas um dos vários aspectos da Educação, não quer dizer que seja o mais importante ou o aspecto definitivo e definidor.
Até que ponto a escola, a faculdade, o templo e as várias instituições influenciam e "definem" uma pessoa? Devemos considerar a situação e o espaço e a forma da sociedade, cultura, economia, religião, família, governos e uma série de fatores que permeiam os indivíduos e refletem nas organizações e processos educacionais.
A conscientização pode facilitar a ação e a mudança de atitudes, pois torna o conhecimento mais amplo e mais próximo das pessoas, aumenta a percepção sobre a realidade e seus problemas, mas também não é o fator definitivo das mudanças. Todos os processos: Educação, treinamento, conscientização, práticas e experiências fazem parte da nossa vida e não podem ser vistas de forma fragmentada, independente ou imutável. A preocupação ambiental é recorrente na história humana, sua intensidade pode variar com o tempo e depende do local, mas não podemos afirmar que deixou de existir em algum momento e que foi o mesmo processo e a mesma intensidade em todos os lugares. A situação atual nos coloca em grande reflexão sobre o futuro da humanidade, cada um relativizando sua importância, mas ainda assim um movimento crescente é visível. Se haverá sucesso em um respeito maior, não só para a proteção e preservação ambiental, mas respeito a questão humana também é ainda um desejo a ser trabalhado.
Os problemas 'modernos' são, em grande parte, resquícios de situações que não foram resolvidas ou "previstas" no passado. Caso isso fosse possível, não haveriam crises e preocupações no mundo e, talvez, em um mundo que não houvesse surpresas e dificuldades não houvesse também criatividade e raciocínios "lógicos". Não saber o que vai acontecer faz parte do que somos, de como agimos e pensamos. Ainda que exista uma lógica e conhecimento sobre a brevidade e finitude de nossas vidas há uma preocupação com o FUTURO. Seja por acharmos que vamos viver por muito tempo, seja preocupado com a próxima geração.
A educação e a memória são interligadas. O progresso ocorre 'superando' dilemas, problemas e dificuldades que surgiram e vão sendo resolvidas ao logo do tempo, o que não deixa de criar novos dilemas, problemas e dificuldades. Cada geração pode ser diferente, mesmo que os problemas sejam semelhantes. "Cada cabeça, uma sentença" .. . Cada geração, uma (ou várias) influência...
Há um debate muito mais rico do que este apresentado, mas isto é só para situar o nosso diálogo. Se as influências marcam uma geração, há também exceções, o que significa que isto não ocorre por um movimento homogêneo e linear. Ainda mais na sociedade atual em que as configurações dos transportes e das comunicações possibilitam contatos, saberes e conhecimentos que ultrapassam a barreira do espaço tempos. Múltiplas influências ocasionam um hibridismo sem fronteiras, limitado pelo acesso (ou falta de acesso) disponível. Temos que ter ressalvas também nestas possíveis mesclas e até que ponto afetam diferentes pessoas e diferentes sociedades.
O treinamento é diferente? A educação também? O que a teoria e a prática podem nos dizer? Há teorias e práticas? Até que ponto concordamos em "bens comuns da humanidade"? Até que ponto compartilhamos sentimentos de "paz", "educação", "segurança", "HUMANIDADE"?
Por que iniciei a questão com o treinamento? Supõe-se que é uma forma de controle? De padronização? Ou é um processo educacional? Uma forma de aprendizado? Aprendizado e educação são diferentes?
São mais questões do que respostas, mas ainda assim é interessante que a discussão seja ampliada, difundida e pensada. O treinamento em si não quer significa um processo bom ou ruim, depende do referencial e da "utilidade" deste treino: treinar e desenvolver a escrita, o raciocínio lógico, o pensamento, a cordialidade pode ser visto como uma coisa boa, agora usar este conhecimento para enganar pessoas, roubar e fraudar instituições, nem tanto. Treinar e fortalecer o corpo para a saúde e o bem-estar são louvados como caminho para uma vida mais equilibrada, longínqua e menos sedentária, agora o mesmo treinamento para uma briga de rua....
O referencial é importante! E quando trazemos a análise para a questão ambiental é fundamental sabermos o que queremos dizer e dizer da forma mais clara e direta possível. Sem banalizar ou criar "sensos comuns" vazios. O treinamento é interligado e conjunto de práticas sociais, culturais educativas ou não, serve para a padronização do comportamento em alguns aspectos e por isso a educação e a conscientização deve ser base de qualquer processo.
Educar é buscar entendimento, compreensão e raciocício próprio, desenvolvido através da reflexão, treinamento, práticas e experiências. O local e o tempo em que ocorrem variam com a situação, também a forma como acontece. Muito da educação, ou melhor do que se fala em Educação, hoje se concentra no seu aspecto formal e institucionalizado (principalmente escolas e seus desdobramentos), mas não podemos esquecer que este é apenas um dos vários aspectos da Educação, não quer dizer que seja o mais importante ou o aspecto definitivo e definidor.
Até que ponto a escola, a faculdade, o templo e as várias instituições influenciam e "definem" uma pessoa? Devemos considerar a situação e o espaço e a forma da sociedade, cultura, economia, religião, família, governos e uma série de fatores que permeiam os indivíduos e refletem nas organizações e processos educacionais.
A conscientização pode facilitar a ação e a mudança de atitudes, pois torna o conhecimento mais amplo e mais próximo das pessoas, aumenta a percepção sobre a realidade e seus problemas, mas também não é o fator definitivo das mudanças. Todos os processos: Educação, treinamento, conscientização, práticas e experiências fazem parte da nossa vida e não podem ser vistas de forma fragmentada, independente ou imutável. A preocupação ambiental é recorrente na história humana, sua intensidade pode variar com o tempo e depende do local, mas não podemos afirmar que deixou de existir em algum momento e que foi o mesmo processo e a mesma intensidade em todos os lugares. A situação atual nos coloca em grande reflexão sobre o futuro da humanidade, cada um relativizando sua importância, mas ainda assim um movimento crescente é visível. Se haverá sucesso em um respeito maior, não só para a proteção e preservação ambiental, mas respeito a questão humana também é ainda um desejo a ser trabalhado.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Metáforas, mitos e encontros sobre as diversas formas de pensar e os diversos pensamentos ambientais.
Já se perdeu pelo título? Achou o título confuso? Muito a se pensar ou questionar ou apenas um monte de "lorotas"? Talvez, mas vamos a exposição e explicação dos motivos deste texto: Para ser mais fácil compreender vamos começar pelo final - Há diversos pensamentos e diversas formas de pensar as questões e os desafios ambientais, isso é um fato: a própria definição de ambiente e quais são os principais problemas e as ordens e prioridades a serem consideradas varia de pessoa para pessoa. Como então falar sobre o que é certo e qual a solução a ser tomada?
Vamos nos lembrar que as soluções são múltiplas e os caminhos variados, achar que há apenas um modo de agir e uma forma de pensar é cair em um erro drástico, também não significa que muitos dos caminhos e pensamentos não possam levar a lugares próximos.
Um exemplo pode ser mais interessante neste momento. Vamos considerar a questão da poluição: Há muitas variáveis envolvidas, muitos problemas a serem considerados. Quais as causas e consequências da poluição? O que podemos fazer ou qual a melhor forma para evitar ou diminuir este problema? É mesmo um problema? Podemos viver sem ela ou há um ponto em que "precisamos" dela? Inúmeras outras questões e considerações mais específicas podem ser feitas. Mas para nosso propósito fica claro o quão extensa a discussão pode chegar, isso se considerarmos uma definição só e um só tema.
Mas o que as inúmeras propostas e discussões que encontramos nas questões ambientais tem a ver com as metáforas, mitos? Vamos continuar com o tema poluição. Se considerarmos que há mais problemas do que benefícios com o que acontece hoje em dia é comum que se tente fazer algo a respeito e em diversos setores da sociedade. Os mitos e metáforas se ligam a ramos culturais, políticos e acadêmicos, escritores, contadores de história, jornalistas e muitos outros podem ser capazes de criar, narrar, divulgar e debater fábulas, "boatos", lendas, fatos que ao chegar nos ouvidos do grande público ou da massa, ou da sociedade, com queira nos classificar fora de um espaço específico ela pode virar uma teoria da conspiração (afinal quem não ouviu falar de mutações através de despejos químicos e tóxicos em determinada região, geralmente isolada, de um certo país em algum tempo)..
Todas as, ou pelo menos as melhores e mais divulgadas, histórias são aquelas que misturam fatos verídicos com contos e fábulas com uma moral embutida: um pequeno acaso pode levar o ato de poluir a consequências desastrosas e prejudiciais, criando monstros, epidemias, até o fim do mundo. O número de doenças modernas envolvendo a poluição são inúmeras, afinal são vários os tipos de poluição também, já se ouviu falar em doenças e alergias causadas por ondas de rádio e eletromagnéticas - ainda não há provas, mas os pacientes crescem a cada dia.
Mitos e metáforas são excelentes para ensinar pessoas de qualquer idade, dentro destes contos fabulosos existem verdades e argumentos que podem ser mais contundentes e aceitos que teses e comprovações científicas. Isso ajuda a aceitar e mostrar certas situações de uma forma mais subjetiva e, às vezes, mais "sentimental", necessário para facilitar a discussão. Estas visões que são mostradas, são particulares e tendenciosas, mesmo que sejam muito bem explicadas, defesas contundentes e apaixonadas ainda são visões particulares (de indivíduos ou grupos) que podem ou não ser aceitas pela maioria da sociedade.
Vamos nos lembrar que as soluções são múltiplas e os caminhos variados, achar que há apenas um modo de agir e uma forma de pensar é cair em um erro drástico, também não significa que muitos dos caminhos e pensamentos não possam levar a lugares próximos.
Um exemplo pode ser mais interessante neste momento. Vamos considerar a questão da poluição: Há muitas variáveis envolvidas, muitos problemas a serem considerados. Quais as causas e consequências da poluição? O que podemos fazer ou qual a melhor forma para evitar ou diminuir este problema? É mesmo um problema? Podemos viver sem ela ou há um ponto em que "precisamos" dela? Inúmeras outras questões e considerações mais específicas podem ser feitas. Mas para nosso propósito fica claro o quão extensa a discussão pode chegar, isso se considerarmos uma definição só e um só tema.
Mas o que as inúmeras propostas e discussões que encontramos nas questões ambientais tem a ver com as metáforas, mitos? Vamos continuar com o tema poluição. Se considerarmos que há mais problemas do que benefícios com o que acontece hoje em dia é comum que se tente fazer algo a respeito e em diversos setores da sociedade. Os mitos e metáforas se ligam a ramos culturais, políticos e acadêmicos, escritores, contadores de história, jornalistas e muitos outros podem ser capazes de criar, narrar, divulgar e debater fábulas, "boatos", lendas, fatos que ao chegar nos ouvidos do grande público ou da massa, ou da sociedade, com queira nos classificar fora de um espaço específico ela pode virar uma teoria da conspiração (afinal quem não ouviu falar de mutações através de despejos químicos e tóxicos em determinada região, geralmente isolada, de um certo país em algum tempo)..
Todas as, ou pelo menos as melhores e mais divulgadas, histórias são aquelas que misturam fatos verídicos com contos e fábulas com uma moral embutida: um pequeno acaso pode levar o ato de poluir a consequências desastrosas e prejudiciais, criando monstros, epidemias, até o fim do mundo. O número de doenças modernas envolvendo a poluição são inúmeras, afinal são vários os tipos de poluição também, já se ouviu falar em doenças e alergias causadas por ondas de rádio e eletromagnéticas - ainda não há provas, mas os pacientes crescem a cada dia.
Mitos e metáforas são excelentes para ensinar pessoas de qualquer idade, dentro destes contos fabulosos existem verdades e argumentos que podem ser mais contundentes e aceitos que teses e comprovações científicas. Isso ajuda a aceitar e mostrar certas situações de uma forma mais subjetiva e, às vezes, mais "sentimental", necessário para facilitar a discussão. Estas visões que são mostradas, são particulares e tendenciosas, mesmo que sejam muito bem explicadas, defesas contundentes e apaixonadas ainda são visões particulares (de indivíduos ou grupos) que podem ou não ser aceitas pela maioria da sociedade.
Assinar:
Postagens (Atom)