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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pensar o futuro e o dia Mundial do Meio Ambiente: exorcizando os demonios, conscientizando as pessoas ou mais um grande show de fumaça?

Às vezes me preocupo com o futuro. Quem não se preocupa? Você pode até pensar que não tem nada a ver com isso... Aquela velha desculpa: "Não vou estar vivo mesmo....". Mas isso é uma justificativa aceitável.
Só pelo fato de não estar mais vivo te torna menos responsável pelos seus atos? Ou pelos impactos e consequências que eles vão causar?
Outra desculpa é que não existe tempo nem para cuidar de mim mesmo, quem dirá dos outros...
E há milhares de desculpas, muitas esfarrapadas, algumas razoáveis e outras nem tanto para não termos que enfrentar nossas "culpas". Digo culpa no sentido de coisas que podem fazer mal, direta ou indiretamente a outras pessoas, nem por isso as pessoas se sentem necessariamente culpadas.
Como justificar, por exemplo, a falta de respeito e educação de uma pessoa que joga lixo em vias públicas? Seja de um papel de bala ou uma bituca de cigarro a um sofá ou armário. Mesmo que o nível do impacto seja diferente o ato em si é uma barbaridade para uns, comuns e indiferente para outros.
Provavelmente, muitas das pessoas não pensam que seus atos aparente insignificantes podem ocasionar desastres terríveis. Imaginem milhões de bitucas de cigarros em um bueiro.... ou será que pararam para pensar no destino desse dejeto descartado de forma inapropriada? Nem vamos entrar no mérito (ou na falta de) do próprio ato de fumar. Mas quando uma pessoa reclama que houve aumento em um determinado imposto relativo à limpeza urbana ou tratamento de esgoto e água, será que ela consegue relacionar com o papel de bala "insignificante"? Também não vamos entrar no mérito dos desvios e falta de competências na administração pública. Mas o quanto devemos pensar no coletivo?
Em datas comemorativas, como o dia do Meio Ambiente (5/06) por vir, o empenho e o sentimento afloram de forma surpreendente, iniciativas que não ocorrem no cotidiano, podem mudar nestes dias. Mas a questão ambiental, infelizmente para uns, não se contenta com apenas alguns dias de cuidado. Assim como deveríamos respirar e nos alimentar diariamente e ter condições decentes e de qualidade nesses processos, assim deveria ser o tratamento com o nosso entorno.
Não devemos confundir a questão ambiental como "apenas" cuidar de plantinhas e do "verde", esse é um fator importante, mas o ser humano faz parte de um ecossistema que tem na base justamente essas plantinhas, sem ela não há alimento, não há vida. Podemos substituir nossa alimentação por sintéticos? Podemos ter produtos que não dependam da natureza? Dificilmente conseguiríamos ter uma qualidade de vida decente sem aquilo que foi produzido naturalmente, através de um complexo sistema do qual também fazemos parte. Talvez, nosso maior mérito esteja na capacidade de entender um pouco melhor algumas etapas e processos desse sistema e, assim, facilitar e até controlar a multiplicação e reprodução de plantas e animais que nos alimentam, nos vestem, nos curam, nos protegem e permitem o desenvolvimento de nossas capacidades e criatividade.
A ideia de Mãe-Terra, desse ponto de vista, parece muito apropriada. A visão de que somos, então, os filhos rebeldes e ingratos, mais ainda. Retribuímos com dor e desprezo na maior parte do tempo, muitas vezes, porque damos créditos demais a nós mesmos, em coisas que não dependem tanto assim da gente.
Indo além dessa ideia, e se pensarmos que todos somos filhos da mesma mãe, então somos irmãos e vivemos em uma grande e única comunidade. Mas que entra em conflitos e desentendimentos ferozes, em busca da vã riqueza e da noção e percepção de poder, que busca conquistar os confins da Terra, sem ao menos saber o motivo dessa ganância insensata. Será que é para ser o macho alfa? O dono do mundo? O manda chuva? Ou tem mais a ver com a insegurança? O medo (da morte, do esquecimento)? A insatisfação consigo mesmo? O sentimento de frustração, ambição e angústia?
Tentar entender a complexa psicologia por trás de certas ações é uma coisa que vai além das minhas capacidades, mas não é um único fator que determina o sucesso e o fracasso.
Podemos apelar para o sobrenatural ou mesmo uma força maior, dependendo do caso para entender a sociedade moderna, a criação de mitos, superstições, religiões e crenças fazem parte do nosso imaginário, tentamos com isso explicar nossa existência e achar algum motivo e sentido para a vida. Existem diferentes visões de mundo por motivos, lugares, pessoas, contextos e tempos diferentes, que estão ligadas pela relação homem/natureza/sociedade.
Mudam-se o tempo, mudam-se as pessoas, mudam-se os problemas e as prioridades. Hoje, temos um acervo de experiências passadas que permitem pensar em coisas e possibilidades que não eram possíveis em outros tempos. Embora sempre existam pessoas consideradas "fora" de seu tempo, a preocupação ambiental vem ganhando espaço como tema importante para o futuro da humanidade. Mas ainda existe um longo caminho a se percorrer,  pois enquanto o tratamento for apenas funcional e persistirem a visão objetificando e coisificando até o próprio ser humano, provavelmente não teremos muitos avanços e sucessos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O que estamos fazendo de certo?

Hoje andei pensando um pouco sobre como retornava a escrever e percebi que os relatos e as notas escritas tem em sua maioria aspectos de impessoalidade, esse meu estilo de escrita foi assim motivado por uma vontade de organizar meu pensamento, discutir e refletir temas e assuntos, sem tomar um partido, defender ou desacreditar ideias e fatos.
É claro que nem sempre isso é possível e nem sempre é essa a proposta. Mas eu acredito que podemos falar de muitos assuntos e temas sem precisar ser unidimensionais e irracionais só por considerar uma visão de mundo como "melhor". O que isso significa?
Vamos entrar em um terreno nebuloso e pouco compreendido, mas que como será polêmico acho que o exemplo será bem entendido e já retoma muito do que já disse. Iniciemos essa reflexão com uma pergunta aparentemente simples: Qual religião é a melhor? Ou melhor, existem religiões?
Para muitas pessoas essas são perguntas realmente simples: "a melhor religião é aquela em que se acredita, da qual faz parte, que te conforta, acolhe e completa". Para outras essa é uma pergunta mais complexa e que exige pensar em outras séries de questões: Estamos falando de melhor em termo de adeptos? De crentes? De números de milagres? O que é religião? O que define o que é ou não melhor? Isso é uma questão quantitativa? Qualitativa? Moral? Ética? Em como influência e tem impacto no cotidiano? E uma série de outros questionamentos intermináveis contidos em uma "simples" pergunta, que não será respondida aqui.
Não é essa a intenção, nem o foco que motivou tal exemplo. A questão religião pode ser trocado por outro, ainda assim existiria polêmica: música, time de futebol, moda, ideia, teoria, desenvolvimento etc etc... Não é a religião em si que nos interessa agora, mas as implicações que essa e outras discussões geram.
O que é melhor? Isso é o que me interessa discutir hoje, mas convenhamos que isso também é uma questão pessoal. Assim como cada um tem uma religião e, embora ela possa ser compartilhada por milhares de outras pessoas existe sempre um nível de interpretações , aceitações, convicções e práticas que são individuais e até únicas. O que significa que embora haja uma religião, esta é composta por várias outras vertentes e implicações, uma visão dominante não significa uma visão única.
Dito isso a conclusão é óbvia: o que é bom para um não é para outro e vice-versa. Então, quer dizer que é impossível termos o melhor planeta para todos, pois sempre alguém vai ser prejudicado? Devemos ter cuidado, então, para que a visão de uma minoria não seja imposta, nem que a maioria dominem e subjulgem a minoria?
Nem sempre se pode dizer o que é melhor. Em certos casos isso é uma visão muito relativa e a religião é um tema expressivo, pois sugere uma coisa que está presente em poucas reflexões: Embora esteja intimamente ligada ao humano é uma daquelas questões que ultrapassam a simples humanidade, que tentam explicar tudo ou quase tudo, até criar normas e regras de conduta e ação. O Humano nesse caso é secundário, respondendo, em certa medida, à forças maiores que "qualquer coisa".
São questões complicadas de se pensar e analisar, mas que trazem maiores reflexões e questionamentos pessoais. Responder algumas das perguntas levantadas aqui é conhecer um pouco mais de si mesmo e quando se conhece melhor é mais provável a chance de "escolhas conscientes", de "ações planejadas" e de poucas chances de arrependimentos futuros. Não podemos esquecer o contexto e as implicações e consequências das escolhas.
Li uma frase muito boa em uma edição do jornal da Associação de Professores do Estado de SP, ou algo parecido, se não me engano foi uma frase de um concurso publicado pelo jornal que envolvia a questão ambiental e diz mais ou menos assim:

Sempre se fala sobre a preocupação do mundo que estaremos deixando para os nossos filhos.
Deveríamos nos preocupar também em que filhos estamos deixando para o mundo.

A pergunta do título não é só uma questão sobre as escolhas que fazemos, mas também como elas são feitas e quando. Também não posso ignorar o poder das ideias, da cultura e do pensamento seja individual ou não.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Uma cultura várias cabeças, um ambiente várias culturas. Notas sobre o medo incerteza insegurança

Se pensamos que hoje é tudo que importa, não é todo errado - pelo menos segundo uma grande massa de seguidores do carpe diem (simplificado como aproveitar o tempo e o dia) - ainda mais se pensarmos que o futuro não existe, a não ser como conceito e percepção de um tempo que não vai chegar. Mas isso não significa que uma preocupação sobre o tempo que virá é inútil, talvez seja um lembrete que não é a única coisa que deve permear nossos pensamentos. A questão ambiental passou muito tempo em evidência por suas preocupações com o futuro do planeta, do mundo e principalmente pela sobrevida das próximas gerações e todas as formas de vida em geral.
O agora também é motivo de indagação, preocupação. Não podemos cair na falácia do imediatismo. O agora é fruto de um contexto, de uma história e uma série de fatores e peculiaridades que moldaram e continuam a interferir no tempo e espaço, a natureza, a paisagem, a sociedade, a cultura, a educação, a economia e diversos fatores incomensuráveis ou imperceptíveis em sua totalidade. Assim é impossível a um único indivíduo, ou mesmo grupo, conhecer todas as variáveis que resultam neste agora. Mesmo que fosse possível conhecer e saber todos os fatos que ocorrem no mundo seria um movimento constante e infinito que faria com que a análise e interpretação, além de um problema logístico para separar e catalogar tudo, poderia ser tarefa inútil.
A maioria de nós, pobres mortais e humanos, vivemos e nos baseamos em uma representação da realidade, filtramos acontecimentos, eventos, notícias e conhecimentos que sejam mais relevantes e marcantes para cada um, ou seja, está inserido em um contexto – social/ econômico/ político/ cultural/bio/fisio/químico/histórico - uma conjuntura e outros pequenos fatores que moldam e fazem parte do cotidiano. Mesmo uma pessoa que nunca esqueça nada do que aprenda ou tenha visto não teria condição de saber tudo que acontece no mundo em seus mínimos detalhes o tempo todo sem acarretar em algum problema sério. Para começar não é possível estar em todos os lugares o tempo todo, mesmo que houvesse câmeras em todo lugar do mundo, temos apenas dois olhos e dois ouvidos... Nosso cérebro não foi feito para o conhecimento total e absoluto, pelo menos não nas formas descritiva e detalhista imaginadas acima. Nem um conhecimento total e absoluto minimalista – o que é um absurdo e contraditório. Mas não vou me estender nesse argumento não é intenção questionar a possibilidade ou não da onisciência e onipresença do indivíduo, mas só para fechar o argumento com algumas reflexões: mesmo que fosse possível saber de tudo o que ocorre, o que fazer com os “pensamentos”? Será que não importam tanto como as ações? As ideias deveriam ser ignoradas? Devemos distinguir ficção de delírios e ambos de realidade? Realidade é a mesma para todos? ...
Acho que podemos extrair o argumento mais importante desta loucura toda: a formação de uma cultura passa e é permeada por várias destas indagações e muitas outras mais profundas. De certa forma são as formas de interpretações da realidade seguida por uma aceitação e adoção de costumes para explicar de forma inteligível o que é perceptível e vão surgindo determinados espaços e tempos - únicos e singulares marcam uma cultura, moldam a sociedade e todos os outros processos de nossas vidas. Talvez esse pensamento possa voltar a origem da vida em nosso Planeta, uma sequência de eventos que tornou possível a nossa própria existência ainda não foi plenamente compreendida e conhecida pelos seres humanos. Essa “incerteza original” faz parte da ‘humanidade’.
Para explicar nossa origem recorremos às mais diversas teorias, ideias, ideais, religiões que vão do racional, evolucionista, lógico, místico, absurdo, ilógico e irracional. Isso serve para sentirmos mais seguros, confortáveis, entender de onde e o porquê ou porquês da existência. Enfim, as diversas configurações de mundo, sociedade cultura e política que existem hoje têm por trás dele todo um processo, história e contextos que não podem ser ignorados, mas que não é necessário saber os mínimos detalhes para compreendermos como chegamos a essa configuração. Isso implica em fatores e acontecimentos chaves, um destes fatores que não podem ser ignorados são as relações estabelecidas pela dinâmica ambiente, sociedade/ natureza, indivíduo.
E a dinâmica que existe hoje foi alterada com o tempo e sofreu diversas mudanças desde sua configuração espacial e física (construções, invenções, tecnologias de comunicação e transporte), como pelas percepções e visões de mundo (humanos como parte da natureza, compartilhando-a com outros seres, passa até hoje em muitos aspectos a ser vista como ferramenta, como algo a ser dominado). Isso não significa que todos os seres humanos devem ser considerados como uma forma única, fechada, homogênea e rígida, nem a natureza e o ambiente da qual fazem parte, pelo contrário, a flexibilidade e imprevisibilidade dos atos e consequências desta dinâmica é parte constante da nossa realidade.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A incerteza e a certeza caminham juntas! O ambiental deve ser tratado com cautela...

Não estou tentando confundir ou ser abstrato o suficiente para que as afirmações possam depois serem aplicadas a torto e a direito. Nem pretendo ser arrogante o suficiente para que seja usado para algo além do que montar um mapa mental próprio, mas como aqui é um espaço de propagação de ideias e indagações, os resultados, implicações e repercussões do que pode ocorrer depois que saem do controle e do espaço separado pela caixa craniana é múltipla, complexa e praticamente imprevisível. Nesta geração que nos encontramos ao final da primeira década do século XXI, em muitos aspectos visualistas, bombardeando informações, "hits", manias, marcas, modismos, sobreposições superficiais e na maioria passageiras.
Isso leva a uma situação de incertezas constantes na sociedade, a necessidade de adaptações e atualizações se torna exigência profissionais e padronizada. Os próprios produtos tem um limite temporal de uso até se tornar ultrapassado ou obsoleto (comentado em 29/11/2008 sobre a questão do consumo). A própria noção de tempo e espaço viram questões de profunda reflexão e preocupação (o livro de David Harvey "Condição Pós-Moderna" de 1993 é uma ótima referência; também diversos outros pensadores em linhas e percepções diferentes:
Edgar Morin, Enrique Leff, Boaventura de Souza Santos, Dimas Floriani, Manuell Castells, Gustavo Lins Ribeiro, Nestor Canclini e tantos outros) tornam cada vez mais difícil sustentar afirmações ou defender certos pontos sem que haja críticas, ponderamentos e refutações.
Posições contrárias são produtivas e necessárias para o debate atual e são importantes para desenvolver, discutir, enriquecer e ampliar ideias e pensamentos para entender a sociedade. O que fundamenta uma ideia pode perder parte da validade se ocorre uma mudança de perspectiva ou um entendimento diferente. É complicado dizer o que é certo ou o que pode ser "mais certo" ou até "menos errado" para ser explicativo. Talvez podemos arriscar em dizer qual seria a adequada, mas ainda assim com ressalvas.
Arriscar é importante, principalmente quando estamos falando de cautela, não por parecer um movimento contraditório e só por isso importante, mas por que deve nos levar a pensar e repensar todo o processo que nos levou a sociedade atual, considerando ganhos e perdas, analisando impactos de decisões e descobertas e daí para onde vamos é quase um jogo de adivinhações. Quebrar com o modelo, padrões ou ideias que vivemos, aceitamos e nos é dado e até imposto, mesmo sem o uso de força que fica internalizado e enraizado é uma atitude que exige um desprendimento e uma dose de audácia que também leva a inquietação e até um certo desespero, afinal é quase um salto para o abismo. Não é o fim do mundo, mas pode ser o "fim do mundo como o conhecemos" (como é traduzida uma passagem da letra de música do R.E.M.).

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Somos mais próximos do gado do que roedores. A salvação pela tecnologia...

Segundo pesquisa divulgada recentemente e também publicada hoje pela Folha de S. Paulo no seu caderno ciência (Genoma do gado visa carne melhor - reportagem de Eduardo Geraque e Eduardo Scolese - pg. A12). O genoma do gado foi mapeado e constatado que dos 22 mil genes, 80% são semelhantes ao dos humanos, mais próximo dos que os roedores (que são usados em diversos testes laboratoriais com impacto direto para a criação de drogas e tratamentos para os humanos). A notícia enfatiza, de certa forma, o aspecto inovador da pesquisa e que aponta entre as diversas aplicações deste novo conhecimento como melhoria na carne e leite, até mesmo vacas que emitem menos gás metano, um dos responsáveis pelo efeito estufa. Mas algumas indagações surgem, talvez um tanto superficiais dado que estou me baseando apenas na reportagem e não no estudo em si, como será que estamos presenciando o início do fim da carne de “segunda”? Adeus “stroggobofe”? Outras mais filosófico-conceituais como será que os indianos estavam certos ao adorar a vaca? Servirá de justificativa ‘genético-espiritual’ para os puristas, vegetarianos e outros grupos “não-carnívoros” contra o consumo de carne bovina? Muitas outras questões são colocadas com a divulgação deste estudo que vai além do quesito comercial e tecnológico.
Ainda deve haver um longo caminho até que esta pesquisa se consolide e seja aplicado, embora o pesquisador entrevistado pelo jornal, o veterinário José F. Garcia da Unesp de Araçatuba, tenha afirmado que “ Esses dados são para aplicação imediata”. Temos que considerar que este estudo é resultado de seis anos, ainda há muito para ser analisado, o mapa genético é um primeiro passo. Mas um passo que deve ser visto também com cautela. As questões que apresentei até agora podem até ser vistas com e como deboche, mas não por isso deve ser tirada sua validade nem a importância de se pensá-las.
Não quero tornar este debate um juízo de valores fechado e tirar a validade destes tipos de pesquisas que são fundamentais para o desenvolvimento da sociedade e até mesmo de uma sociedade mais justa e sustentável. Por que não? A sociedade vem em ritmo e dinamismo acelerado e as mudanças podem estar acontecendo em uma velocidade maior do que pode ser percebido pelos humanos (tese defendida por alguns sociólogos, filósofos e estudiosos nos mais diversos campos).
Há certa perversidade quando separamos conhecimento e a aplicação deste mesmo. A engenhosidade e a mente humana talvez ilimitada e, com certeza, impressionante, não importando o tempo em que se encontra, mas o tempo é fundamental para o desenvolvimento do pensamento humano devido a possibilidade de acumular e desenvolver pensamento, técnicas e tecnologias, memórias, ideias e ideais através de meios além da oralidade e do cérebro (desde a pedra, papel, impressos, gravações de voz e/ou vídeo, hoje a internet, os programas de editoração de texto e uma infinidade de recursos que se tornaram possíveis e se iniciaram com a codificação da comunicação – alfabeto e depois a escrita, um dos marcos para o fim da “pré-história”). Ao longo deste desenvolvimento da memória, está o desenvolvimento da sociedade, das normas, regras e princípios legais e morais que permeiam diversas relações existentes.
Enfim a sociedade do século I não é a mesma que a sociedade de hoje, mesmo que ainda existam resquícios e impactos das civilizações daquela época, e é quase certo que não existam mais seres vivos daquele período. Por mais que existam influências de um período para outro, as mudanças ocorrem não apenas pela mudança constante dos envolvidos, mas pela possibilidade de mudanças no pensamento e no comportamento social, mas essa já é outra discussão.
O impacto e desenvolvimentos das novas tecnologias e técnicas vão existir, pois são produtos e consequências de um tempo específico e uma série de fatores e intenções, o conhecimento (afirmar que sua aplicação e não o conhecimento em si que gera problemas) não pode servir de desculpas para mascaram discussões e atitudes, tão complexas e parciais quanto o próprio conhecimento.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Quando o que é sólido se desmancha? Conceituando Moinhos de Ventos

"Tudo que é sólido se desmancha no ar" Marx (influenciou livro de mesmo título escrito por Marshall Berman, lançado em 1982)
"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" Lavoisier séc. XVIII

O problema que podemos encontramos ao trabalhar o "ideal" e a "ideia" de SUSTENTABILIDADE é o seu alto potencial romântico, romantizador e fantástico de um lado e também cético, pessimista e debochado do outro. São espectros extremos de uma mesma linha, mas não são únicos. Dentro destas variações há diversas intensidades e intenções: ou seja podem existir céticos românticos e pessimistas fantásticos, ou ex-pessimistas e ex-idealistas, o que mostra que cada pessoa tem certas predileções ao longo da vida que são flexíveis, mutáveis de dinâmicas. A importância aqui não é saber em que local do espectro do movimento ambiental você, ou mesmo eu, nos encontramos. É saber primeiramente do que se trata esse movimento.
A defesa da "natureza", do "bioma" do "meio ambiente", do "desenvolvimento sustentável", da "educação ambiental" "conscientização ambiental" "racionalidade ambiental", do "futuro da humanidade", e de muitas outras há diferenças e semelhanças, aproximações e distanciamentos, enfoques em determinadas áreas, saberes e conhecimentos. Tudo isso leva a uma infinidade de conjunturas e conjunções, ainda mais se considerarmos que a predileção e interesse de um indivíduo geralmente é múltipla. Mesmo que em uma área do conhecimento são várias as vertentes possíveis dentro de um tema mais abrangente.
Talvez a dificuldade seja justamente perceber as nuances do debate ambiental em seus vários aspectos dentro do espectro maior do movimento ambiental. Falar, pensar e agir em torno desta temática é importante em suas múltiplas dimensões, assim como interligar com vários outros temas relacionados direta ou indiretamente como a questão do comércio, do consumo, da saúde, dos direitos humanos, da ciência, da política, da cultura, praticamente em todo e qualquer tema há uma vertente possível e passível para discutir a questão ambiental. Não podemos esquecer que o enfoque antropo (humano) neste amplo debate é motivado por razões óbvias ou não? Somos humanos? Nos preocupamos com nossas ações? Interferimos e interagimos com o ambiente? Somos importantes?
Para uma pequena reflexão: você já se imaginou ou pensou como seria sua vida se você não fosse humano? E qual seria a implicação ambiental? Lembremos que embora essa projeção e esse processo imaginário possa ser interessante é muito difícil que você deixe de lado sua consciência, embasamentos e experiências que são humanas o que acaba deturpando um pouco esta reflexão. Mas o interessante é justamente essa busca de outros olhares e do distanciamento, mesmo que imaginário, que este exercício possibilita.
A questão ambiental com seus múltiplos e polifônicos enfoques, ideias, saberes, conhecimentos, história e experiências permeadas pelo "biosocioeconomicopolíticocultural" não deve ser visto como um bicho de sete cabeças ou como moinhos de ventos quixotescos e muito além e distantes de nós. É o oposto, cada um é uma parte deste emaranhado, participamos, influenciamos, interagimos, modificamos e somos modificados ao longo da vida. Deixar de lado só por parecer complicado ou trabalhoso demais não deve servir como justificativa para comportamentos e ações.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Metáforas, mitos e encontros sobre as diversas formas de pensar e os diversos pensamentos ambientais.

Já se perdeu pelo título? Achou o título confuso? Muito a se pensar ou questionar ou apenas um monte de "lorotas"? Talvez, mas vamos a exposição e explicação dos motivos deste texto: Para ser mais fácil compreender vamos começar pelo final - Há diversos pensamentos e diversas formas de pensar as questões e os desafios ambientais, isso é um fato: a própria definição de ambiente e quais são os principais problemas e as ordens e prioridades a serem consideradas varia de pessoa para pessoa. Como então falar sobre o que é certo e qual a solução a ser tomada?
Vamos nos lembrar que as soluções são múltiplas e os caminhos variados, achar que há apenas um modo de agir e uma forma de pensar é cair em um erro drástico, também não significa que muitos dos caminhos e pensamentos não possam levar a lugares próximos.
Um exemplo pode ser mais interessante neste momento. Vamos considerar a questão da poluição: Há muitas variáveis envolvidas, muitos problemas a serem considerados. Quais as causas e consequências da poluição? O que podemos fazer ou qual a melhor forma para evitar ou diminuir este problema? É mesmo um problema? Podemos viver sem ela ou há um ponto em que "precisamos" dela? Inúmeras outras questões e considerações mais específicas podem ser feitas. Mas para nosso propósito fica claro o quão extensa a discussão pode chegar, isso se considerarmos uma definição só e um só tema.
Mas o que as inúmeras propostas e discussões que encontramos nas questões ambientais tem a ver com as metáforas, mitos? Vamos continuar com o tema poluição. Se considerarmos que há mais problemas do que benefícios com o que acontece hoje em dia é comum que se tente fazer algo a respeito e em diversos setores da sociedade. Os mitos e metáforas se ligam a ramos culturais, políticos e acadêmicos, escritores, contadores de história, jornalistas e muitos outros podem ser capazes de criar, narrar, divulgar e debater fábulas, "boatos", lendas, fatos que ao chegar nos ouvidos do grande público ou da massa, ou da sociedade, com queira nos classificar fora de um espaço específico ela pode virar uma teoria da conspiração (afinal quem não ouviu falar de mutações através de despejos químicos e tóxicos em determinada região, geralmente isolada, de um certo país em algum tempo)..
Todas as, ou pelo menos as melhores e mais divulgadas, histórias são aquelas que misturam fatos verídicos com
contos e fábulas com uma moral embutida: um pequeno acaso pode levar o ato de poluir a consequências desastrosas e prejudiciais, criando monstros, epidemias, até o fim do mundo. O número de doenças modernas envolvendo a poluição são inúmeras, afinal são vários os tipos de poluição também, já se ouviu falar em doenças e alergias causadas por ondas de rádio e eletromagnéticas - ainda não há provas, mas os pacientes crescem a cada dia.
Mitos e metáforas são excelentes para ensinar pessoas de qualquer idade, dentro destes contos fabulosos existem verdades e argumentos que podem ser mais contundentes e aceitos que teses e comprovações científicas. Isso ajuda a aceitar e mostrar certas situações de uma forma mais subjetiva e, às vezes, mais "sentimental", necessário para facilitar a discussão. Estas visões que são mostradas, são particulares e tendenciosas, mesmo que sejam muito bem explicadas, defesas contundentes e apaixonadas ainda são visões particulares (de indivíduos ou grupos) que podem ou não ser aceitas pela maioria da sociedade.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Desejos, considerações e reflexões ao começo de mais um ano

O ano que passou (2008) nos mostrou muitas possibilidades e oportunidades para a questão ambiental, assim como os anos anteriores a estes, infelizmente muitas destas supostas oportunidades não foram aproveitadas, pelo menos não como poderiam ser. Mas é de se esperar que a situação melhore. Temos pela frente muitas opções a serem tomadas, nós enquanto sociedade não podemos ignorar assuntos tão importantes e que se relacionam direta ou indiretamente com o debate ambiental: educação, saúde, fome, trabalho, lazer, paz, segurança, integração, cultura, etc. E cada um destes pontos deve ser levado em consideração.
Não podemos ignorar a educação, conhecimentos, saberes, cultura, conscientização e práticas que afetam a todos, especialmente as gerações que ainda nem existem. Para isso é preciso que outras preocupações prioritárias sejam englobadas nesta discussão: não há saúde que dure sem um espaço e um ambiente propício e equilibrado (vide novas doenças que surgem); não há condições dignas de vida sem o acesso a recursos básicos e de qualidade: transporte, hospitais, escolas, repartições e agências governamentais entre outras; dignidade e principalmente respeito em todos os fatores citados e também sobre muitos que não foram ditos, mas é importante para alguém.
Aliás, Respeito é um tema que deve ser levado mais em conta e mais a sério. Pode parecer algo comum, mas é uma forma mais eficiente de se preservar algo, seja um relacionamento, uma amizade ou mesmo o ambiente. Respeito não é ser temerário ou subordinado, capacho ou algo do gênero: "Respeitar para ser respeitado" é quase uma frase do dito comum e tem muito sentido, afinal de contas o respeito para a convivência social deve ser mútuo. Respeito é uma política de boa vizinhança, independente de qual ou quem seja, inanimada ou não. E sempre deve começar com você mesmo - sem respeito próprio, como haverá chances de respeitar algo ou mesmo ao próximo?
Vivemos em uma sociedade complexa, diferenciada por costumes, regiões, economias, políticas, culturas, histórias, práticas, ideais e ideias que são expressas de uma forma singular e que podem sofrer mutações e adaptações ao longo do tempo. Mas compartilhamos coisas em comum, não apenas o fator "humano", mas também o planeta "Terra", que por maior que seja é um só, também em suas inter-relações bio-fisio-químico complexas. Fazemos parte deste sistema tanto quanto as baratas ou formigas, mesmo que pareça para nós algo nojento para algumas pessoas. Se nos expressamos e raciocinamos diferentes, se dominamos tecnologias e a própria "natureza", como alguns pensam, isso não vem ao caso aqui. O importante é perceber que ainda assim pertencemos a esse sistema global.
Dada estas considerações, espero que 2009 seja um ano melhor, de mais atitudes, de mais respeito, de mais amor. Sim, amor é uma forma de respeito, admiração, carinho e atenção, necessário a todos os seres. Com suas mais variadas formas de expressão. Enfim, temos a discussão do clima com o pós-Protocolo de Quioto a ser discutido; (Bio)Pirataria; Transgênicos e Organismo Geneticamente Modificados; Tecnologias Nucleares e Energias Alternativas; Educação, Ciência e Cultura para a Sustentabilidade. etc. etc. Discussões que estão em diferentes caminhos, mas que se encontram em diversos pontos e precisam de uma interação maior: multi, poli transdisciplinar, transversal e transparente, constante, ética, justa e responsável.
Espero que sejam encaminhadas medidas e ações mais efetivas e eficientes que todos possam contribuir já é o começo!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Tecnologia(s) do Futuro, futuro das tecnologias. Poder, Conscientização, Possibilidades

O que dizer dos desenvolvimentos tecnológicos? Será que contribuem para melhorar nossas vidas? Será que serão os grandes vilões? O que podemos esperar?
Embora exista uma série de questionamentos sobre o futuro e o que nos aguardam pela frente, não podemos esquecer os principais processos que nos levam a "descobertas" ou "invenções" capazes de mudar a sociedade como um todo; seja através de
sonhos (representados pela curiosidade e vontade humana), a necessidade que é o outro "motor" do desenvolvimento científico e até mesmo por acidentes ou "sorte". Quero dizer que há uma série de fatores que devemos considerar que estão intimamente ligados com o próprio desenvolvimento humano e que moldam as sociedades existentes e a nossa imaginação, a própria linguagem e a comunicação estão ligadas diretamente ao poder e está ao lado, por exemplo, de grandes "descobertas" como ao uso do fogo e da roda. Mesmo que estes elementos nos pareçam comuns e cotidianos eles são fundamentais para nosso modo de vida, afinal de contas sobreviver sem o uso do fogo para nos aquecer, cozinhar nossos alimentos, espantar animais, moldar metais e vidros etc. A roda que permitiu maior agilidade, velocidade e que uma maior quantidade material fossem transportados por longas distâncias com um uso muito menor de força é usada até hoje nos mais diferentes tipos de transportes, mesmo nos transportes aéreos há o uso da roda para pouso e decolagem. Mas sem a escrita e o poder de comunicação através da linguagem não há como saber se o fogo e a roda seriam desenvolvidos como são atualmente até se tornarem parte de algo muito maior do que eram inicialmente.
O acúmulo de conhecimento, saber e informação permite o desenvolvimento das tecnologias humanas pela sua capacidade, praticamente ilimitada, de "reter a memória" da humanidade através de livros, quadros, fotos, vídeos, artigos, ensaios, gravados no papel, eletrônico ou digitalmente. Isso nos permite entender nossos próprios pensamentos, mas também compartilhar e desenvolvê-los. Aliás a própria capacidade de desenvolver nossos pensamentos é influenciada pela família, pelos amigos, pela escola, professores, livros e lugares que vemos e apreendemos além de uma complexa relação envolvendo além dos fatores citados, há sentidos mais subjetivos e sentimentos que não podem ser ignorados nestes processos.
Há um fator humano no desenvolvimento das tecnologias, manifestados por determinados gostos e interesses pessoais que não são necessariamente iguais, não importando se são pessoas que trabalham para um mesmo projeto ou objetivo. E, pode parecer contraditório para alguns, mas a existência da diversidade é um fator positivo em muitos casos. Um problema que não se encontra uma solução, por exemplo, pode se beneficiar por abordagens e pensamentos "diferenciados" e diversificados. Mas também é preciso cautela justamente pelo fator humano implicar emoções, sentimentos, erros de julgamento e cálculos que parecem bons na teoria ou discurso, mas muitas vezes impraticáveis ou, quando o são, não chegam nem perto de suas propostas ou metas.
O que isso implica para o futuro e suas relações com o poder, a cultura e a sociedade? E como devemos agir perante esses questionamentos que surgem com o tema? Não importa como serão desenvolvidos as "novas tecnologias", se elas não considerarem a história, a cultura, a sociedade e outros tantos fatores de forma abrangente, complexa, integrante, ética, suas causas e consequências podem se tornar motivos de preocupação ou motivo nenhum.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Os novos ares e a sociedade perante a "crise" mundial.

São diversas as implicações possíveis que estes últimos meses anunciam. As preocupações com o futuro da economia mundial, ou melhor, dos mercados financeiros levam a especulações sobre como e quando a situação será estabilizada e os temores se vão. Há inclusive preocupações sobre a questão ambiental. A ex-Ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina da Silva, em tom pessimista diz que a situação de crise afetará ações ambientais, embora o atual Ministro tenha declarado que as ações ainda não foram e não serão afetadas. Espero que não. Mas
mesmo que não sejam afetados, a questão deve ser vista com cuidado e reais preocupações, pois em momentos como esse que nos encontramos, em que a "crise" afeta direta e indiretamente milhares de pessoas ao redor do mundo, tendem a tornar a questão ambiental e muitas outras que já não são consideradas "essenciais" se tornam secundárias, terciárias etc.
O que preocupa é como as ações
, ou sua falta, em um setor da sociedade afeta o todo, e vice-versa. Parece uma coisa muito complicada e realmente é, não existe nenhuma teoria, nenhuma equação nenhuma política que consiga prever 100% dos resultados, principalmente quando envolvemos o fator humano na equação. Devemos lembrar que para toda ação existem diversas conseqüências, algumas delas imprevisíveis, que gerarão outros impactos e outras ações sucessivamente. Não significa que devemos optar, então, pela inação, pois também geram conseqüências. Em outras palavras, imortalizadas por um cantor brasileiro: "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come".
Quais as dimensões reais desta crise financeira que iniciou-se nos EUA e que assolou as bolsas financeira do mundo e diversas empresas? Quem foram os mais prejudicados? Quem ainda será afetado?
Existem até mesmo pessoas que lucraram, e muito, com a crise, mas sempre existem "mercadores da morte" não importando muito a circunstância. Não que seja este o caso... O que devemos considerar e que nos preocupa é se o 'modelo' e o 'sistema' mundial foi afetado. Como fica a questão da sustentabilidade no turbilhão? Enquanto milhares de pessoas estão desempregadas, sem-teto, sem apoio ou perspectiva ao redor, e sobre o mundo há uma preocupação de que os esforços para estruturar uma sociedade mais justa e sustentável sejam menores. Mas estas situações e diversas outras piores eram e são encontradas muito antes da crise atual e muito antes das diversas crises dos séculos passados.
Não existe fórmulas perfeitas e previsíveis para resolver os problemas existentes ou que virão, mas há escolhas que visam o bem coletivo e outras que privilegiam indivíduos ou grupos. Como as identificamos depende do tempo, do contexto, da sociedade e de uma série de fatores e, principalmente, quais as perspectivas estão baseadas. Se você acha que o problema do aumento da violência e assalto de uma determinada região é o aumento da concentração de criminosos você pode acreditar que aumentar o policiamento e o número de presídios seja a ação mais correta a se tomar. Mas se você considera que essa situação, que está relacionada com o aumento da população em geral, da má distribuição de renda, desemprego, baixos níveis de saúde e educação, uma falta de planejamento urbano, familiar as ações podem ser diferentes e variadas.
Os atos mais hediondos são justificados para o bem de alguma causa, indivíduo, grupo, nação ou país. A ética é maleável e contextual, por isso perigosa nos usos e abusos,convencer os outros do que é certo e estar certo são coisas diferentes - o que afinal é o "certo"? Muita coisa do que fazemos no dia-a-dia passa despercebido como algo 'natural', 'cotidiano' e até 'sem importância', mas será mesmo? Pensar nos nossos próprios atos é um exercício necessário, que pode nos ajudar a entender melhor o mundo

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O que nos espera pela frente? Exageros e Ilusões ou algo mais?

Não sabemos mais como o mundo será, mas podemos fazer algumas considerações baseadas em eventos recentes. Aliás, circula a muito tempo pela internet uma suposta carta escrita em 2070 que pode ser encontrada em diversos lugares da internet (páginas de buscadores e até no you tube). O futuro é visto como algo tenebroso e angustiante, um retrato que mostra a cobiça humana e a inação como causas de um mundo destruido, sem água e com uma população em constante sofrimento. Este não é o único relato que prega o fim do mundo se não houver mudanças significativas nas atitudes e visão de mundo das pessoas.
Mas será que podemos prever algum aspecto em futuro tão distante? É claro que não existem predições ou estimativas para longos períodos que estejam totalmente certas, talvez com sorte; mas não podemos negar que há uma série de fatores incertos e imprevisíveis - o clima, o universo, o território, espaço, tempo, terrenos, solos, etc., etc.. O fator humano também imprevisto e incerto em suas ações e atitudes agregam ao contexto mais incertezas e imprevisibilidade.
Será que mesmo com tantas considerações há um modo efetivo de se prever o que irá acontecer em uma escala de tempo maior que 50 anos? Podemos saber algumas coisas como o possível aumento das cidades, estimativas sobre a economia, lembrando dos limites dos recursos possíveis, ou seja, o crescimento não pode nem será ilimitado. Isso faz pensar na reciclagem como cotidiana , necessária e fundamental para a sobrevivência e qualidade de vida das gerações futuras.
Uma série de outros fatores envolvendo desde a educação e convívio social a diversas outras necessidades flexiveis, mutáveis e que são adaptadas e adaptáveis ao longo do tempo. Para pensar no que isso implica para o futuro, o que não é uma tarefa simples e fácil, não podemos deixar de lado os aspetos bio-físio-quimico-eco-trans-multi-poli-hiper-complexo-inter-intra-sócio-econômico-cultural-político-nacional-global-local-glocal e todas as relações envolvendo tantos aspectos quanto imagináveis e além.